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Narrativas da Nação

Rosa Mota

Proporcionadas pelas Vitórias Desportivas e seus Heróis

Ana Santos (1)

1. Introdução

Os heróis desportivos enquanto figuras proeminentes de "afectos identitários" permitem aceder a um conjunto de narrativas da Nação.

Esta comunicação pretende ser apenas um ensaio de exploração desta temática, e neste sentido trata apenas alguns discursos, produzidos pela Imprensa escrita, relacionados com grandes competições internacionais, como os Jogos Olímpicos e os Campeonatos da Europa de futebol.

História do Movimento Olímpico

O Conde de Fontalva

2º Presidente do Comité Olímpico Português

Está por fazer a história do Movimento Olímpico. Desde logo a relativa ao período que decorre entre 1912  e 1924 quando José Pontes foi eleito Presidente do COP em substituição do Com.te Prestes Salgueiro que tinha sido indigitado em 1919 para fazer ressurgir o Movimento Olímpico em Portugal a fim de preparar a equipa portuguesa para participar nos Jogos Olímpicos de 1920 que se realizavam em Antuérpia.

Dos vários assuntos a tratar relativamente a este período está certamente o do Conde de Fontalva (1860-1927). O título de Conde de Fontalva foi criado por decreto de 30 de Janeiro de 1890 do rei D. Carlos I de Portugal a favor de Alfredo Ferreira dos Anjos.

Jayme Mauperrin Santos morreu no ano seguinte a ter sido eleito Presidente do Comité Olímpico Português. E a "Revue Olympique" n.º 97, Janvier 1914, órgão informativo oficial do Comité Olímpico Internacional noticiou:

“Le Comité Olympique portugais a été récemment éprouvé par la mort de son distingué président M. le Dr. Mauperrin Santos. Le Comte de Fontalva a été élu à la présidence à la suite de ce triste événement."

Contudo, o Conde de Fontalva, até esta data, tem sido ignorado pelo COP como tendo sido o  segundo presidente do Comité Olímpico Português.

Quando o Conde de Fontalva foi eleito o segundo presidente do Comité Olímpico Português, já havia pouco a fazer. As disputas políticas e partidárias que assolavam o País, como não podia deixar de ser, tiveram enormes repercussões no mundo do desporto que também se envolveu em lutas intestinas, pelo que acabou por não resistir nem à voragem da República nem, depois, à tragédia que foi a Iª Grande Guerra Mundial (1914-1918). Em consequência, o COP entrou num processo de desagregação interna da qual só viria a recuperar, por intervenção do Governo, já depois da guerra.

Mas afinal quem foi o Conde de Fontalva?

O Prof. João Boaventura enviou-nos uma reportagem publicada na revista “Illustração Portugueza” , III Volume, de 20 de Maio de 1907, que nos transmite uma ideia geral acerca daquele que foi o 2º presidente do Comité Olímpico Português. (ver)  

1906

Casa Real

Portugal: Cem Anos de Olimpismo

Gustavo Pires & Elsa Pereira

 Ao contrário daquilo que a propaganda republicana dizia, D. Carlos I foi um dos monarcas mais inteligentes e capazes do seu tempo, sempre fiel à monarquia constitucional. Foi um governante sério e preocupado com os problemas do País e o bem-estar dos portugueses. Contudo, só a partir dos anos vinte é que os portugueses começaram a alterar a sua opinião relativamente ao monarca. A partir de então, foram publicados vários livros acerca de D. Carlos que frisavam não só as suas qualidades humanas, bem como a sua capacidade política, as suas competências científicas e a sua sensibilidade artística. Mas D. Carlos foi também um desportista de reconhecidos méritos. Ele foi justamente considerado o primeiro “sportsman” português. Ora, parece-nos uma falha de lesa-majestade que este facto da vida do monarca não tenha sido devidamente biografado, tanto mais que o Rei foi o responsável pela introdução do Movimento Olímpico em Portugal. O presente ensaio tem por objectivo desenvolver o currículo desportivo do penúltimo Rei de Portugal, barbaramente assassinado em 1 de Fevereiro de 1908.

Até que apareçam novos dados, a carta de aceitação do cargo de “Encarregado de Negócios em Portugal do Comité Olímpico Internacional”, por indicação de D. Carlos Rei de Portugal, escrita por António Lancastre em 9 de Junho de 1906 a Pierre de Coubertin, constitui um acto formal com a dignidade necessária que estabelece o momento de arranque do Movimento Olímpico em Portugal. Por outro lado, não sendo aquele acto um acto isolado mas a consequência lógica que decorre de uma vida dedicada ao desporto, atribui também a D. Carlos I, 34º Rei de Portugal, independentemente do regime político, o estatuado de patrono do Movimento Olímpico português. Assim se faça justiça.

 

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