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As Olisipíadas

As Olisipíadas voltaram à cidade de Lisboa!II

O Olimpismo, enquanto filosofia de vida que coloca o desporto ao serviço do desenvolvimento humano, obriga os dirigentes a um conhecimento que, tanto do ponto de vista biológico como do ponto de vista cultural, promova um desporto limpo. 
Porque, é de uma grande incoerência, por um lado, pretender-se combater o uso de produtos dopantes (doping) que fazem aumentar artificialmente os resultados desportivos e, por outro lado, permitir-se utilizar imagens inapropriadas a fim de aumentar os resultados políticos. 
Associar os Jogos da Cidade de Lisboa ao nome da cidade ao tempo do domínio romano – Olísipo – parece-me não só inapropriado como de uma grande infelicidade política. Uma coisa foi o desporto produzido pela civilização grega e outra, completamente diferente, o desporto produzido pela civilização romana.
Ver o Comité Olímpico de Portugal associado a tal projeto, embora não nos admire, revela tão só uma organização cuja liderança é incapaz de defender o seu próprio credo que, de acordo com Pierre de Coubertin, está na cultura do estádio olímpico e não na do circo romano.
No modelo desportivo do circo romano os gladiadores, para gaúdio dos espetadores, entregavam-se às lutas de morte em combates “damnati ad gladium” quer dizer, entre os “condenados à arena”. Eles, simplesmente, protagonizavam um desporto de escravos. Era a política do “panem et circenses” de Juvenal.
No modelo desportivo do estádio grego quando o jovem competia na luta, na corrida ou nos lançamentos pensava na satisfação da sua cidade natal na medida em que era a glória dela que ele desejava projetar e até as coroas de louros que os juízes colocavam nas suas cabeças eles as consagravam aos deuses das suas cidades. Eles protagonizavam um desporto de homens livres. O estádio olímpico era o lugar central da cultura grega. 
Vai mal a cidade de Lisboa. Porque, o doping expressa-se não só pela perversão do corpo mas, também, pela perversão do espírito. Ora, chamar Olisipíadas aos Jogos de Lisboa é uma perversão do espírito bem mais grave do que a perversão do corpo na medida em que os seus efeitos recaem sobre os jovens e, por isso, são de longo prazo.

FOP, 2015-12-06

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Story | by Dr. Radut