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Agôn - Gestão do Desporto

O Jogo de Zeus

Os gregos antigos viajavam longas distâncias não só para consultarem os oráculos, mas também para participarem nas grandes festas dos jogos. Estes, eram o centro da vida numa comunhão virtuosa entre o homem e a sociedade. De um lado, a deusa Paidia geria a algazarra do divertimento que podia ir até ao êxtase da violência selvagem cantada por Homero. Do outro lado, o deus Ludus promovia a ordem e a excelência da “areté”, através do polissémico conceito de “agôn”.
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Em 1887, Pierre de Coubertin (1863-1937) lançou ao mundo a ideia de voltar a organizar os Jogos Olímpicos. A partir de então, o Movimento Olímpico moderno assumiu a divisa latina “citius”, “altius”, “fortius”, temperada com o mote “o importante é participar”. Depois, desde que em 1960 a televisão entrou realmente nos Jogos Olímpicos, o desporto transformou-se na actividade de maior magia à escala do Planeta.
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Vivemos na sociedade do conhecimento. Saber onde o desporto está, de onde vem e para onde deve caminhar é de fundamental importância na medida em que o jogo volta a ser a questão central da vida de muitos milhões de pessoas por esse mundo fora.

 

Da autoria de Gustavo Pires foi editado pela Porto Editora o livro que se divulga.

Estrutura

1 “Agôn”
2 Modelo
3 Caos e o Ambiente

3.1 Forma
3.2 Conteúdo
3.3 Factores
3.4 Cenários
3.5 Atitudes
3.6 Consequências
3.7 Conclusão

4 Zeus e a Organização

4.1 Conceito
4.2 Metáforas
4.3 Gestão do Trabalho

4.3.1 Mecanismos de Coordenação do Trabalho
4.3.2 Mecanismos de Conjugação do Trabalho
4.3.3 Sistema de Fluxos de Trabalho

4.4 Tipologia das Crises Organizacionais
4.5 Homeostasia

5 Atena e a Tecnologia

5.1 Desporto
5.2 Escolas da Gestão

5.2.1 Perspectiva Clássica
5.2.2 Escola Psicossociológica
5.2.3 Escola Burocrática
5.2.4 Escola Sistémica
5.2.5 Escola Contingencial

5.3 Gestão & Gestores
5.4 Gestão do Desporto

5.4.1 Situação Desportiva
5.4.2 O Desporto em Portugal

6 Héracles e a Cultura

6.1 Filosofia
6.2 Vocação
6.3 Missão
6.4 Comportamento
6.5 Visão
6.6 Estrutura

6.6.1 Partes da Organização
6.6.2 Parâmetros de Concepção
6.6.3 Factores de Contingência
6.6.4 Configurações Estruturais
6.6.5 Organigramas

7 Dionísio e o Desenvolvimento

7.1 Conceito de Desenvolvimento
7.2 Desenvolvimento do Desporto
7.3 Princípios do Desenvolvimento
7.4 Nível Desportivo

8 Apolo e o Planeamento

8.1 A Ilusão do Tempo
8.2 Mudança
8.3 O Futuro Necessário
8.4 Utilidade do Planeamento
8.5 Categorias de Planeamento
8.6 O Planeamento em Processo
8.7 Acontecimentos
8.8 Fazer o Futuro Acontecer
8.9 Estratégia
8.10 Caracterização do Planeamento

8.10.1 Planeamento Estratégico
8.10.2 Planeamento Táctico
8.10.3 Planeamento Operacional

8.11 Sistema de Controlo
8.12 Projecto & Planeamento

9 Hermes e a Gestão de Projectos

9.1 O que é um Projecto?
9.2 Questões Iniciais
9.3 Técnicas de Programação

9.3.1 Redes
9.3.2 Sub-redes
9.3.3 Gantt
9.3.4 Redes

9.4 Identificação do Projecto
9.5 Planeamento do Projecto

9.5.1 Definir o Projecto
9.5.2 Determinar as Actividades e Tarefas
9.5.3 Modelar o Projecto
9.5.4 Ajustar as Condições
9.5.5 Aprovar e Divulgar
9.5.6 Executar
9.5.7 Controlar

9.6 Conclusão

10 Prometeu e a “Areté”

10.1 “Areté”
10.2 Excelência & Gestão do Desporto
10.3 Drucker x Prometeu
10.4 Cultura Agonística
10.5 Crise x Oportunidade
10.6 “Areté”
10.7 O que Fazer com o Desporto?
10.8 Em Busca da Excelência

FOP, 5/3/07

O Valor do Desporto

Política Portuguesa versus Política Inglesa

 Ana Lúcia Leite

Actualmente é frequente ouvir falar em desenvolvimento sustentável. Mas o que será isto no contexto desportivo?

Na Carta Europeia do Desporto (1993), no seu artigo 10º, são relacionados os dois conceitos, o Desporto e o Desenvolvimento Sustentável, contudo as estratégias e as políticas previstas não contemplam de forma clara esta perspectiva, pois apesar de o desporto se começar a mostrar como uma actividade económica importante ainda é tratado de forma marginal, em especial por alguns países da União Europeia.

Como poderemos nós, Portugal, comparar-nos com um Reino Unido ou uma China, quando estes países desenvolvem estratégias e projectos a longo prazo, que incluem o processo de candidatura e organização de Jogos Olímpicos e Jogos Paralímpicos, criam políticas para 20 anos (caso do Reino Unido), aumentam consideravelmente os apoios políticos e o investimento financeiro nos trabalhos de estudo e investigação científica de todas as áreas desportivas intervenientes no processo, desde a gestão de instalações, a selecção e treino de atletas, a preparação psicológica, a prevenção e o tratamento de lesões, entre outras (caso da China na preparação e organização dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008)?

A importância dada ao desporto é justificada pelos estudos económicos sólidos que envolvem as actividades económicas, directas e indirectas, com ele relacionadas, não só a nível do desporto de elite e espectáculo, mas particularmente com o desporto de massas, de lazer ou de recreação (ou outra denominação que lhe queiram dar).

Em Portugal a variedade de termos e conceitos utilizados gera distintas interpretações que impossibilitam e condicionam as políticas actuais do Governo, transmitindo ideias distintas, contraditórias e desajustadas da realidade e que em pouco ou nada contribuem para o desenvolvimento sustentável desportivo português.

Então como poderemos nós fazer crescer e desenvolver o nosso desporto se não temos conceitos uniformes, dados e instrumentos para tomar decisões concretas e sustentadas?

Poderemos socorrer-nos de alguns exemplos europeus e asiáticos que definiram e perceberam o desporto como um bem essencial e um “produto” que pode ser potenciado pelos seus efeitos psicológicos, físicos e mediáticos, e que gera receitas significativas para a economia de um país.

As actuais necessidades das sociedades resultam de algumas mudanças nas teorias económicas mundiais. O desporto não é excepção. Pois todas as alterações verificadas ao nível do desporto sofrem influências económicas, não só na perspectiva monetária, mas também na perspectiva social e cultural.

Estando num período de mudança acelerada e ampla, como o actual, com um alargamento das práticas desportivas, com o aumento de trabalho e com a rigidez das tarefas, vários são os elementos que condicionam a dimensão organizacional do conceito desporto, qualquer que seja o modelo existente. A velocidade (a necessidade de formação constante), a comodidade (dos clientes), as “ondas” etárias, a escolha, os estilos de vida, a tecnologia, a qualidade, o serviço individualizado, o “acrescentar valor” e o “discounting” (ofertas com contrapartidas), são alguns desses elementos.

 Mas também não poderemos esquecer ou descurar os factores de desenvolvimento desportivo, que se referem ao conjunto de meios, actividades ou programas, que combinados de forma equilibrada e estável, contribuem para um efectivo desenvolvimento do desporto. A actividade, a orgânica, a promoção, a informação, as instalações, o financiamento, os recursos humanos a legislação e a gestão são apenas alguns desses factores que convém referir e que facultam dados precisos sobre onde está o desporto e para onde caminha.

Como bem refere a esse respeito Pires (1995) “é necessário controlar o futuro do desporto, sob pena do desporto não vir a ter futuro nenhum”.

Muitas definições existem deste conceito, contudo a que mais abrangente e simples se torna é a do Conselho da Europa (1993), pois Desporto pode ser algo ambíguo, de recreação e lazer, mas também algo de muito concreto e de alto nível. Daí estes conceitos na Europa poderem gerar diferentes perspectivas do que é desporto, da sua importância e do seu papel no desenvolvimento da sociedade e das economias locais. Pois sabe-se que o desporto de forma directa ou indirecta gera receitas importantes para a economia nacional de um país, empregos, ocupação de grupos de risco (no papel preventivo), promoção local e promoção internacional do país.

A definição do Conselho da Europa que considera que

“Desporto significa todo o tipo de actividades físicas que, pela participação esporádica ou organizada, tenha por objectivo expressar ou melhorar a forma física e o bem – estar mental, formar relações sociais ou obter resultados competitivos a todos os níveis.” (Conselho da Europa, Carta Europeia do Desporto, 1993) é suficientemente clara e abrangente.

Em contraponto a esta clarificação conceptual, temos o caso de Portugal em que existem vários conceitos de desporto, distinções claras entre “Actividade Física”, Desporto e Educação Física, que em tudo geram diferentes perspectivas e estratégias de actuação, em nada são concertadas entre si e que acabam por não permitir o alcance dos objectivos pretendidos.

Esta indefinição traduz a discordância de enquadramento de actividades desportivas como os jogos de mesa ou as caminhadas no conceito desporto, tributárias de alguns autores, como o caso de Rodgers (1977), que considerava que no desporto deveriam estar integradas as actividades que envolvessem os quatro elementos seguintes: a actividade física, o propósito recreativo, o elemento competição e uma organização institucional – criando diferentes anéis de enquadramento de actividades.

Em desconformidade com esta indefinição em Portugal temos o caso de Inglaterra que, com base num único conceito de desporto, o do Conselho da Europa, desenvolveu estudos e desenhou políticas de actuação concertadas envolvendo vários ministérios que têm vindo a surtir efeitos, mas que ainda se encontram em fases embrionárias, manifestando sinais claros de sucesso em pequenos pólos de implementação.

No caso de Portugal, antes de mais deveria chegar-se a um consenso de conceitos e adoptar a uma única definição. E porque não, a do Concelho da Europa?

Quais serão as reticências do Governo português e dos “profissionais do desporto” em adoptar um único conceito, com que todos se identifiquem e que todos interpretem da mesma forma, pois assim todos estariam a falar a mesma linguagem e mais facilmente seria possível concertar medidas e estratégias de actuação com o objectivo de desenvolver a prática desportiva (nos seus vários níveis e sectores desportivos).

 Numa perspectiva mais económica e segundo Pires (1993), o desporto é um “produto e um processo gerador de educação, de cultura, de lazer e de economia, no quadro da organização social dos países”.

O desporto tornou-se também um elemento de inclusão e responsabilização social, que se insere nas políticas públicas com cariz vincadamente social.

A política portuguesa apresenta algumas lacunas graves, que nem pelo facto da Constituição da República Portuguesa salvaguardar o Direito ao Desporto (Artigo 79º) são superadas. Isto porque, nomeadamente, as dinâmicas, as estratégias e as políticas são definidas de forma isolada e de improviso, sem se realizarem estudos que quantifiquem o que existe em cada momento e os impactos de cada uma.

Como poderemos então iniciar uma reforma do sistema desportivo quando não existem dados actuais que permitam aferir conclusões concretas, definir novos objectivos quantificáveis, quer a curto prazo quer a longo prazo? E como poderemos nós decidir como actuar, quando não sabemos o que temos, quantos somos, qual o nosso nível, (quando apenas sabemos empiricamente que estamos a “crescer”, isto é, que pensamos que aumentámos o número de praticantes de um determinado sector desportivo)?

Será este o caminho que Portugal deverá tomar?

Ilustremos com um exemplo claro e actual desta falta de programação, o caso Euro 2004 – Campeonato Europeu de Futebol – que tanto sucesso teve em termos mediáticos, mas que tão pouca “riqueza” trouxe ao nosso país. Quais foram os benefícios efectivos que advieram desta organização?

Uma maior despesa pública (essencialmente a nível municipal), resultante da comparticipação do Estado na construção dos vários Estádios, um aumento do turismo (das taxas de ocupação das unidades hoteleiras, por estrangeiros) durante um determinado período pré e pós Euro, um aumento do número e nível de praticantes desportivos (unicamente no futebol ou noutras modalidades também)? Qual o impacto no número de praticantes federados e não federados da modalidade de Futebol após o Euro 2004? Qual o impacto económico para o país, resultante da organização do Euro 2004? Como estão a ser dinamizados os espaços construídos para o Euro?

Estas são algumas questões que na generalidade ainda não têm resposta e a que quase ninguém procurou responder. Todas as dúvidas ficam no ar, portanto, sobre os reais impactos e efeitos económicos e desportivos do Euro 2004.

Por outro lado, é conhecido que o Governo da altura acresceu o Orçamento de Estado (OE) de 2002, para através do Sector da Juventude e do Desporto, atribuir uma verba de 24,5% do OE previsto para este sector, exclusivamente para o Euro 2004, o que correspondeu a cerca de 49 milhões de Euros destinados à construção, remodelação, ampliação e participações em obras de requalificação de instalações de clubes profissionais.

A proposta de OE de 2002 para o desporto foi 28,1 % mais elevada do que em 2001 exclusivamente devido ao Euro. Apesar deste acréscimo o OE para o desporto foi dos mais baixos, correspondendo apenas a 0,4% da despesa total da Administração Central e a 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB), tendo o Euro 2004 provocado um impacto económico muito inferior ao previsto, traduzido pelos 0,08 % de acréscimo do PIB, ou seja, um acréscimo marginal, segundo um relatório do Ministério das Finanças, contrariando categoricamente as perspectivas anunciadas previamente ao país pelos promotores do evento. 

Ora, se as estratégias delineadas forem depois concretizadas e geridas apenas para delas advirem benefícios desportivos e económicos (directos e indirectos) mensuráveis e não rigorosa e adequadamente quantificados, então deveremos temer pelo caminho que possamos estar a tomar. 

Por outro lado, no Programa do XVII Governo Constitucional (2005-2009) no capítulo respeitante ao Desporto o lema foi “Mais e Melhor Desporto” tendo-se projectado os seguintes cinco âmbitos de intervenção:

  • Uma visão de Serviço Público do Desporto: na qual pretende aumentar os índices de prática desportiva, formar na escola e desenvolver o movimento associativo;
  • Generalizar a prática desportiva em segurança: com a revisão do sistema educativo, em especial da disciplina de Educação Física e Desporto Escolar, criar um Programa Nacional de Desporto para Todos, reforças os serviços médico-desportivos e combater a dopagem, a violência e a corrupção no desporto;
  • Modernizar e melhorar a qualidade do desporto português: através de um Programa Nacional Integrado de Infra-estruturas Desportivas, da formação dos Agentes desportivos, da aplicação das novas Tecnologias de Informação e revendo o Estatuto do Mecenato Desportivo;
  • Dimensão Internacional do desporto português: apoiando o desporto de alto rendimento e as selecções nacionais, criar programas de selecção e preparação de jovens talentos, apoiar candidaturas e organização de grandes eventos desportivos, fomentar a cooperação com outros países;
  • Partilha de competências entre a Administração Pública e o Movimento Associativo: esforço comum que garanta a participação, o desenvolvimento, o equilíbrio, a transparência, a missão e os objectivos de cada organismo (Conselho Superior do Desporto, Comité Olímpico de Portugal-“COP”, Confederações do Desporto, Federações, etc.). Nesta lógica de actuação um dos eixos chave de actuação do Governo é (reproduzindo o seu Programa);
  • “Melhorar a qualidade de vida dos portugueses num quadro sustentável de desenvolvimento, onde a qualidade ambiental, a defesa dos consumidores e a melhoria dos indicadores de bem estar sejam uma realidade e onde a coesão territorial seja, ela também, um factor de progresso do País”.

A questão decisiva que se pode levantar é que algumas destas medidas não passam de boas intenções, pois as realidades/necessidades do dia a dia mostram uma realidade bem diferente, em que muitas das tomadas de decisão são essencialmente “medidas” improvisadas que não estão de acordo com uma política integrada de desenvolvimento, de que todos falam mas que não existe, pois cada um dos principais actores, ainda continua usando um destes dois velhos ditados portugueses, “a puxar o rabo à sua sardinha” e a “gabar a galinha da vizinha, pois ela é melhor que a minha”.

Actualmente a intervenção do Estado, na promoção do desporto, resume-se essencialmente ao nível municipal, o que tem suscitado o aparecimento de algumas externalidades negativas, pois pode-se entrar em concorrência directa com os clubes. Apesar de cada vez mais ser necessária a intervenção governamental para regular (Instituto do Desporto de Portugal - IDP) e financiar (Federações Desportivas de Modalidade) o sistema desportivo português. Essas externalidades surgem quando o poder político procura desempenhar o seu papel de provedor, mediante a “oferta” de programas municipais de actividades desportivas para gerontes ou para crianças (férias desportivas, escolas municipais), oferecendo um serviço desportivo a preço reduzido/social ou mesmo gratuito, de forma a promover a prática de actividade regular e de promover a saúde.

Estas actividades e os eventos desportivos deveriam ter outro papel. O de criar valor, não só para a entidade onde são desenvolvidos, como para o contexto onde se encontram inseridos, a nível local e nacional. Transformá-los, por conseguinte, em investimentos, quando integrados em programas concretos educativos, de gestão ambiental, de gestão de instalações, de turismo local, etc.

Segundo Correia e Pires (2006), um evento só por si de pouco vale e muitas vezes de pouco serve a não ser para – se desconsideradas aquelas componentes – desviar verbas públicas das verdadeiras finalidades de interesse público. Ainda segundo os mesmos autores, quando nos reportamos a países com taxas de participação desportivas muito baixas – como é o caso de Portugal – e com níveis de pobreza muito elevados este tipo de questões ainda se colocam com mais premência e acuidade. 

Com este cenário, torna-se cada vez mais necessário, olhar e analisar outras realidades e exemplos europeus, como o caso do Reino Unido, que para além de apresentar políticas e programas de acção efectivos, tem uma entidade reguladora pública independente, o UKSport, que é responsável pela estratégia, financiamento, gestão e avaliação do desporto de competição, ao contrário do que se passa em Portugal, onde essas tarefas se encontram distribuídas por diferentes organismos, como o IDP, o COP – sendo que este último não deveria ter qualquer acção desse teor, pois não é esse o seu estatuto e objectivos de criação.

Assim, e tomando o exemplo do Reino Unido muito há a fazer. Contudo, Portugal já apresenta algumas semelhanças e acções comuns, mas desconcertadas das estruturas e dos patamares desejados.

No caso do Reino Unido já existem inúmeras acções concretas que resultam da participação dos vários agentes e da filosofia de trabalho que favorece as parcerias e o apoio directo a essas parcerias e não a entidades ou organizações isoladas, o que potencia o aproveitamento dos recursos públicos e privados, envolvendo todos no processo de desenvolvimento desportivo.

Um dos objectivos estratégicos do Reino Unido é o de aumentar os índices de participação do desporto de base. Para isso prepararam um plano estratégico que operacionalizado ao longo de um horizonte temporal alargado (até 2020) permitisse alcançar resultados palpáveis e realistas.

O “Plano Estratégico para o Desenvolvimento do Desporto no Reino Unido” foi apresentado em 2004 – “The Framework for Sport in England – Making England an Active and Successful Sporting Nation: a Vision for 2020” –, resultado de um estudo nacional prévio que envolveu toda a tipologia de agentes do sistema desportivo inglês, numa dinâmica de cooperação, informação. Esses parceiros/agentes/actores, directamente ligados ao desporto, e os serviços de saúde, de educação, da comunidade e do desenvolvimento económico criaram um modelo que vê o desporto como um processo e não apenas como um produto ou um fim.

A principal estratégia deste modelo foi o “envolvimento” que permitiu “criar valor no desporto”, não só o valor da inclusão social, mas também o valor resultante do aproveitamento dos recursos (humanos, económicos, estruturais/ físicos, etc.) e do carácter multidimensional do desporto.

Prova deste “envolvimento” é a forma como o governo dá a conhecer os seus projectos, através de publicações (“Best Value through Sport – The Value of Sport” de 1999 e “The Framework for Sport in England” de 2004), nos quais se expõem os processos, quantificam investimentos e os retornos financeiros de cada acção, se quantifica o trabalho de voluntariado, se analisa o valor económico, ambiental e social do desporto e ainda a sua importância global e internacional.

Actualmente, verificamos que algumas das medidas adoptadas pelo governo inglês, também já se encontram contempladas nas intenções do actual governo português, como são, respectivamente, o caso do eixo principal de actuação “de melhorar a qualidade de vida dos portugueses num quadro sustentável de desenvolvimento”, o de criar um “Programa Nacional de Desporto para Todos”, e os cinco âmbitos de intervenção previstos e acima referenciados.

Mas em Portugal não existem estratégias, nem planeamento de quando e como vão ser operacionalizadas todas estas intenções, contrariamente ao que se processa no Reino Unido. 

Vários foram os projectos no Reino Unido que já deram frutos desenvolvidos em áreas problemáticas, ou seja pequenos pólos que estão a servir de exemplo e controlo das medidas e das estratégias adoptadas, como é o caso do Programa “Sport Vocational Program”, que tem o objectivo de prevenir a criminalidade, através da introdução de actividades desportivas e de lazer junto dos jovens de contextos sociais problemáticos.

Este programa consiste na criação de actividades de desenho e desporto para ocupar jovens identificados com práticas criminosas, financiado pelas autarquias, e que revelou resultados positivos, uma vez que após um ano de acção conseguiu reintegrar na sociedade jovens que actualmente desenvolvem funções activas e positivas na sua comunidade e no programa.

Surgiu assim o conceito de “Valor Social do Desporto”, que é cada vez mais claro e importante para as políticas comunitárias. O desporto deixou de ser um produto para passar a ser um processo que mais facilmente envolve e motiva os cidadãos para uma determinada problemática comunitária e social.

Os valores da participação desportiva em Portugal e no Reino Unido demonstram qual o nível de importância que o desporto assume para as pessoas destes dois países. Estes índices de participação são uma expressão tangível do valor que os cidadãos e as autoridades governamentais atribuem ao desporto.

O historial desportivo inglês é muito mais extenso e rico que o português, apresentando à partida melhores condições, nomeadamente: maior rede de instalações desportivas escolares e comunitárias, campos de jogos, parques e outros espaços para a expressão motora e a diversão desportiva.

O Reino Unido já deu um salto importante no desenvolvimento do desporto, como mostram os números dos seus variadíssimos estudos, as expectativas e os objectivos que pretendem atingir até 2020 – passar dos actuais 30 para cerca de 70 % da população a praticar desporto habitualmente cerca de 30 minutos diários –, objectivos que são passíveis de ser possível alcançar, no prazo que estipularam, através das políticas definidas e também da prevista organização de grandes eventos.

Mas o Reino Unido apresenta uma outra mais valia, o trabalho voluntário no desporto, que é estimado que represente o triplo do número de trabalhadores pagos nessas actividades relacionadas com o desporto. Esses voluntários são a espinha dorsal do respectivo movimento desportivo (tal como em Portugal, onde ainda muitos “carolas” resistem e suportam os clubes e as associações). Contudo, em Portugal não se sabe o valor total anual do mercado de voluntariado desportivo, que se estimava no Reino Unido ser equivalente a cerca de £1500 milhões (valores de 1995).

Como meio de reconhecimento da importância destes voluntários, a Sport England, que é a agência governamental responsável por aconselhar, investir e promover o desporto comunitário no Reino Unido, desenvolveu iniciativas tais como o “Programa de Investimento no Voluntário – VIP” e o “Running Sport” onde estes voluntários recebem formação, desenvolvem as suas competências e são reconhecidos pelo seu trabalho.

O desporto, como já foi referido anteriormente, tem uma acção multidimensional, que foi adequada e amplamente explorada pelo governo inglês quando da criação de programas desportivos de inserção e inclusão social, como o caso do “Sport Vocational Program de Westminster” ou o “Programa de Aconselhamento Desportivo de Hampshire e West Yorkshire”, que são apenas alguns exemplos de boas práticas que Portugal poderia adoptar.

A área da saúde não poderia deixar de ser integrada nestas orientações estratégicas, pois provas de que actividade física e o desporto aumentam os níveis de saúde e qualidade de vida, são mais que muitas. Exemplos do Reino Unido dessa salutar relação são vários. De referir o “Programa de Desenvolvimento Desportivo e Cooperação Médica de Lewisham”, que envolveu os médicos de clínica geral e os “Centros de Actividades Desportivas e de Lazer Locais”, para onde os pacientes são encaminhados para realizar programas de actividade física adequadamente orientados.

A Escola também tem um papel muito activo a desempenhar na efectiva promoção do desporto. Mas quando as políticas visam reduzir o tempo de prática no contexto escolar, como fazer?

Este é o local onde os jovens entram em contacto com a maior variedade de actividades desportivas, onde experimentam pela primeira vez as emoções de uma determinada prática e de onde são captados para os clubes. Tanto no Reino Unido como em Portugal este panorama é semelhante e a preocupação com a redução dos tempos de Educação Física é real. Contudo, através de mais um programa, o “Escola Activa”, a Sport England está a desenvolver a oferta desportiva a nível de escola (no contexto da Educação Física), e está também a criar “Escolas Superiores Desportivas Especializadas” em colaboração com o Ministério para a Educação e Emprego, que visam a obtenção conjugada de resultados desportivos e educativos, aliando os sucesso escolar e as competências desportivas dos jovens estudantes.

Os vários e distintos projectos que estão a ser desenvolvidos actualmente no Reino Unido, a nível local, todos apresentam a base comum da necessidade da renovação comunitária, que visa melhorar os aspectos sociais, económicos e ambientais de uma determinada zona ou local – articulando essa intervenção local com os objectivos de todas as políticas públicas desportivas nacionais.

O benefício dos investimentos no desporto que tem sido devidamente estudado e medido tem revelado que este provoca algum impacto económico nas comunidades, não só pela redução dos custos de saúde, mas também pelo aumento da denominada “despesa de consumo desportivo”.

A Sport England, que promove todas estas políticas, programas e projectos, também trabalha com os Ministério do Ambiente, dos Transportes e das Regiões no planeamento e consecução do “quadro de desenvolvimento desportivo local” que incorpora preocupações de conservação e sustentabilidade ambientais, dando assim a necessária tradução no desporto das actuais “políticas de desenvolvimento sustentável”.

Os programas “Escola Activa”, “Comunidade Activa” e “Desporto Activo”, são exemplos de “boas práticas” que Portugal deveria analisar e considerar adoptar, investindo significativamente no desporto de forma concertada e séria, criando “valor económico, social, cultural e ambiental”.

Conclusões

Em Portugal o investimento médio no desporto realizado pelas autarquias locais ronda os 6% de cada orçamento global camarário.

O Reino Unido espera obter da realização dos Jogos Olímpicos de 2012 uma “taxa de rentabilidade do investimento” de 6 %, que equivale a 2 biliões de £.

Dois exemplos tão distintos e tão elucidativos que evidenciam as diferenças sociais e o nível desportivo de cada país.

Na realização do Euro 2004 em Portugal verificaram-se várias falhas no planeamento, programação e execução do projecto, revelado expressivamente no baixo retorno económico que dele adveio. 

A medição dos efeitos das políticas dos eventos é cada vez mais um factor importante para as tomadas de decisão. Quando não queremos ou não conseguimos prever o retorno de um determinado projecto deveremos arriscar a sua organização?

Portugal não terá realizado uma correcta medição como provaram os resultados anunciados antes do evento e os resultados obtidos após o evento do Euro 2004.

Verificamos no Reino Unido que para cada projecto existe uma avaliação do seu impacto (o seu ciclo de medição compreende: “custos do evento + momento zero + benefícios do evento”), e existem estudos que suportam cada medida anunciada e cada estratégia adoptada.

Numa perspectiva de comparação entre os dois países pode-se compreender, pelo quadro seguinte, onde são apresentados alguns elementos económicos relevantes, qual o enquadramento das opções de política desportiva de ambos os países:

                                                                                 

Quadro n.º1 – Elementos Económicos de Portugal e do Reino Unido (2005)

 

Parâmetros / Países

Portugal

Reino Unido

Produto Interno Bruto/capita

$19.000

$30.100
Inflação

2,3 %

2,1 %

Taxa de desemprego

7,6 %

4,7 %

Salário Médio

645 €

2 723 €

Limiar da Pobreza

387 €

1 634 €

Taxa de Participação Desportiva
22%**

21% *

 

* Active People Survey (2006).

** Hábitos Desportivos da População Portuguesa (2001).

Ao comparar estes dados constatamos algumas diferenças significativas entre os dois países. Realçando desde logo os salários médios e o PIB/capita, verificamos que os portugueses têm um poder de compra médio menos de um sexto dos ingleses e um rendimento por pessoa de dois terços dos ingleses.

Relativamente ao último critério desta comparação, a “Taxa de Participação Desportiva”, verificamos uma semelhança de resultados, mas não podemos esquecer que o contexto dos estudos e as metodologias são distintas, bem como os intervalos etários considerados, o que reduz a comparabilidade deste indicador.

O Governo inglês apresenta, como acima constatámos inequivocamente, um conjunto diversificado e estrategicamente orientado de políticas de apoio às comunidades e ao desenvolvimento da actividade física em que uma grande parte dos utentes/praticantes não pagam a utilização dos espaços desportivos, de acordo com as faixas etárias (idosos e crianças).

Em Portugal todas as actividades de prática desportiva são normalmente pagas, à excepção das integradas em alguns programas municipais.

Esta comparação é necessária, uma vez que diferentes rendimentos conduzem a diferentes distribuições e a distintas economias desportivas e os custos são um importante factor de influência na generalização da prática desportiva.

Todavia, sabe-se que novas orientações da União Europeia (UE) poderão surgir com a publicação do “Livro Branco do Desporto (2007)”, o qual se espera que venha a definir uma “nova política desportiva europeia”. Por isso mesmo, Portugal deverá iniciar o quanto antes uma reflexão profunda sobre a sua “situação desportiva” actual, definindo os seus caminhos, os objectivos estratégicos (ou seja, “para onde deseja ir…”), e realizando os estudos quantitativos que possibilitem a concepção de políticas integradas e agregadoras dos sectores desportivos, que incluam a definição de objectivos claros e razoáveis para a realidade portuguesa.

Bibliografia:

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  • Macedo, S. (2005), Newsletter n.º8, – “Sport Benchmarking News”, CIDD – Centro para a Inovação e Desenvolvimento do Desporto.
  • Marivoet, S. (1998), “Aspectos sociológicos do Desporto”. Lisboa, Livros Horizonte.
  • Marivoet, S. (2001), “Hábitos Desportivos da População Portuguesa: estudo da procura da prática desportiva”. Lisboa, INFED / MJD.
  • Pires, G. (1993), “Autarquias e Planeamento Democrático”, Revista Horizonte, Vol. X, n.º 56, Julho-Agosto, pp.63-73.
  • Pires, G. (1995), “Desporto – Planeamento e Gestão de Projectos ”, Edição FMH – Faculdade de Motricidade Humana, Serviço de Edições, Lisboa.
  • Programa do XVII Governo Constitucional (2005-2009).
  • Rodgers, B. (1977),  Rationalisation des Choix en matière de Politique Sportive Le Sport dans son Contexte Social Comparaisons Internationales, Strasbourg, Conseil de l'Europe, Comité du Sport.
  • Sousa, G. (2005), Newsletter n.º5, – “Sport Benchmarking News”, CIDD – Centro para a Inovação e Desenvolvimento do Desporto.
  • SportEngland (1999), “Best Value through sport – The value of Sport”, SportEngland.

Abril de 2007

Pavilhão Carlos Lopes

Pavilhão Carlos LopesA Cultura Inculta

Gustavo Pires

 

Tal como os gregos antigos, que pela mais profunda das carências criavam os seus deuses para poderem sobreviver num mundo cheio de dificuldade, também na sociedade moderna o Homem tem necessidade de possuir os seus ídolos a fim de melhor suportar as agruras e os sofrimentos da vida. E em reconhecimento, o Homem moderno presta-lhes louvores e oferece-lhes dádivas que lhes hão-de perpetuar o nome para todo o sempre.

Carlos Lopes entre muitos outros, é bem o exemplo daqueles que por feitos valorosos superaram a mediania da mediocridade que comanda a vida das massas anónimas, para se alcandorar aos píncaros da glória e da fama e, desta maneira, como dizia o poeta, da lei da morte se libertar. E, em reconhecimento, os lisboetas atribuíram o seu nome ao mais digno e nobre pavilhão de desportos da sua cidade.

O Pavilhão foi projectado para albergar a representação portuguesa na Exposição Internacional do Rio de Janeiro realizada em 1922 por ocasião das comemorações da independência do Brasil. Finda a exposição, foi desmontado e trazido novamente para Portugal a fim de ser reconstruído no Parque Eduardo VII, obra concluída em 1929.

A partir de 1947 com a realização do campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, o Pavilhão que até então era de exposições ganhou um estatuto desportivo ficando a ser conhecido com o Pavilhão dos Desportos. Enquanto tal, passou a fazer parte das memórias mais queridas de muitos desportistas não só nacionais como estrangeiros.

Encerrado para obras, pomposamente anunciadas em 2001, passados que estão sete anos, quem se der ao trabalho de passar pelo Parque Eduardo VII, pode verificar o estado de degradação e desleixo a que deixaram chegar uma das “jóias da coroa” do desporto nacional, ao ponto das suas áreas envolventes estarem transformadas num local pouco recomendado.

Entretanto, eis que a comunicação social anuncia a solução das soluções para mais este drama do desleixo nacional. E a solução passa por um protocolo com o Comité Olímpico da Rússia com vista a dotar Lisboa com uma infra-estrutura que possibilite a realização de desportos sobre o gelo, que é o que os lisboetas em matéria de prática desportiva mais precisam! Para o efeito, até já está prevista a realização de um grande evento desportivo aquando da visita do presidente russo a Portugal. Desconhecemos se com esta ideia brilhante se pretende também alterar o nome do Pavilhão Carlos Lopes para o de Vladimir Putin, Leónidas Brejenev ou até mesmo, porque não, Grigori Rasputin. Ou, já agora, porque falecido recentemente, Boris Ieltsin.

Há gente no nosso nacional desportivismo que por um pouco de protagonismo na comunicação social, está disposta a vender a alma ao Diabo. No relativismo em que transformaram as decisões em matéria de política desportiva, acabam por destruir a alma do próprio desporto. Incultos e retrógrados não são capazes de perceber que não se ama o desporto por ele ser bom. O desporto é bom porque o amamos.

O desporto nacional está a ser gerido por demasiadas pessoas que não o amam. Acreditamos que gostem do protagonismo, das gratificações, das viagens, do poder e das mordomias que o desporto lhes proporciona, contudo, não gostam de desporto porque, senão, entre muitas outras situações, não deixavam chegar o Pavilhão Carlos Lopes ao estado em que se encontra.

Será que o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa perdeu a capacidade de avaliar e, em consequência, a sua humanidade ao ponto de não perceber que o Pavilhão Carlos Lopes não pode ser congelado numa pista de gelo?

26/04/07 

Jogos Olímpicos

Lisboa 2020

Lisboa 2020

Felizmente, de vez em quando surgem notícias de bom-senso entre os dirigentes portugueses.
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O presidente da Câmara Municipal de Lisboa afirmou à Lusa (24/10/07) que Lisboa não vai candidatar-se à organização dos Jogos Olímpicos.
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A candidatura à organização aos Jogos Olímpicos é algo que a Câmara Municipal de Lisboa "nem sequer está a equacionar", disse António Costa, ao terminar uma visita de três dias a Beijing.
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“A candidatura aos Jogos Olímpicos não é de todo em todo tema de reflexão”,
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disse António Costa depois de ter visitado na capital chinesa as infra-estruturas e equipamentos que vão ser o palco da organização dos Jogos da Olimpíada de Beijing que se inicia no dia 1 de Janeiro de 2008. Os Jogos iniciar-se-ão a 8 de Agosto de 2008.
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António Costa disse ainda que uma candidatura lisboeta aos Jogos Olímpicos,
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“É algo que não está em cima da mesa”,
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“Mas o futuro é muito longo”,
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acrescentou o presidente da autarquia lisboeta. E complicado acrescentamos nós.

Comité Olímpico Internacional

Reunião da Comissão Executiva

Berlim, 13, 14 de Agosto de 2009

A Comissão Executiva (CE) do Comité Olímpico Internacional (COI) aprovou a inclusão do boxe feminino para o programa dos Jogos em Londres em 2012.

Por proposta das respectivas Federações Internacionais, foram ainda introduzidas algumas alterações no programa de canoagem, pentatlo moderno e andebol.

A inclusão de uma prova de pares mistos no ténis é uma decisão que ficou para ser tomada de acordo com as garantias da Federação Internacional, na próxima reunião da Comissão Executiva que acontecerá em Dezembro.

Foram analisadas as propostas de inclusão no programa olímpico de sete modalidades desportivas. A saber: basebol, golfe, karaté, patins em linha, rugby, softball e squash.

A Comissão Executiva irá propor à 121ª sessão do plenário do COI, a acontecer a 2 de Outubro de 2009 em Copenhaga, a inclusão do golfe e do rugby no programa dos Jogos de 2016.

Os aspectos-chave que determinam a inclusão de uma modalidade desportiva no programa olímpico são os seguintes: Capacidade de apelar à participação dos mais jovens; Universalidade; Popularidade; Boa gestão; Respeito pelos atletas; Respeito pelos valores olímpicos.

 

Jacques Rogge

Jacques Rogge foi Reeleito

 Jacques Rogge, 67, nasceu em Ghent na Bélgica e é cirurgião ortopédico.
Tem uma longa e variada experiência no Movimento Olímpico. Participou na modalidade de vela nos Jogos Olímpicos do México (1968), de Munique (1972) e de Montreal (1976). Também foi membro da equipa de rugby nacional belga. Foi presidente do Comité Olímpico da Bélgica de 1989-1992 e presidente dos Comité Olímpico Europeu em 1989. É membro do COI desde 1991 e membro da Comissão Executiva desde 1998. Foi eleito pela primeira vez presidente do Comité Olímpico Internacional (COI) na 112 ª sessão realizada em Moscovo no ano de 2001. Substituiu o catalão António Samaranch. É o oitavo presidente do COI.
Agora, na 121ª sessão do COI realizada em Copenhaga,  Jacques Rogge foi reeleito para mais um mandato. E disse aos seus colegas:
“Temos muito que fazer”.

Educação Olímpica no Rio de Janeiro

otavio_tavares.jpgNotas Iniciais para o Desenvolvimento de um Modelo

Otávio Tavares
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A educação é, historicamente falando, um dos pilares fundamentais do Movimento Olímpico. Faz parte de sua missão desde o tempo de seus fundadores, tendo ocupado lugar central nas preocupações de Pierre de Coubertin, seu principal ideólogo e formulador. Ainda que possa, e tenha sido efetivamente sujeita a intenso debate a respeito de suas características e de sua efetividade, a missão educacional deste Movimento permanece como fundamento e justificativa da realização dos Jogos Olímpicos, ocupando lugar permanente no discurso do Comitê Olímpico Internacional especialmente.
Otávio Tavares de nacionalidade brasileira é hoje uma referência no ambito dos estudos olímpicos não só no espaço dos países de língua portuguesa como até a nível internacional. Actualmente é Coordenador do Centro de Estudos em Sociologia das Práticas Corporais e Estudos Olímpicos da Universidade Federal do Espírito Santo (CESPCEO/UFES).

ONU & COI

bola de plástico

Desporto & Desenvolvimento Humano

O Secretário-geral das Nações Unidas Ban Ki-moon no discurso que proferiu na abertura do XIII Congresso Olímpico realizado de 3 a 5 de Outubro de 2009 em Copenhaga, disse:

“o desporto pode ser visto em qualquer parte do mundo. Viajei por países repletos de pobreza. Por comunidades em luta pela sobrevivência. Por lugares devastados pela guerra, onde toda a esperança parecia perdida. De repente, aparecia uma bola feita de sacos plásticos ou de jornais atados com um cordel. E víamos o desporto dar vida aos sonhos e às esperanças.”

E os 1.200 delegados presentes tiveram a oportunidade de perceber a força que o desporto pode ter quando Ban Ki-moon lhes mostrou a referida bola artesanal feita de sacos velhos de plástico atados com um cordel.

Os donos da bola eram crianças pobres dos bairros de Nairobi.

Aquela bola artesanal tinha sido substituída por bolas e equipamentos desportivos de qualidade, oferecidos pela ONU.

Depois de ter sido assinada por Rogge e Ban Ki-moon a bola foi levada para o Dubai, onde foi leiloada num evento de beneficência organizado pela princesa Haya Al Hussein. Acabou por ser vendida por 205 mil dólares que vão suportar programas de desenvolvimento do desporto para crianças e jovens na Palestina.

O novo dono da bola devolveu-a a fim de ser colocada no Museu Olímpico de Lausanne.

 

Invictus

Desporto & Política

Aqueles que insistem em afirmar que o desporto nada tem a ver com a política aí está o livro de John Carlin intitulado na tradução portuguesa "Invictus" da “Editorial Presença” . O filme baseado na obra já está em várias salas de cinema do país.
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O título da versão inglesa é Playing the Enemy – “Nelson Mandela and the Game that Made a Nation”.
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Na realidade, dizer que o desporto nada tem a ver com a política, perspectiva cunhada por Avery Brundage (1887-1975), que exerceu a liderança do Comité Olímpico Internacional (COI) de 1952 a 1972, provocou ao longo dos últimos sessenta anos não só enormes prejuízos ao desporto como à própria política naquilo a que esta tem de mais nobre.
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Recomendamos a leitura do livro em questão não só pela compreensão daquilo que o desporto pode desempenhar na construção da identidade nacional, como pelo extraordinário exemplo de Nelson Mandela um dos grandes líderes mundiais de todos os tempos.

Estudos Olímpicos - Simpósio - Maputo 2010

Steinhilber

Países de Língua Portuguesa

No âmbito dos trabalhos do XIII Congresso de Ciências do Desporto e Educação Física dos Países de Língua Portuguesa realizou-se um simpósio no domínio dos Estudos Olímpicos. Este simposio ficou-se a dever ao entusiasmo do Prof. Alberto Reppold da Universidade  do Rio Grande do Sul - Brasil que liderou o processo e ao empenho do Prof. António Prista da Universidade Pedagógica - Moçambique que foi o responsável pela realização do Congresso.

Das várias intervenções que vamos passar a divulgar, destacamos a do Prof Jorge Steinhilber que agora com a devida vénia passamos a apresentar.

No Brasil tivemos um grande avanço a partir da promulgação da Constituição de 1998 que estabelece a prática esportiva como direito de cada cidadão. Art. 217 “É dever do estado fomentar práticas desportivas formais e não formais como direito de cada um... Identifico que no Brasil tivemos um grande avanço a partir da promulgação da Constituição de 1998 que estabelece a prática esportiva como direito de cada cidadão. Art. 217 “É dever do estado fomentar práticas desportivas formais e não formais como direito de cada um...

Desde que me envolvi com a AOB tenho me deparado com algumas interrogações e incongruências.

Os discursos, os estudos, os artigos, teses, livros e outros abordam a questão dos valores do esporte, do olimpismo, do esporte como fator de educação acompanhando a proposta de Barão de Coubertin, mas e a prática, e as ações e no concreto?

 

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