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Educação & Desporto

Pinto CorreiaA Educação e o Desporto e a Educação pelo Desporto

José Pinto Correia (*)

As sociedades modernas nos países mais desenvolvidos da Europa, da América do Norte e mais recentemente da Ásia são principalmente baseadas no conhecimento, quer de carácter científico e tecnológico quer artístico e literário, sendo as pessoas, com as suas capacidades e competências diversificadas e criadoras, determinantes nos níveis de progresso contínuo material e imaterial.

A escola, desde os primeiros níveis até ao ensino universitário, continua a ser a instituição fundamental para a transmissão dos conhecimentos historicamente adquiridos, bem como para a criação das aptidões de criatividade, ousadia, visão do futuro, resolução de problemas complexos, espírito crítico e vontade de ruptura, que os jovens adultos detêm e que pelas suas iniciativas transferem ao longo das suas vidas para a sua sociedade.

Desporto na Escola e na Comunidade

As ‘guidelines’ da UNESCO em parceria com o COI

Francisco J. V. Fernandes (*)

A UNESCO, associada a um conjunto de organizações internacionais, entre as quais o Comité Olímpico Internacional, acaba de publicar as orientações para os decisores políticos em matéria de educação física e desporto nas escolas[1], na sua qualidade de Agência das Nações Unidas encarregue de promover, de forma concertada e colaborativa, uma ação participativa destinada a garantir o desenvolvimento integral de cada indivíduo.

Para Irina Bokova, Diretora-Geral da UNESCO, a visão da organização é clara: o desporto e a educação física são essenciais para a juventude, para a vida saudável, para a construção de uma sociedade resiliente, para o combate à violência, mas esse objetivo não se atinge espontaneamente – exige a ação dos governos e o suporte da comunidade, num movimento concertado cujos princípios decorrem da aceitação e promoção dos valores do Movimento Desportivo tais como preconizados pela Carta Olímpica quanto a crenças e princípios centrados no fair-play, respeito, honestidade, amizade e busca da excelência, sendo responsabilidade das organizações desportivas [e da escola] defender e proteger tais valores (Olympic Charter, 2013).

A Competição em Pierre de Coubertin

Citius, Altius, Fortius

Gustavo Pires

O presente ensaio tem por objetivo especular acerca da perspetiva competitiva de Pierre de Coubertin (1863-1937) que, em finais do século XIX, o levou a estabelecer um corte com os modelos gímnicos, ao tempo preponderantes, a fim de desencadear o desenvolvimento de um novo paradigma, o desportivo,[1] centrado nos valores da competição justa, nobre e leal, da tradição da Grécia antiga.

Ética do Desporto

O Pensamento Ético Contemporâneo

e o Desporto

Manuel Sérgio (*)

Segundo Anthony Giddens, no seu livro As Consequências da Modernidade, o que caracteriza o nosso tempo é a sua descontinuidade, em relação às épocas anteriores. As transformações na tecnociência, na filosofia, nos modos de vida, nas mentalidades; a globalização do economicismo neo-liberal, bem expressa numa alta competição sem freios; o ciberespaço, como novo espaço do saber; confundir felicidade com a posse exclusiva de bens materiais: não deixam a este respeito um rasto de dúvida. No entanto, segundo Rawls, uma das “experiências fundamentais” da modernidade é a existência do fact of pluralism, ou seja, a existência de uma incomensurável pluralidade de valores, que reduz a cinzas qualquer unicidade normativa. Por isso, Habermas faz resultar a moral das condições e pressupostos da deliberação democrática, como se nela ressaltassem, límpidas, a dimensão moral, a ética e a pragmática, quero eu dizer: a complementaridade entre o direito e a moral.

He Zhenliang (1929-2015)

Membro do COI

Faleceu He Zhenliang um dos dirigentes desportivos que mais contribuiu para a unidade do Movimento Olímpico Internacional.

Ele foi eleito como membro do COI em 1981, servindo no cargo até 2010, data a partir da qual passou a ser membro honorário do COI. Pertenceu ao  Conselho Executivo do COI por três vezes (1985-1989, 1994-1998 e 1999-2003). Exerceu as funções de vice-presidente do COI de 1989 a 1993.

Foi membro das seguintes Comissões:

  • Olympic Solidarity (1981-1987)
  • Olympic Movement (1985-1999)
  • Apartheid and Olympism (1989-1992)
  • Council of the Olympic Order (1989-1993)
  • Preparation of the XII Olympic Congress (1990-1993)
  • Study of the Centennial Olympic Congress – Congress of Unity (1994-1996)
  • “IOC 2000” (1999)
  • “IOC 2000” Reform Follow-up (2002)
  • 2009 Congress (2006-2009)

He Zhenliang faz não só parte da história do Movimento Olímpico na República Popular da China como da história do Movimento Olímpico Internacional. Da Revista Portuguesa de Ciências do Desporto (2009), 2, 73-153, respigamos a prosa que se segue da autoria de Pires, Gustavo com o título" O Olimpismo Hoje: De uma Diplomacia do Silêncio para uma Diplomacia Silenciosa: O Caso das Duas Chinas".

A Rutura de Pierre de Coubertin com a Educação Física

Prefácio

Carlos Colaço

Ao prefaciar este livro de Gustavo Pires começo com uma questão: - É o livro que faz o destinatário ou é o destinatário que faz o livro?

Muito provavelmente, acontecem, em simultâneo, as duas situações. Se, por um lado, o livro com a sua mensagem vai ao encontro do destinatário provocando-lhe curiosidade e interesse, por outro lado, o livro nasce porque existe um destinatário pronto para consumi-lo, quer dizer, interessado na problemática tratada no livro. É nesta dupla abordagem que entendo o livro que agora prefacio. É escrito para aqueles que se interessam pelo tema da génese do Movimento Olímpico internacional mas também é escrito para aqueles que, potencialmente, se poderão vir a interessar.

Sobre o autor direi que o livro, para abreviar o título, “A Rutura de Pierre de Coubertin com a Educação Física”, é escrito por alguém que, em Portugal, mais tem dedicado o seu tempo a estudar e a tentar perceber não só a “mítica” personalidade de Pierre de Coubertin como, no quadro do desenvolvimento e da gestão do desporto, a dinâmica do Movimento Olímpico moderno, tanto em termos nacionais como internacionais. Ao fazê-lo, Gustavo Pires, aliás como é timbre nos seus escritos, procura atingir um público mais vasto do que aquele que, enquanto docente, encontra na sala de aula, na perspetiva de colocar o trabalho ao alcance do interesse de um auditório bem mais vasto eventualmente interessado nas questões relativas aos primórdios do Movimento Olímpico que, ainda hoje, influenciam a maneira como as generalidade das pessoas olha para o desporto.

Movimento Olímpico Moderno

120 Anos de Vida

O Movimento Olímpico moderno nasceu precisamente há 120 anos aquando da realização de de 18 a 23 de junho de 1894 do Congresso Atlético Internacional em Paris na Sorbonne. Depois os primeiros Jogos Olímpicos (Jogos da Olimpíada) foram celebradas em Atenas na Grécia em 1896.

Tempos de Rutura

Em finais do século XIX, de uma maneira geral, todos os movimentos de Educação Física (EF) e desporto libertos de preconceitos tinham subjacentes preocupações políticas, patrióticas e militares, para além das higiénicas e educativas. Por isso, no que diz respeito ao Olimpismo enquanto movimento de EF surgido no século XIX, as suas relações com a política aconteceram, como não podia deixar de ser, desde que Pierre de Coubertin idealizou a institucionalização dos Jogos Olímpicos (JO). Porque, ao fazê-lo, teve como objetivo mais profundo ultrapassar a enorme crise de degenerescência em que os Franceses se encontravam desde que o exército de Napoleão III (1808-1873) sofreu uma enorme derrota em Sedan (2 de setembro de 1870) infligida pelo exército prussiano comandado por Otto von Bismarck (1815-1898).

Dia Olímpico

Bandeira

23 de Junho

O Dia Olímpico foi comemorado pela primeira vez em 1948 a fim de celebrar o nascimento dos Jogos Olímpicos da era moderna a 23 de junho de 1894 na Sorbonne em Paris com o objetivo de promover a prática desportiva em todo o mundo independentemente da condição social, da idade, do género ou da capacidade atlética de cada um.

Porquê 23 de Junho?

Os Jogos Olímpicos

Perspetivas Futuras (*)

João C. Boaventura

Druon apresentou, em 1980, à Comissão da Cultura e da Educação do Conselho da Europa, um extenso relatório onde historiou as origens dos Jogos Olímpicos para argumentar a necessidade de centrar, de uma vez por todas, a sede dos Jogos Olímpicos em Olímpia (Grécia), local geográfico da sua génese.

A razão ou razões da proposta: recuperar o espírito olímpico, perdido por motivos, económicos, comerciais e publicitários. Daqui a proposta do estabelecimento permanente dos Jogos na Grécia, à qual acresceria a eliminação dos jogos colectivos e a comercialização. Com o que se não concorda. Os excessos hão-de existir sempre, quer os jogos se realizem em Olímpia ou em Seul, Roma, Moscovo ou Los Angeles. Como diria Pierre de Coubertin: «A ideia de suprimir o excesso é uma utopia dos não desportistas». O excesso publicitário e comercial tem permitido ao Comité Internacional Olímpico obter uma boa fonte de receita, a qual lhe vem facultando, através da Solidariedade Olímpica, o poder acudir aos países menos favorecidos desportivamente.

A Família Herédia e o Olimpismo

Francisco Fernandes

O Doutor Francisco Fernandes é um caso singular no mundo do desporto nacional. Nasceu no Funchal em 1952, viveu alguns anos na cidade da Horta, onde conclui os estudos no âmbito do ensino secundário. Posteriormente, em Lisboa, obteve uma Licenciatura em Finanças no Instituto Superior de Economia da Universidade Técnica de Lisboa e, mais tarde, um Mestrado em Gestão do Desporto e um Doutoramento em Motricidade Humana na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa. É, ainda, Doutor Honoris Causa em Administração Pública pela Universitas Sancti Cirilli de Malta.

O Doutor Francisco Fernandes tem dedicado com brio e proficiência a sua vida ao desporto. Foi jogador e treinador de basquetebol, fundou o Clube dos Amigos do Basquetebol na Região Autónoma da Madeira tendo sido seu dirigente. Nos anos noventa foi presidente do Instituto do Desporto da Região Autónoma da Madeira e, posteriormente, Secretário Regional de Educação e Cultura. O Doutor Francisco Fernandes para além de participar com regularidade em congressos científicos no âmbito do desporto tem vários livros publicados relativamente à problemática do desenvolvimento do desporto.

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