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Olimpismo e Misoginia

Desculpas de Mau Pagador

Gustavo Pires

Bem vistas as coisas, à exceção dos Jogos Olímpicos (JO) de Atenas que decorreram em condições muito especiais, de uma maneira ou de outra, as mulheres sempre participaram e estiveram envolvidas nos JO.

Por exemplo, se nos JO de Paris (1900) as mulheres competiram em ténis e golfe, também participavam nas mais diversas atividades sociais de tal maneira que na Carta Olímpica (CO) de 1921 ficou devidamente registado que as mulheres dos presidentes das Federações Internacionais (FI) tinham direito a um lugar junto dos respetivos maridos na tribuna de honra dos JO.

Contudo, só em Julho 1922, numa reunião realizada em Paris, portanto ainda no tempo de Pierre de Coubertin, a Comissão Executiva do Comité Olímpico Internacional (COI) passou formalmente a considerar que as mulheres podiam ser admitidas a certas provas dos JO, pelo que o programa dos JO devia prever as provas que elas podiam disputar. E, em 1930, esta disposição passou a estar escrita na Carta Olímpica que, na versão de 1933 remetia a responsabilidade das decisões relativas à participação das mulheres para as Federações Internacionais.

Não foi uma decisão fácil. Avery Brundage, o todo-poderoso presidente do Comité Olímpico Americano que, em 1952, viria a ser presidente do COI, sobre a participação das mulheres tinha uma posição tão reacionária quanto foram as suas outras opiniões no domínio do profissionalismo, do comercialismo e do apolitismo. Em 1932 o New York Times citou Avery Brundage quando disse: “ao fim e ao cabo, provavelmente os gregos estavam certos. Eles mantinham as mulheres fora dos seus jogos atléticos… Eles nem sequer deixavam as mulheres assistirem aos Jogos. Não tenho a certeza mas eles deviam estar certos.

Avery Brundage era um Senhor. Um Senhor fascista mas, mesmo assim, um senhor porque defendeu com convicção aquilo em que acreditava. Ele acabou derrotado nos grandes temas que defendeu durante toda a sua vida. Saiu derrotado no profissionalismo que a partir de 1992 passou a estar nos nos JO. Foi derrotado no comercialismo quando Samaranch, em 1999, disse disse "yes to commercialisation”. Saiu derrotado quando em 2008 Jacques Rogge  afirmou que “o Olimpismo é um catalisador de mudança” política e social.

Mas foi também derrotado na igualdade de géneros. Nos Jogos Olímpicos de Londres (2012) todos as delegações incluíram mulheres.

Nos tempos que correm a exclusão de mulheres das mais diversas atividades humanas revela tão só uma mentalidade reacionária e fascista. Claro que entendemos que as pessoas e as equipas têm todo o direito de as terem. Mas, depois, não nos venham com desculpas de maus pagadores.

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Story | by Dr. Radut