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Congresso Olímpico Nacional (alternativo)

Entre o Passado e o Futuro

Manuel Sérgio

Entre o Passado e o Futuro é o nome de um livro de Hanna Arendt. Posso até começar com uma frase deste livro:

“O testamento, que indica ao herdeiro aquilo que legitimamente lhe pertence, transmite ao futuro os bens do passado. Sem testamento ou, para aclarar a metáfora, sem a tradição – que escolhe e nomeia, que transmite e preserva, que indica onde se encontram os tesouros e qual o seu valor – é como se não existisse continuidade no tempo e como se, por conseguinte, não houvesse nem passado nem futuro, em termos humanos, mas apenas a perpétua mudança do mundo e o ciclo biológico dos seres vivos” (Relógio d´Água Editores, 2006, p.19).

Costuma dizer-se que a civilização ocidental assenta sobre quatro pilares:

  1. a filosofia grega;
  2. o espírito jurídico latino;
  3. a religião judaico-cristã e o espírito crítico que nasce com o Renascimento.

Mas... o que distingue o nosso tempo?

Congresso Olímpico Nacional (alternativo) Apresentação

No Espírito de Pierre de Coubertin

 Um congresso, por definição, é uma reunião de pessoas pertencentes a uma determinada área de estudo ou profissão que se realiza com o objetivo de se apresentarem trabalhos, trocarem ideias, confrontarem projetos e para, deste modo, preparar, de uma forma livre e aberta, a organização do futuro. A última coisa que um congresso pode ser é uma reunião fechada, sepulcral, em que um conjunto reduzido de pessoas, de uma forma pouco menos que secreta, procura criar as condições para melhor exercerem um poder com reduzida legitimidade social. Um congresso deste tipo não passa de uma “reunião de claque”, sem o mínimo interesse de ordem social para o desenvolvimento e o progresso seja de que atividade for.

Reflexões Olímpicas

Os Jogos da Lusofonia na Índia

José Pinto Correia

De facto pode fazer-se parte da direcção de um movimento com fundamentos filosóficos que enaltecem a condição humana na sua vontade, audácia e ambição sem que se dêem os passos certos que praticam esses mesmos fundamentos. O nosso dirigismo no Movimento Olímpico tem-se comportado exactamente desse modo ao longo de muitos anos, sem competência, sem rigor no respeito aos princípios, com vacuidade de propósitos e ausência quase completa de resultados desportivos.

Fechou-se o ano passado entre nós um ciclo medíocre de direcção do Movimento Olímpico e imaginava-se um novo fôlego, com uma nova governação, melhor condução estratégica, clara definição de prioridades e fixação de objectivos desportivos. Passado esse ano completamente, tudo parece voltar a colocar-se ao mesmo nível de incapacidade e de desacerto do passado. O caso exemplar desta inadequação da liderança do Movimento Olímpico é o que se está a passar com os “Jogos da Lusofonia” a decorrerem na Índia, ou mais especificamente em Goa.

Mil Novecentos e Oitenta e Sete

Cavaco Silva

Anda uma certa comunicação social a tentar branquear o que se passou em 1987, quando a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, com 129 votos, um apelo para a libertação incondicional de Nelson Mandela. Os únicos três países que votaram contra foram os Estados Unidos da América, de Reagan, a Grã-Bretanha, de Thatcher, e o governo português de Cavaco Silva.

O argumento é o de que numa outra resolução posterior o Governo Português votou pela libertação de Nelson Mandela.

Mas porque é que Portugal não se absteve como outros países europeus?

Não se absteve simplesmente para fazer um frete aos EUA e à Inglaterra.

A desculpa cavaquista de que o fez para proteger os cerca de 600 mil portugueses que viviam na África do Sul, para além de ser de mau pagador, revela uma inversão absoluta daquilo que, ao tempo, se passava naquele país. O que aconteceu foi que com a sua posição o Governo Português pôs muito mais em risco os portugueses que viviam na África do Sul do que, simplesmente se se tivesse abstido.

Porque, ao contrário daquilo que se quer fazer passar, a luta armada era feita pelo governo sul-africano contra os cidadãos negros que, simplesmente, reivindicavam os seus direitos de cidadania no seu próprio País.

Não existem explicações plausíveis. E aqueles que não o compreendem deviam ler a estória exemplar do jovem artilheiro de Victor Hugo descrita no "Quatrevingt-Treize". E, agora, a ida de Cavaco Silva ao funeral de um homem que, para todos os efeitos, ele pretendeu manter na cadeia para, depois, o tentar libertar, representa a condenação à morte do jovem artilheiro do "Quatrevingt-Treize" um dos mais brilhantes romances da história da literatura.

GP, 2013-12-07

Nelson Mandela (1918-2013)

A Verdade é a Verdade…

Intervenção do Deputado António Filipe, em 18 de Julho de 2008, na Assembleia da República:

“(…) quando, em 1987, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, com 129 votos, um apelo para a libertação incondicional de Nelson Mandela, os três países que votaram contra foram os Estados Unidos da América, de Reagan, a Grã-Bretanha, de Thatcher, e o governo português, da altura.”

Direitos das Crianças

ONU & COI

A utilização de crianças para fins de promoção e publicidade pessoal ou institucional viola o princípio da proteção integral a que devem estar sujeitas

Arregimentar crianças para fins políticos comerciais ou outros é uma prática, segundo a Declaração Universal dos Direitos das Crianças, simplesmente inadmissível.

Por isso, a Organização das Nações Unidas, em 20 de novembro de 1989, adotou por unanimidade a Convenção sobre os Direitos da Criança.

Olimpicamente Desajustado

José Manuel Constantino e os aneisA Proteção do Emblema Olímpico

O imperativo categórico de Kant diz-nos que devemos agir de maneira a que as nossas atitudes em relação às circunstâncias possam ser adquiridas como leis universais.

Ora bem, esta assunção leva-nos a aceitar que as nossas ações individuais e coletivas devem estar imbuídas de um sentido crítico que procura aferir da justa aplicação do princípio categórico enunciado.

Assim sendo,

a pergunta que se coloca é a que procura saber da legitimidade da utilização de crianças  numa campanha de marketing comercial e pessoal.

Cinesiologia ou Sciencia do Movimento

A Quem nos Ler

Paulo Lauret

Consintam que seja eu mesmo quem lhes apresente meu ultimo trabalho, que tão humilde o classifico, que não me atrevo a expol-o no mercatlo; resolvi distribuil-o ás pessoas que me honram, dispensando-me a sua protecção e amisade, pedindo-lhes que me auxiliem na ardua tarefa a que me propuz: tal é a de introduzir os exercícios do corpo como elemento educativo da mocidade d'hoje, que tanto carece de forças para poder resistir ao peso de tantas exigencias.

Senhores: Existe ha cinco annos um estabelecimento de educação physica no Porto (unico no paiz, nas condições exigidas, e dos primeiros da Península), que dispõe de todos os elementos para bem corresponder ao fim para que foi creado. É triste confessar: vive pobre, é limitadissimo o numero dos seus frequentadores. Não sei a que attribuir esta indifferença publica, se á ignorancia se á descrença, se á indolencia; seja qual for, a verdade é a que exponho.

Deste logar atrevo-me a pedir ao illustrado e muito respeitavel vereador de instrucção, o ex.mo snr. dr. Monteiro, dignissimo Par do Remo, que volva a sua atenção para este assumpto, que sabemos ser-lhe bastante sympathico. Aos illustrados membros das Escólas Parochiaes, aos directores de estabelecimentos de educação, aos paes, e, emfim, a todos aquelles a quem for confiada a educação da mocidade, pedimos egualmente que não descurem este assumpto, que, como vêem na exposição de documentos authenticos, é hoje no mundo civilisado um corollario.

Do Comité Internacional dos Jogos Olímpicos

Para o Comité Olímpico Internacional

No terceiro quartel do Século XIX, como refere Young (2013), o conceito de amador “não tinha sequer sido inventado” [i]. A questão da dialética “amador x profissional” só emergiu na sua plenitude com a própria fundação do Comité Internacional do Jogos Olímpicos[ii] cujo primeiro Congresso, realizado em 1894, foi organizado tendo como um dos seus objetivos principais o esclarecimento do conceito de amador.

Os congressistas, contra a dinâmica caótica da realidade do desenvolvimento do desporto, queriam construir um desporto de amadores, pelo que liberto de todo e qualquer interesse económico. Em conformidade, foram abertas as portas à discussão acerca do estatuto de amador no que diz respeito às condições de elegibilidade dos atletas. Eles estavam fundamentalmente interessados em organizar competições pelo que antes de ser Comité Olímpico internacional a organização foi designada Comité Internacional dos Jogos Olímpicos.

Como se sabe a questão do amadorismo x profissionalismo, para além de ter dominado o Congresso de Paris de 1894 acabou por nunca ser totalmente resolvida a não ser quando em 1992 as portas dos Jogos da XXV Olimpíada realizados em Barcelona foram abertas aos profissionais.


[i] David C. Young (1987). The Origins of the Modern Olympics: a New Version. In: The International Journal of the History of Sport, 4:3, 271-300, p. 274.

[ii] Nome que antecedeu o nome atual do Comité Olímpico Internacional

Rebentamento

José Manuel Constantino - Explosão

Cerebral

Muito embora animada pelo incrível apoio de José Constantino Presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP) a CGTP informou que cancelou a marcha marcada para sábado na Ponte 25 de Abril, em Lisboa. Fez bem. Os riscos eram desnecessários…

Em consequência, Constantino ficou sozinho. Recordamos o que disse o incrível Presidente do COP:

“o Sistema de Segurança Interna (SSI) deu ontem um parecer técnico desfavorável à realização, a 19 de outubro, por parte da CGTP, de uma marcha de protesto cujo itinerário inclui a ponte 25 de Abril, invocando diversos riscos de segurança. Solução? Em vez de irem a marchar os manifestantes que vão a correr…….. e desse modo já não há problemas de segurança como o provam as varias corridas de atletismo por lá realizadas…”.

Constantino, depois de ter proposto Miguel Relvas para assumir as funções de "Alto Comissário da Casa Olímpica da Língua Portuguesa no Brasil", entendeu por bem “piscar o olho” à esquerda.

Mas, afinal, a manifestação vai ser realizada de camioneta.

E assim a ideia de Constantino rebentou-lhe na cabeça.

Esperamos que  já tenha reservado um lugar numa das camionetas.

Haja constan…tino.

 GP, 2013-10-16.

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