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O Que é o Museu Nacional do Desporto?

Pedro Manuel Cardoso (*)

Um Museu do Desporto é definido como um espaço de entretenimento / para experimentar e conhecer o Desporto / através de uma ação interativa, lúdica e educativa / com o público e com a sociedade.

Um Museu para conhecer e compreender o Desporto, onde a Memória se adquire pela prática e pela interatividade.

Deve ser projetado para os visitantes -os atuais e os futuros -serem capazes de responder a uma pergunta. À pergunta:

                                                                                    … ”o que é o Desporto?”.

É por ser construído a partir desta pergunta e desta resposta, sempre inconclusivas, que o Museu tem a possibilidade de ser permanentemente atual. E dos factos, documentos e figuras do passado serem sempre um assunto de presente. Agora e no futuro.

Significa que “o processo de compreensão”, mais do que os objetos ou as peças, é a marca que o distingue. E a oportunidade para a sua afirmação a nível nacional e internacional.

A resposta à pergunta ”o que é o desporto?” será obtida por um trajeto cognitivo, através de cinco núcleos temáticos: ─Corpo, Atividade Física, Desporto, Mudança e Património.

Será no seio desta Estrutura Permanente de Exposição que se alcançará o entendimento “sobre aquilo que o Desporto é”, no mundo e em Portugal.

É este Museu que apresentarei, de modo muito breve.

CORPO

As etapas do processo de compreensão do desporto iniciam-se pelo Corpo.

No Espaço-Corpo o visitante poderá experimentar as capacidades fisiológicas e biomecânicas da motricidade humana: equilíbrio, flexibilidade, perícia, precisão, habilidade, velocidade, resistência, impulsão, ritmo cardíaco, capacidade aeróbia e anaeróbia, entre outras.

Através de experiências interativas que permitirão conhecer:

  • “Qual o seu peso?”
  • “Qual a sua altura?”.
  • “Qual o seu Índice de Massa Corporal?”.
  • “Qual o seu tempo de reação?”.
  • “Qual a sua visão periférica?”.
  • “Qual o seu centro de rotação?”.
  • “Qual o seu ritmo cardíaco?”.
  • “Calcular o consumo de energia”.
  • “Verificar a pressão sanguínea”.
  • “Obter o Cartão da Condição Física”.

E todas as que a atualização do conhecimento científico possibilite no presente e no futuro.

Incluirá ainda, em permanência, exposições temporárias sobre o tema: “Prevenir os excessos/Otimizar o rendimento”. Em que o controlo e a otimização do treino desportivo serão apresentados como a via para se alcançar o desporto, e erradicar a dopagem.

ATIVIDADE FÍSICA

A segunda etapa do trajeto de compreensão do desporto levará os visitantes ao Espaço-Atividade Física. No qual a intencionalidade humana começa a ganhar preponderância em relação à biologia e à fisiologia.

Neste espaço já não é a perícia, a flexibilidade, a impulsão ou a velocidade. Agora são essas capacidades do corpo ao serviço do lançar, do chutar, do correr, do saltar, do nadar, da ginástica, da atividade rítmica, do jogar, da ludo-motricidade.

Neste Espaço o visitante poderá correr ao lado de outro visitante, e saberá o tempo que gastou. Poderá fazer lançamentos, rematar à baliza; jogar um jogo virtual com os colegas; experimentar a velocidade dos remates e as trajetórias das bolas; comparar os modos de propulsão dos diferentes estilos da natação. Acederá a imagens virtuais do esforço e da contração muscular em diferentes modalidades. Serão convidados jogadores ou equipas para interagirem com os visitantes. Haverá mostra de equipamentos e da tecnologia usada no desporto. E todas as experiências interativas de conhecimento possíveis de realizar com este objetivo.

Incluirá ainda, em permanência, exposições temporárias sobre o tema: “Sensibilização para os Valores Éticos no Desporto”. Como instrumento educativo de combate a todas as formas ilícitas de se alcançarem os resultados desportivos. Mas também para fazer compreender o contributo milenar do Desporto na construção dos valores éticos, sobretudo nas relações humanas de confronto e competição, que são essenciais para a Cidadania.

DESPORTO

Neste terceiro espaço o visitante perceberá que o correr, o saltar, o jogar, e a Atividade Física em geral, posta em competição com os outros, e confrontada com a exigência da superação individual, e da ultrapassagem dos limites, transforma-se noutra coisa. À qual chamamos ‘Desporto’. Já não é “o que cada um faz do corpo e da atividade física”, é o que os atletas fazem e conseguiram fazer.

A transição da Atividade Física para o Desporto faz-se através de uma Instalação onde o visitante experimenta os recordes mundiais, olímpicos e nacionais. Passa pela distância do recorde em salto em comprimento. Observa a altura da fasquia do recorde do salto à vara; o peso do recorde de halterofilia, entre outros.

Após passar por esta experiência, entra num espaço audiovisual interativo que apresentará o Desporto em Imagens.

Os visitantes poderão simplesmente assistir. Ou interagir com as imagens, acionando uma consola que fará aparecer num grande ecrã as imagens dos atletas, das equipas e dos eventos desportivos. Verá a evolução comparada dos resultados nacionais e internacionais.

Esse ecrã multimédia estará ligado a uma “Base de Dados de Texto e Imagem”, que será permanentemente atualizada. E incluirá o Registo Nacional de Pessoas com Condecorações Desportivas.

Possibilita realizar programas audiovisuais, por exemplo, “os melhores momentos do desporto”, “momentos insólitos”, “expressões de vitória e derrota”, “golos, jogadas, defesas”, entre outros.

Inclui a possibilidade de hologramas e reconstituições, entrevistas virtuais, assim como a visita virtual aos clubes, aos bastidores da preparação de eventos desportivos, ou a museus de desporto existentes em Portugal e no estrangeiro.

As possibilidades, as ideias e as parcerias ─com as escolas, com as universidades, com o movimento associativo, com os outros museus, com as autarquias, com as empresas ─são praticamente ilimitadas.

MUDANÇA

Na quarta etapa do trajeto de compreensão do Desporto o visitante encontra a Mudança.

O objetivo é mostrar que a realidade desportiva é um facto que muda e varia durante o percurso histórico das sociedades humanas. Que o modo de fazer desporto não foi, não é, nem será sempre o mesmo. Porque sofre permanentemente o impacto social, técnico, científico, económico, ambiental e cultural.

O Espaço dedicado à Mudança será constituído por dois núcleos.

O primeiro núcleo será constituído por uma Exposição Permanente, dedicada à “Cronologia dos Factos, Figuras e Resultados do Desporto Português”, que incluirá a apresentação de documentos e objetos.

O segundo núcleo apresenta em permanência Exposições Temáticas, em torno da mudança histórica e da variabilidade antropológica do desporto. Tendo por base quatro variáveis:

  • Os Atletas, as Modalidades e as Técnicas.
  • Os Materiais, os Equipamentos e a Tecnologia.
  • Os Espaços e as Infraestruturas desportivas.
  • A Oficina das Teorias e Interpretações.

A Oficina das Teorias e Interpretações será um espaço interativo, lúdico e educativo. Aqui o visitante é confrontado com a mudança nas definições que foram sendo dadas ao desporto. Vê-las-á escritas num Mural Interativo. No qual também pode escrever a sua. A soma de tudo, no tempo, será um «Grande Livro das Definições e Interpretações do Desporto», que as sucessivas gerações podem visitar no Museu Nacional do Desporto.

As Exposições apresentadas neste quarto espaço terão impacto nacional e internacional. Realizadas em parceria com instituições públicas e privadas, e com os acervos de desporto existentes na Europa e no mundo, exigindo o patrocínio de marcas e empresas de referência.

PATRIMÓNIO

Após ter tomado consciência da Mudança o visitante encontra o Património. O património que resultou do impacto do Desporto na sociedade.

Esta quinta etapa do trajeto de compreensão do Desporto possui cinco locais diferenciados. Em cada um ocorrem em permanência Exposições Temporárias:

  • Espaço para Desporto e Arte.

O objetivo é tornar permanente a apresentação de exposições de Arte associadas à realidade desportiva.

  • Espaço para Desporto e Comunicação Social.

Espaço para expor as coleções ligadas às diversas formas de comunicar a realidade desportiva (imprensa, rádio, televisão, Web/Internet, e as que sucederem no futuro).

Possibilita simular uma entrevista, ou um relato, e dar a conhecer o jornalismo no desporto.

Haverá a exposição de periódicos desportivos portugueses e estrangeiros, comparando a forma de comunicar através do tempo.

  • Espaço para Desporto e Colecionismo.

Espaço para expor as coleções de emblemas desportivos, filatelia, numismática, cadernetas de cromos, cartazes e memorabilia. E possibilita eventos e feiras ligadas ao Colecionismo.

  • Centro de Documentação e a Mediateca.

O objetivo é constituir um centro de excelência em termos de documentação e bibliografia especializada em desporto. Inclui o acervo documental atualmente à guarda do Instituto do Desporto de Portugal. Possui um espaço para exposições temporárias.

  • Reserva Visitável.

Espaço para guardar o acervo -o existente e o futuro. Obedece às normas e requisitos museológicos em vigor a nível nacional e internacional. É construído de modo a permitir a visita a parte dos Documentos e Coleções guardadas. Tem por objetivo garantir o futuro desenvolvimento do Museu, como instituição de referência na gestão do património desportivo português.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A acrescentar a estes espaços ─que funcionarão em simultâneo ─haverá ainda as atividades dos Auditórios, para cerca de 600 pessoas; do Serviço Educativo; da Cafetaria; da Loja do Museu; do Desportódromo, e da zona exterior no Parque Eduardo VII, com atividades desportivas; e eventualmente um Passeio da Fama para as personalidades do desporto.

Deste modo, o Museu transforma-se num “prestador de serviços”:

  • Permitirá ao visitante obter o índice de massa corporal.
  • Permitirá ao visitante obter, o Bilhete de Identidade da sua Condição Física.
  • Permitirá obter conselhos sobre os estilos de vida saudável, incluindo aconselhamento sobre saúde, nutrição e esforço físico.
  • A visita ao Museu possibilitará testar conhecimentos de forma lúdica, através de jogos interativos.
  • A visita ao Museu permitirá obter documentos, e informação credível e atualizada sobre a realidade desportiva.
  • Haverá permanentemente espetáculos, homenagens e ciclos de conferências.
  • O visitante terá sempre ao dispor, em simultâneo, 9 exposições diferentes e autónomas sobre desporto.
  • O Serviço Educativo convidará as Escolas a participarem ativamente no programa permanente de atividade física e desporto que ocorrerá no interior e exterior do museu.
  • O Desportódromo convidará os clubes e as coletividades desportivas a participarem no programa permanente de atividade física e desporto, constituído por saraus, espetáculos, atividades rítmicas, ginástica, yoga, artes marciais, jogos, percursos de corrida e marcha, roteiros de orientação pela Cidade, etc.
  • Hoje é fácil saber quais são os museus mais premiados a nível internacional. E quais os critérios que lhes permitiram ser os melhores. Também é fácil saber quais os obstáculos e as dificuldades que enfrentaram na sua afirmação. Esse conhecimento esteve presente na elaboração do Projeto e do Programa do Museu Nacional do Desporto.
  • O espaço não permite que apresente todos os aspetos, que presidiram à conceção deste Museu. Referirei apenas que:

Quanto à SUSTENTABILIDADE ECONÓMICA

A “gestão museológica” constituiu-se como parte integrante do conceito, do projeto e do programa museológico deste Museu. Está contida no “Saber da Museologia”. Não lhe é um ente estranho, para ser acrescentada a priori ou a posteriori.

  • O Museu está concebido para atrair patrocinadores e marcas.
  • Possuirá uma Loja, e uma linha de produtos própria.
  • A segmentação do espaço permite maximizar as parcerias. E uma gestão programada para a apresentação permanente de eventos, atletas, personalidades e empresas associadas ao desporto.
  • O custo anual da programação e do funcionamento está calculado para ser 10% menor do que as receitas próprias e não necessitar do apoio do Estado (central ou local).
  • Está concebido para todas as classes de idade e tipos de utência, permitindo captar a maior diversidade de visitantes. Está calculado para suportar no interior mil pessoas em simultâneo.
  • A localização é numa zona nobre da cidade, com amplo espaço pedonal, e uma vista privilegiada. E tem a proximidade de unidades hoteleiras de referência.
  • Os acessos e o estacionamento estão garantidos. Possui a Estação de Metro “Parque” por baixo.
  • O Museu possuirá dois Auditórios, com uma capacidade somada de cerca de 600 lugares.
  • Possuirá cafetaria e restaurante.

Quanto às CONDIÇÕES TÉCNICAS

  • A gestão das condições ambientais será feita através da Carta Psicrométrica. Com a permanente monitorização dos valores para a humidade relativa e temperatura; para a circulação de ar e poluição interna; com a carga de iluminância medida e monitorizada em lux/hora; e as restantes condições exigidas pelos regulamentos e normas atuais.
  • Houve o escrupuloso cumprimento das regras nacionais e internacionais de acessibilidade.
  • Foi definida com rigor a interconexão entre as zonas de acesso público e restrito.
  • Foram exigidos coeficientes térmicos para a estrutura, de modo a evitar os “pontos de orvalho”; e a permitir uma conservação preventiva do acervo com “soluções passivas”.
  • Foi acautelada a segurança e a prevenção dos riscos naturais.

Quanto ao CONCEITO DE OBJETO E DE PATRIMÓNIO

O Projeto e o Programa Museológico separam as diferentes variáveis que concorrem para um conhecimento multidisciplinar do Desporto:

  • No espaço “Corpo”, permite a permanente atualização das variáveis do estudo científico da biomecânica e da fisiologia; e da biologia e da antropologia aplicadas à motricidade humana.
  • No espaço “Atividade Física” e “Desporto”, permite o contributo e o saber dos atletas, dos treinadores, dos clubes e dos responsáveis pelo movimento associativo.
  • No espaço “Mudança”, o contributo científico das ciências sociais e humanas.
  • No espaço “Património”, o contributo das ciências documentais e patrimoniais.
  • Evidentemente que neste Museu:

Precisamos da bola, mas também do modo de a chutar.

Precisamos da taça, mas também do jogo, e dos atletas que a conquistaram.

Precisamos da fasquia, mas também do salto, e dos atletas que a ultrapassaram.

Necessitamos dos objetos, mas também precisamos da reação do público e da repercussão na comunidade.

Mas este Conceito de Objeto não tem nada a ver com a atual e infeliz designação “Património dito Imaterial ou Intangível” (ICOM, 2001, 2004). Já que um Objeto sempre foi constituído pela simultaneidade inseparável das seguintes quatro substâncias [materialidade-gestualidade-oralidade-iconicidade] (Pedro Manuel-Cardoso, 2004). E reivindica-se da mudança ocorrida nos anos 60 e 70 do século passado, quando pelos contributos científicos da “École de les Annales”, da “Pragmática da Comunicação”, da “reflexividade nas ciências sociais”, e da “Antropologia da Performance” -se passa de uma «ciência dos factos, dos objetos, das normas e das estruturas» para uma «ciência dos processos».

Foi sobre um conceito de objeto em que a parte material está acompanhada dos gestos, dos sons, das imagens e das representações que este Museu foi concebido. Porque doutro modo não conseguiria restituir, para os presentes e vindouros, aquilo que verdadeiramente o desporto é.

E este aspeto teve importantes implicações e consequências na definição do espaço e nos equipamentos.

Quanto ao MODELO DE GESTÃO DO PATRIMÓNIO DESPORTIVO …

Não podemos considerar como certa, ou razoável, a possibilidade do Museu adquirir ou ficar na posse de muitos objetos e documentos do património do desporto. Porque pertencem a inúmeras entidades públicas e privadas. Que só os cederão se quiserem.

Portanto este Museu nunca poderia ser -mesmo que houvesse quem o desejasse -uma grande caixa de arquivo. Que estaria condenado a competir com os outros museus e núcleos museológicos existentes no país.

Este museu foi concebido para trabalhar em rede e em complementaridade, para benefício mútuo. Um museu para ajudar os outros que existem no país. Através de uma parceria e de uma itinerância permanente, que hoje não existem.

Se repararmos nas exposições que os museus mais significativos da Europa, e até do Mundo, estão a realizar neste momento, ou não encontramos o desporto, ou encontramo-lo menorizado e em segundo plano.

Sem merecer a edificação de um museu amplo e autónomo no seio da Polis e das Cidades, como têm a Arte, a Ciência, a Etnologia, e até os Coches.

No entanto apetecia dizer, como alguém já disse, que “o Desporto não é um património ilegítimo”. Nem uma realidade com um ‘estatuto social e cultural’ que deva ser menor.

  • Sabemos que é capaz de atrair tanto interesse, tantas pessoas e tantas empresas como quaisquer outros domínios.
  • Congrega a atenção de milhões de espetadores.
  • Faz movimentar a nível mundial os principais meios de comunicação.
  • Dá oportunidade para se ser saudável e ativo.
  • Permite construir a identidade e a pertença cultural de muitas comunidades.
  • Proporciona trocas económicas que geram riqueza e emprego.
  • Tem a capacidade para construir o diálogo intercultural à escala global, em circunstâncias de conflito e ódio extremo.
  • Tem um impacto crucial na vida dos cidadãos, da primeira à última idade.
  • Aproxima as pessoas e inclui-as na sociedade.
  • Há um profundo legado do desporto para a compreensão da sociedade humana, e para a “educação” das relações de competição e confronto, que é repetidamente mitigado.

Porém, apesar desta evidência, ainda não havia um projeto museológico capaz de o fazer entrar na Sociedade e na Cultura pela porta que merece.

Esta lacuna é a oportunidade que este projeto explora. E o caminho para a afirmação do Museu Nacional do Desporto, inclusive a nível internacional.

Temo até que este Projeto torne o Museu Nacional do Desporto num dos mais visitados do País. E o coloque na rota do turismo cultural.

A primeira vez que a questão de construir um museu do desporto em Portugal foi referida data do final do século XIX.

  • A seguir, 50 anos depois, em 1934, entre 19 de maio e 13 de junho ─por ocasião da designada “Primeira Exposição Triunfal do Desporto Português” realizada nas antigas instalações do Automóvel Club de Portugal no ex-Palácio de Calhariz.
  • Passados mais 50 anos, novamente em 1984 ─por ocasião da exposição designada “Figuras e Lendas do Desporto Português”, realizada no Palácio Foz em Lisboa.
  • E outra vez, 13 anos depois, em 1997 ─por ocasião da última grande exposição sobre desporto realizada em Portugal, designada “Encontro com a Memória do Desporto”, no Edifico da Central-Tejo/Museu da Eletricidade.
  • Em 1934, no Catálogo da Exposição que referi, a Comissão de Honra era composta por 118 pessoas. Saberão V. Exas., qual era a condição para se pertencer a essa Comissão?
  • Eu cito o que está escrito nesse catálogo: “Todos estes 118 desportistas têm mais de 25 anos de vida desportiva, e foram indicados pelas Federações, Associações e Clubes.”

Onde está o Património dessas pessoas, que em 1934 tinham 25 e mais anos de vida desportiva? Onde está essa memória, hoje?

Sabemos que a realidade desportiva em Portugal antecede em muito o início dos Jogos Olímpicos Modernos. E constitui um elemento imprescindível para a compreensão da Sociedade Portuguesa. Foi isso que em parte se perdeu.

Este Museu Nacional do Desporto serve para que essa perda não se repita.

Agora, por decisão do Governo e da Câmara Municipal de Lisboa, chegou o momento de fazer. De pôr fim a uma lacuna que se arrasta há mais de cem anos.

CONCLUSÃO

Quatro palavras podem resumir o Museu Nacional do Desporto:

                                                                                           INTERATIVO – LÚDICO – EDUCATIVO – INOVADOR.

  • INTERATIVO, porque se quis que fosse um espaço para experimentar e fazer. Um lugar para interagir com as imagens e construir experiências.
  • LÚDICO, porque se quis que fosse um espaço de entretenimento para todas as idades, onde se desse a conhecer o desporto através de um jogo permanente de descoberta e interação.
  • EDUCATIVO, porque se quis que fosse um lugar de aprendizagem e de formação. Onde fosse possível aprender e conhecer tudo o que tem relação com o desporto: como foi o passado, como é no presente e como será o futuro. Porque se quis que fosse um lugar para conhecer os atletas, os clubes, os eventos e os resultados do desporto: nacionais e internacionais, olímpicos e mundiais, do passado e do presente. Onde os visitantes pudessem aprender a conhecer o seu corpo e as suas capacidades físicas, e a poder compará-las com as dos atletas. Onde os visitantes pudessem obter o bilhete de identidade da sua condição física, e pudessem aprender os segredos para uma vida saudável.
  • INOVADOR, porque se quis que fosse um projeto construído para o visitante ser capaz de responder, por si próprio, à pergunta sempre inconclusiva “o que é o Desporto?”. E não apenas um sítio de objetos estáticos e peças imóveis. Porque familiariza os visitantes a as famílias com as novas tecnologias de informação e comunicação. E constitui uma plataforma do contacto em rede, para uma aprendizagem ao longo da vida.

O Museu Nacional do Desporto foi projetado para ser um lugar de Homenagem e de Encontro, de todos os que fizeram e fazem o desporto. E dos que vierem.

Um Projeto que ― de acordo com uma “visão de Serviço Público do Desporto” ― contribua para a igualdade de oportunidades no acesso à informação e ao conhecimento (cientifico, técnico, social e cultural) sobre a realidade desportiva.

Um Projeto que qualifique e prestigie:

… os praticantes e os atletas;

… os dirigentes, técnicos e profissionais do desporto;

… as profissões ligadas ao desporto;

… o estatuto social e cultural da realidade desportiva e o seu Património.

Um Museu que contribua para enraizar os hábitos da prática desportiva junto dos cidadãos.

Um Museu para requalificar a Cidade, para promover o diálogo intercultural, para se tornar um polo do desenvolvimento científico, para atrair as pessoas, e o Turismo.

Um Museu … para prestigiar o Desporto e Portugal.

21/12/2008

(*) http://www.degois.pt/visualizador/curriculum.jsp?key=7139400465733336

 

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Story | by Dr. Radut