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O Novo Presidente do Comité Olímpico Internacional

Mais Força, Mais Prestígio, Mais Recursos

Jacques Rogge, pela sua honestidade, dedicação e competência, deve ter sido, desde sempre, a nível Mundial, um dos melhores dirigentes desportivos do Movimento Olímpico (MO). Ao cabo de 12 anos de liderança, de acordo com a norma, paulatinamente e com a maior das dignidades, deixou o Comité Olímpico Internacional (COI) com mais força, com mais prestígio e com mais recursos.

Estas três dádivas permitem ao COI, não só organizar um futuro radioso como acudir a eventuais crises que possam imprevisivelmente vir a acontecer. Por isso, Jacques Rogge será avaliado por aquilo que fez mas, também, por aquilo que o seu sucessor o alemão Thomas Bach, eleito no passado dia 11 de setembro, de 2013, vai ser capaz de fazer com a organização de sucesso que recebeu.

O Ciclo Vicioso da Corrupção

Ao contrário daquilo que, geralmente, se passa em que os dirigentes, quando terminam a sua liderança, deixam as respetivas organizações de pantanas, Jacques Rogge, também neste aspeto, foi um exemplo. E um exemplo para Portugal em que existe uma cultura em que os dirigentes escondem a gestão anterior na expectativa de que o próximo líder faça o mesmo relativamente à sua gestão. Esquecem-se é que com esta atitude se tornam não só coniventes com a eventual corrupção da gestão anterior, como acabam por lançar suspeitas relativamente à sua própria gestão. Por isso, o desporto, aliás à semelhança do País, vive num ciclo vicioso de corrupção do qual os portugueses, salvo raras exceções, uns por ação e outros por inação, são responsáveis. Jacques Rogge, ao estabelecer uma rutura com a gestão do seu antecessor, deu um passo extraordinário no sentido de transformar o COI numa organização mais transparente.

Benefício da Dúvida

Por agora, somos levados a acreditar que Thomas Bach, à semelhança dos seus antecessores, vai continuar a desenvolver com brilho e competência a obra iniciada por Pierre de Coubertin quando, em 1894, instituiu o Comité Internacional dos Jogos Olímpico. E acreditamos que assim seja, em primeiro lugar, porque qualquer líder uma vez eleito, antes de começar a agir merece o benefício da dúvida. Em segundo lugar, pela leitura do manifesto eleitoral de Thomas Bach que recomendamos a todos os dirigentes que ainda acreditam nas virtualidades do desporto, a académicos deslumbrados e transviados pelas mordomias do poder, bem como a todos aqueles jornalistas para quem o desporto, à direita e à esquerda, passou a ser uma filosofia de vida ao serviço de um novo mercantilismo.

A Unidade na Diversidade

Diz o novo presidente do COI que vai exercer a sua liderança tendo em atenção que o MO deve procurar a unidade na diversidade. Para o conseguir, diz ele, é necessário transparência na medida em que esta é a base de qualquer diálogo. Mas o diálogo não pode ser assimétrico, por isso, segundo o novo presidente do COI, para que ele possa ser verdadeiramente garante de transparência, os participantes devem ter o mesmo nível de informação.

Respeito pelos Outros

Por isso, a “unidade na diversidade”, como Thomas Bach defende, tendo em atenção os Jogos Olímpicos, a educação, a cultural e os projetos de ordem social, significa, antes de tudo, o respeito por diferentes culturas, grupos sociais, géneros, perceções, atitudes e opiniões. Quer dizer, respeito pelos outros porque o respeito é um pré requisito dos processos de tomada de decisão que todas as partes interessadas devem poder entender. Não através do “cochicho de orelha” tão ao estilo das atuais lideranças do nosso nacional olimpismo, mas através de processos claros e democráticos de ampla participação. Porque só participa quem entende e só entende quem é detentor da necessária informação partilhada de uma forma democrática. O que significa um democrático respeito pelos outros.

Abertura à Sociedade

Porque, a transparência, acima de tudo, significa diálogo. Diálogo, como diz Thomas Bach, entre os membros do COI mas, também, diálogo entre o COI e as Federações Internacionais (FIs) e os Comités Olímpicos Nacionais (CONs). Mas não só, porque o novo presidente do COI chama a atenção para a circunstância da palavra diálogo significar também uma abertura à sociedade de maneira a que o MO possa interagir de igual para igual com a cultura, com a política, com a educação, com os negócios, com os mídia e com a ciência. Os CONs não podem continuar a ser uma espécie de clube secreto de amigos que, à custa do erário público, vive a explorar o corpo e a alma dos atletas de alta competição para honra e glória de um país, do ponto de vista desportivo, perfeitamente analfabeto.

O Folclore do Nacional Olimpismo

Nas palavras de Thomas Bach a necessária interação só pode acontecer de igual para igual. A não ser assim, a cultura olímpica é transformada num mero folclore de feira de vaidades; a política é transformada num sistema de obtenção de mordomias subservientemente à mesa do Orçamento de Estado; a educação é transformada numa farsa ao serviço da exploração dos direitos das crianças e dos jovens que são transformados em “bestas esplêndidas”; os negócios são transformados em negociatas da mais baixa extração em que dirigentes corruptos se governam à custa do erário público; os mídia são transformados numa máquina de alienação de massas ao serviço de um novo protofascismo; e a ciência é transformada num embuste que se traduz na exploração do homem pelo homem em nome do progresso científico.

GP, 2013-09-12.

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Story | by Dr. Radut