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O Que é o Museu Nacional do Desporto?

Pedro Manuel Cardoso (*)

Um Museu do Desporto é definido como um espaço de entretenimento / para experimentar e conhecer o Desporto / através de uma ação interativa, lúdica e educativa / com o público e com a sociedade.

Um Museu para conhecer e compreender o Desporto, onde a Memória se adquire pela prática e pela interatividade.

Olimpismo e Organização do Futuro

Persuasão

Quando Apolo se apaixonou por Cassandra, filha do Rei Priam de Troia, deu-lhe o dom de predizer o futuro, com a condição de ela se lhe entregar. No entanto, Cassandra, depois de receber o dom da previsão, não cumpriu a parte dela do acordo, enganando Apolo. Este, para se vingar, porque não lhe podia tirar aquilo que já lhe tinha dado, isto é, o poder da previsão, em alternativa, suprimiu-lhe o dom da persuasão.

Saldanha Sanches Expresso

Serpa, Homero (1927-2007)

Homero Serpa

Manuel Sérgio, um seu Amigo (*)

Desde que me conheço o conhecia. Era o Homero. Pertencíamos ambos a uma geração que, nos bairros lisboetas de Belém e da Ajuda, proclamava o seu belenensismo, ao mesmo tempo que a alma do Tejo inundava de esperança as nossas próprias almas. Ante os meus olhos passa agora essa extinta freguesia de Belém, onde o Belenenses nasceu, onde no Homero e em mim próprio floriram os primeiros sonhos da nossa juventude e onde o Homero nunca deixou de estar, por mais longe que se encontrasse, empurrado pela sua profissão de jornalista.

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“Belém é a minha Pátria”, repetia ele, aquecendo-se ao calor da emoção e da saudade.

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Ao Tejo chamava-lhe “pai”, tantas foram as vezes que se sentiu carinhosamente abraçado pelo veludo das suas ondas. Praticante exímio de natação, no Belenenses, foi no tanque do Jardim Colonial e no Tejo, que aprendeu a nadar. Demais, filho de uma família que a Ajuda e Belém respeitavam. O seu avô Domingos Serpa “tinha o perfil do cidadão íntegro e era figura admirada nos bairros irmãos de Belém e Ajuda, em particular no sítio da Alcolena. A sua poesia triste, revolucionária, mas sensível e comovente, parecia destinada ao coração dos pobres, dos humilhados e dos explorados”, como o Homero o recorda no livro Na Estrada, a sua última obra. O seu avô Domingos Serpa que, homenageado e contemplado com um “envelope mistério” pelas mãos solidárias dos amigos que conheciam as dificuldades monetárias em que se encontrava, foi dar aos mais pobres do Alto da Ajuda e do Monsanto todo o dinheiro que recebera. Era um novo S. Francisco de Assis o Domingos Serpa! Era um novo S. Francisco de Assis o Homero Serpa! “Gostava de ser generoso e bom, como o meu avô!” confessou-me ele, de lágrimas nos olhos, dentro do Estádio do Restelo, onde semanalmente almoçávamos e conversávamos sem tempo, contemplando o Tejo, rio sagrado da Humanidade, como o Ganges e como o Nilo. Respondi-lhe emocionado: “Sempre te conheci igual ao teu avô Domingos”...
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O Homero Serpa era um temperamento literário que ficou sempre literário, em todas as manifestações do seu espírito. A literatura, nele, não era uma aptidão, nem um hábito, era uma segunda natureza. Comentem-se os seus livros; analisem-se criticamente as suas reportagens no jornal A Bola (onde ele e eu aprendemos a ler) – e por trás de cada sensação e por trás de cada paisagem havia um artigo, havia a página de um livro, havia um pensamento que o surpreendia, havia dentro da máxima simplicidade a máxima expressão. O Homero era um escritor, em todos os momentos da sua vida. E um escritor de culto sempre aceso pela beleza (incluindo a beleza moral), pela generosidade, pela solidariedade, por um ideal que fazia dele um perpétuo semeador de estrelas, um eterno lavrante da esperança, um apaixonado por aqueles valores sem os quais impossível se torna viver humanamente: valores morais, valores estéticos, valores políticos. Heidegger afirmou que uma tragédia de Sófocles diz mais sobre a essência da Ética do que um livro de Ética. Eu diria o mesmo dos livros do Homero Serpa onde a Ética ressalta, em páginas de idílio e de mágoa, da própria vida. Reynaldo dos Santos, nome grande da história da medicina portuguesa, recomendou um dia aos escritores lusófonos que bebessem todos os dias uma colher de Ramalho. Eu, se me permitem, aconselho aos jornalistas, nomeadamente àqueles que se ocupam do desporto, uma colher diária de Homero Serpa. Para termos a certeza que não morreu a fresca e cantante língua que falamos e que a ratio do jornalista e do crítico não pode confundir-se com a fides do clubismo acéfalo, ou do charlatanismo de alguns dirigentes.
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Outra maneira de contar desporto, Cândido de Oliveira: uma biografia, Largo da Memória, Na Estrada e ainda, em colaboração com o Vítor Serpa, “uma história do futebol, a coincidir com o Europeu de 2004, encomendada pelos CTT, e um volume extenso sobre os primórdios do desporto em Portugal, editado pelo Piaget”: são as suas principais obras. Mas em todos estes livros persiste um imaginário que se prende à sua freguesia de Belém, à sua família e às pessoas que mais afectuosamente lhe acenaram. O Homero Serpa foi um homem de liturgia vital. Poderia cantar com Miguel Torga:

Quem for homem de carne tenha um sonho, 

tenha um sonho da brancura do leite que bebeu;

 vista-se de quimera e tenha um sonho

 com raízes na terra onde nasceu”.

 

“Nestes versos se define a obra de Miguel Torga. Mutatis mutandis, define-se também a obra de Homero Serpa. Na hora da sua entrada no misterium tremendum, a que ele foi tão sensível, quero também destacar, como seu amigo convivial, o seu quilate moral que sempre nos remetia para a gravidade do nosso destino e para o apelo irreprimível a um sentido último, embora sem nítida qualificação religiosa. Sem pretender exagerar, dada a amizade verdadeiramente fraterna que nos unia, o Homero Serpa foi, em todas as circunstâncias, um estrénuo defensor da liberdade e profeta do humano no homem..

O Homero Serpa morreu! Está de luto o jornal A Bola e o jornalismo português, que poderão (deverão) evocá-lo, na competência do seu trabalho, na elevação do seu pensamento, na firmeza das suas convicções! Está de luto o Clube de Futebol “Os Belenenses” onde a sua figura inesquecível avulta como nadador, como secretário-técnico do departamento de futebol, como membro ilustre do Conselho Geral. Morreu o neto, o filho, o pai, o avô, o marido, o sogro, o bisavô de uma ternura infinita e em permanente comunicação com a sua família, para ele tão sagrada como a dos santos. E morreu o amigo que me dizia: “A nossa amizade, entre os destroços morais do nosso tempo, é uma sobrevivência”. Pois é, meu querido Amigo e... Irmão, é uma sobrevivência a que, como tu, quero ser fiel até à morte.
 
(*) Trabalho publicado n' "A Bola" de 2 de Janeiro de 2008. Publicado no Fórum Olímpico de Portugal com o consentimento do autor e a nossa vénia ao diário "A Bola".

Os Presidentes do Comité Olímpico de Portugal

GP Eleições no Comité Olímpico de Portugal

José Manuel Constantino Venceu

José Manuel Constantino venceu as eleições para o Comité Olímpico de Portugal (COP) (92-67). Nunca, desde os anos cinquenta, as eleições foram tão disputadas. Os nossos parabéns ao candidato vencedor bem como a Manuel Marques da Silva na medida em que se existe área social em que só é derrotado quem desiste de lutar é o desporto.

Boletin do Comité Internacional dos Jogos Olímpicos

Bulletin du Comité International

Carta Olímpica II

Valores do Olimpismo

Quais são os valores do Olimpismo?

São, antes de tudo, os valores da competição organizada para um mundo em paz que Pierre de Coubertin foi buscar a Inglaterra à escola pública de Rugby da qual Thomas Arnold (1795-1842), o grande inspirador do desporto moderno, tinha sido diretor. E foram os valores mais nobres e leais da competição para a construção de um Mundo em Paz que levaram Coubertin em 1894 a abandonar o “Comité pour la Propagation des Exercises Physiques” que com Jules Simon (1814-896) tinha fundado em 1888 para fundar o “Comité International des Jeux Olympiques” e a institucionalizar a realização dos Jogos Olímpicos da era moderna a fim de conduzir para os terrenos da competição desportivas as disputas belicistas que, ao tempo, dominavam as relações entre Estados.Segundo a Regra 3 da Carta Olímpica (CO) que trata dos Princípios Fundamentais do Olimpismo este consubstancia-se na:

Ação, concertada, organizada, universal e permanente, levada a efeito sob a autoridade suprema do COI, de todos os indivíduos e entidades inspiradas pelos valores do Olimpismo.

Diz bem: a ação “de todos os indivíduos e entidades inspiradas pelos valores do Olimpismo”. Até porque, como a própria CO diz:

O Olimpismo é uma filosofia de vida que coloca o desporto ao serviço da humanidade.

Quer dizer, o MO não é uma entidade fechada, antes pelo contrário, integra todos “os indivíduos e entidades inspiradas pelos valores do Olimpismo”.

Carta Olímpica I

Carta Olímpica 2011O Desporto ao Serviço da Humanidade

O Olimpismo é uma filosofia de vida que coloca o desporto ao serviço da humanidade. Na sua versão de 8 de Julho de 2011 a Carta Olímpica (CO) organiza os princípios fundamentais do Olimpismo, das regras e dos textos de aplicação adotados pelo Comité Olímpico Internacional (COI). Regulamenta a organização, as ações e o funcionamento do Movimento Olímpico (MO) e fixa as condições para a celebração dos Jogos Olímpicos (JO). Na sua essência, a CO tem três objetivos principais:

  1. Enquanto documento de base de natureza constitucional, fixa e apela aos princípios fundamentais e valores essenciais do Olimpismo;
  2. Serve igualmente de Estatutos para o Comité Olímpico Internacional;
  3. Define os direitos e obrigações recíprocas dos três principais constituintes do MO, nomeadamente o Comité Olímpico Internacional, as Federações Internacionais e os Comités Nacionais Olímpicos, bem como os Comités Organizadores dos Jogos Olímpicos, aos quais é pedido que se conformem com a Carta Olímpica.

Olimpismo e Misoginia

Desculpas de Mau Pagador

Gustavo Pires

Bem vistas as coisas, à exceção dos Jogos Olímpicos (JO) de Atenas que decorreram em condições muito especiais, de uma maneira ou de outra, as mulheres sempre participaram e estiveram envolvidas nos JO.

Por exemplo, se nos JO de Paris (1900) as mulheres competiram em ténis e golfe, também participavam nas mais diversas atividades sociais de tal maneira que na Carta Olímpica (CO) de 1921 ficou devidamente registado que as mulheres dos presidentes das Federações Internacionais (FI) tinham direito a um lugar junto dos respetivos maridos na tribuna de honra dos JO.

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