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Olimpismo e Organização do Futuro

Persuasão

Quando Apolo se apaixonou por Cassandra, filha do Rei Priam de Troia, deu-lhe o dom de predizer o futuro, com a condição de ela se lhe entregar. No entanto, Cassandra, depois de receber o dom da previsão, não cumpriu a parte dela do acordo, enganando Apolo. Este, para se vingar, porque não lhe podia tirar aquilo que já lhe tinha dado, isto é, o poder da previsão, em alternativa, suprimiu-lhe o dom da persuasão.

O que depois aconteceu foi que, sem a virtude da persuasão, quando no final da guerra de Troia Cassandra previu o perigo do Cavalo e a consequente tomada da cidade, ninguém lhe deu a devida importância.

No mundo em que vivemos, em que só a mudança é imutável, não se pode esperar que os líderes sejam capazes de prever para além do futuro imediato, Contudo, também não se pode pensar que, por se deter o poder sobre as pessoas e os recursos só por si chega para se organizar seja o que for. Os líderes têm de ser credíveis, merecerem confiança e demonstrarem capacidade persuasiva porque, só assim, conseguem envolver as pessoas em projetos que lhes são comuns.

Vicente Moura ao cabo de 15 anos de liderança deixa o Comité Olímpico de Portugal (COP) sem projeto e sem futuro. Sem capacidade persuasiva, ele limitou-se a deixar rolar a caravela do COP ao sabor da borrasca enquanto avisava sobre os desastres que se aproximam. Contudo, não o levam a sério. E ele até pode estar certo mas, tal como Cassandra, perdeu o poder da persuasão porque  há muito, deixou de ter qualquer credibilidade. Não é impunemente que se está à frente de uma organização como o COP durante mais de 15 anos.

As recentes eleições para os corpos gerentes do COP vieram demonstrar é que necessário começar a construir uma nova cultura. Uma cultura de credibilidade, de participação, de competência que aponte para o Movimento Olímpico uma ideia de futuro. Uma cultura de credibilidade que confira poder de persuasão.

Os membros do COP escolheram aquele que acreditavam ser capaz de construir um novo futuro para o Movimento Olímpico em Portugal. Assim seja ele capaz de os persuadir a envolverem-se de uma forma empenhada na construção desse futuro.

Para que isso se torne possível, em nome de um futuro melhor, é necessário que a cultura de liderança que caracterizou o COP nos últimos anos,  mude radicalmente.

O que se espera que mude

Liderança: Espera-se que o estilo de liderança venha a mudar radicalmente. O Movimento Olímpico tem sido muito prejudicado pela liderança autocrática de estilo militarista protagonizada por Vicente Moura. Uma liderança completamente desadequada aos tempos que correm em que deve ser previlegiada a competência do diálogo e do consenso de uma liderança democrática.

Visão: O Comité Olímpico de Portugal deve ter uma visão clara, precisa e concisa para o Movimento Olímpico (que inclui o desenvolvimento do desporto) em Portugal. Porque, quem não sabe para onde quer ir qualquer caminha serve. E, quando qualquer caminho serve, acaba-se por chegar a lado nenhum que é onde está o Comité Olímpico de Portugal.

Autonomia política: O Movimento Olímpico através do Comité Olímpico de Portugal deve garantir a sua autonomia não aceitando andar a reboque da agenda politico-partidária egovernamental.

Gestão: ao contrário do passado o Comité Olímpico de Portgal deve iniciar um processo de descntralizaºão do poder e do comando em direcção às Federações, Associações e aos Clubes.

Objetivos: Quem não sabe para onde quer ir...

Decisões: Os processos de tomada de decisão devem ser esclarecidos, partilhados nas suas responsabilidades. Os segredos da presidência não devem ser admitidos.

Planeamento: Num tempo de crise não pode haver lugar ao "planeamento" por impulsos ao sabor das conveniências. Este tipo de acção deve dar lugar a um planeamento deliberado perfeitamente assumido que, depois, pode dar lugar às necessárias correções através do planeamento emergente.

Relações interpessoais: As relações da presidência do Comité Olímpico de Portugal não se podem circunscrever a um número muito limitado de pessoas que se limitam a adular a presidência e a perpetuar a vulgaridade.

Comunicação: A comunicação tem de se projetar para além da Travessa da Memória sob pena do Comité Olímpico de Portugal continuar provincianamente fechado sob si próprio.

Educação Olímpica: A ativação da Academia Olímpica é um desirato ao qual a próxima Presidência deve dar a sua melhor atenção sob pena do futuro continuar a estar comprometido. Trata-se de salvar o património histórico mais precioso do desporto nacional.

Envolvimento Social: O envolvimento dos portugueses num projeto Olímpico de dimensão nacional é uma das condições que podem permitir o sucesso a médio prazo do Comité Olímpico de Portugal.

Cultura e História: A cultura olímpica deve estar sustentada na verdade histórica para além das questões conjunturais que determinam os interesses mesquinhos das pessoas e dos grupos. Repor a verdade história é uma das tarefas a que a futura presidência não pode deixar de dar atenção.

Responsabilidade: O que se espera é que o futuro Presidente do Comité Olímpico de Portugal, ao cabo dos quatro anos que se seguem, assum com honestidade e coragem a responsabilidade daquilo que fez e não fez.

A continuar ...

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Story | by Dr. Radut