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O Espírito de Evangelis Zapas

O Espírito de Evangelis Zappas

Paira sobre o Movimento Olímpico

Se a origem dos Jogos Olímpicos da Grécia antiga está ligada a muitas lendas e mitos, a dos da era moderna não o está menos. Desde logo, pelo nome dos protagonistas responsáveis pela sua institucionalização.

Entre as várias lendas e mitos está precisamente a do monopólio atribuído a Pierre de Coubertin.

De facto, os créditos deviam pertencer também ao médico britânico William Penny Brookes (1809-1895) de Much Wenlock no Shropshire e, sobretudo, ao grego Evangelis Zappas (1800-1865) (na foto).

Londres 2012

Big BenCustos, Legados & Política Desportiva

 
A candidatura à realização de uns Jogos Olímpicos é uma questão muito séria. Foi esta a ideia das palavras de Jacques Rogge presidente do Comité Olímpico Internacional (COI) ao rejeitar a possibilidade de se proceder a uma rotação continental da realização dos Jogos Olímpicos (1), prática esta já assumida pela Federação Internacional de Futebol no que se refere ao Campeonato do Mundo.
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Neste domínio, o COI, felizmente, “não brinca em serviço”, pelo que actualmente pelos exigentes cadernos de encargos bem como pelos apertados sistemas de controlo, toda e qualquer "aventura olímpica" está pura e simplesmente condenada ao fracasso.
Para alé do mais, depois da experiência de Atenas o COI dificilmente embarcará em projectos que lhe possam causar a mínima “dor de cabeça”.
Hoje, estamos convictos que foi precisamente para evitar toda e qualquer dor de cabeça, que o COI preteriu Paris em favor de Londres na dramática escolha final da cidade que organizaria os Jogos de 2012.

Manuel Sérgio - Algumas Teses Sobre Desporto

Algumas Teses Sobre Desporto

O Desastre do Olimpismo

Prefácio de Francisco Louçã  (ISEG-UTL)
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Algumas Teses Sobre o Desporto, de Manuel Sérgio. É um livro surpreendente. Lê-se de um fôlego. Embora não lhe faltem facetas surpreendentes e contornos inesperados: a sua unidade é enunciada entre tempos diferentes e reflexões que surpreenderão. Mas existe unidade: um pensamento crítico acerca do desporto. Das suas normas e arquétipos – e é esse nível de reflexão que levará o leitor a deixar-se convidar para o debate que o livro lhe coloca no colo.
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É, portanto, um livro necessário. Porque se esvaem agora os louros de Sydney, mas fica sempre a religiosidade semanal dos estádios de futebol, ou a mediatização extremada ao populismo da vida e dos feitos dos ídolos desportivos. Tal é a rotina: ao ponto em que nos surpreendemos quando um qualquer momentâneo personagem do Big Brother ganha as luzes da ribalta. Sem nos perguntarmos como é que os deuses do desporto. Ou os seus arcanjos. Já lá moram há tanto tempo, em tudo parecidos na cultura, na comunicação, nas suas vidas e nas suas representações.

Relatório sobre as Finanças do Futebol Europeu da Deloitte

“Annual Review of Football Finance”

Os clubes da Premiership inglesa mantêm-se como os mais bem sucedidos comercialmente do mundo, embora os gastos totais em salários tenham decrescido pela primeira vez na história da Liga, de acordo com o último “Annual Review of Football Finance” (Relatório Anual das Finanças do Futebol) da Deloitte.
O Relatório, que fornece uma síntese das finanças de todos os maiores clubes e Ligas Europeias e que acaba de ser publicado, revela que os 20 clubes de topo da Premiership inglesa geraram 1.3 biliões de libras de receitas durante a época 2004/2005.
Dan Jones, partner no Sports Business Group da Deloitte, referiu: “Ao longo da última década, constatámos que os salários na Premiership aumentaram em média de 20% em cada época. A redução de 3% nos custos totais salariais dos clubes da Premiership, baseada nos últimos números disponíveis, fornece um profundo contraste.
“ A nossa última análise sustenta também a melhoria do equilíbrio entre custos e receitas, não apenas em Inglaterra, mas também em toda a Europa. A necessidade de “salvar os clubes deles próprios” com um tecto salarial (“salary cap”) aparece agora como menos importante do que era há cinco anos atrás”.
O Relatório também sublinha a predominância da Premiership sobre as suas rivais e o facto de “os clubes da Premiership beneficiarem de uma maior amplitude de receitas por diferentes fontes e diferentes clubes, e de uma maior rentabilidade do que os seus rivais Europeus”.
As principais conclusões do Relatório incluem:
1. As “cinco grandes” Ligas Europeias geraram 54% do total de 8.7 biliões de libras do mercado Europeu do futebol. Estas são as ligas de topo em Inglaterra (1.3 biliões), Itália (0.9 biliões), Alemanha (0.8 biliões), Espanha (0.7 biliões e França (0.5 biliões).
2. Os clubes na Alemanha com 17% e na Itália com 16% tiveram as mais elevadas taxas de crescimento das receitas na época de 2004/2005, comparada com o 1% de aumento da Premiership em Inglaterra.
3. Tal como na Premiership em Inglaterra, os clubes em Itália com um decréscimo de 2% e na França com um decréscimo de 3% alcançaram uma diminuição nos seus custos salariais totais na época de 2004/2005. Em todas as “cinco grandes” Ligas, o rácio de custos sobre receitas continua a tendência de melhoria dos anos recentes.
4. Os clubes ingleses são os mais lucrativos na Europa, seguidos dos alemães. Na época de 2004/2005 um recorde de 14 clubes alcançou lucros antes de impostos.
5. O rendimento gerado pelos clubes da Taça dos Campeões Europeus que foi de 306 milhões de libras situa-a como a sexta maior Liga Europeia, logo atrás das “cinco grandes”, com uma impressiva vantagem de 134 milhões de libras sobre a subsequente maior Liga Europeia que é a da Série B Italiana.
(Adaptado de Sport Business News).  

Teoria da Conspiração

Os Jogos da Lusofonia na Geoestratégia da China

Gustavo Pires
José Pinto Correia

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A primeira edição dos Jogos da Lusofonia decorreu na Região Administrativa Especial de Macau entre 7 e 15 de Outubro de 2006, segundo os seus promotores, com o objectivo de celebrarem “o espaço da lusofonia como comunidade de afinidades construídas em redor de uma mesma língua”. No entanto, a realidade diz-nos que a institucionalização dos Jogos da Lusofonia e a sua recente realização em Macau, que é hoje parte integrante da soberania chinesa, mais não é do que um muito útil e adequado instrumento ao serviço de uma estratégia geoeconómica e geopolítica consistente e proactiva de afirmação da China no continente africano, e muito especialmente em Angola e Moçambique, pelo que para atingir esse desiderato acabou de fazer naquela edição dos Jogos um investimento de 160 milhões de patacas ou seja cerca de 16 milhões de euros na realização de um evento desportivo caracterizado pelas mais estranhas contradições. Contradições que desde logo podem ter expressão na resposta às seguintes perguntas: Qual o interesse da China em potenciar na época actual a ideia da lusofonia no mundo quando o mais natural seria fazer esquecer os 440 anos da presença colonial portuguesa? Que razões poderiam estar subjacentes a essa benevolência chinesa quando são conhecidos, em simultâneo, os modos e as formas de afirmação externa da China na cena política e económica internacional?
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É pelo menos estranho este desejo gracioso, sobretudo se tivermos em conta que a língua portuguesa, expressão mais lídima do património cultural português no mundo, é o que menos interessa aos macaenses como qualquer visitante de Macau pode rapidamente aperceber, ao verificar que a generalidade da população, hoje como no passado, não diz uma palavra em português. Para além de ser útil saber se agora em 2006, quando a soberania do território já pertence desde há vários anos à China, é possível afirmar que tem havido por parte das novas autoridades governamentais uma efectiva defesa da presença cultural portuguesa no território ou se ao invés se tem assistido a um apagamento progressivo dessa expressão, no grau em que ela existia até à assunção da soberania da China. O esclarecimento destes factos permite enquadrar devidamente o interesse da China na eventual promoção desinteressada e benévola da lusofonia, interesse que tende a ser despreocupadamente valorizado e apregoado pelos dirigentes portugueses dos Jogos e da organização que os promoveu.

Contudo, Manuel Silvério, Presidente da Comissão Organizadora desta primeira edição dos Jogos, afirmou com satisfação que os Jogos foram “o maior evento alguma vez realizado em torno da Lusofonia”.

No entanto, como seguidamente se verá, esta primeira edição dos Jogos, estes Jogos da Lusofonia, pouco ou nada têm a ver com a afirmação do espaço lusófono no mundo, desse espaço cultural e económico e político da língua de Camões, o qual em 1556 foi nomeado “provedor-mor” daquele entreposto comercial de portugueses na China – confiado aos portugueses pelo imperador chinês em troca dos favores que estes lhe prestaram na defesa do infestamento daquelas paragens por bandidos e corsários.

O Governo Português

Era nesta perspectiva cultural e geoeconómica e geopolítica que o Governo português devia olhar para os grandes investimentos que faz em matéria de políticas públicas no domínio dos grandes eventos, sob pena de estar a desperdiçar dinheiro e recursos necessários a outros sectores de prática desportiva. Os grandes eventos desportivos devem permitir a afirmação real e consistente dos interesses da política internacional de visibilidade e competitividade cultural, económica e política do país – no nosso caso de Portugal. Basta olhar a esse respeito as experiências espanhola e australiana com os Jogos Olímpicos de Barcelona e de Sydney, os Jogos Olímpicos de Pequim em 2008 ou a preparação em curso para os Jogos Olímpicos de Londres de 2012 e, por maioria de razão, os Jogos da Commonwealth de Manchester de 2002 e os muito recentes de Melbourne de 2006, para não restarem dúvidas sobre a utilização desses grandes eventos na projecção internacional dos respectivos países e regiões que os realizam.

Economia Global

Qualquer observador medianamente atento ao que se passa no mundo da economia global, nas respectivas tendências de evolução recentes e nas projecções para futuro de prazo médio e longo, percebe que a China está neste caso dos Jogos da Lusofonia inteligentemente a utilizar o conceito de lusofonia para propósitos da sua política externa de afirmação conveniente nesse espaço geoeconómico, sem que os dirigentes políticos e desportivos portugueses disso pareçam estar a retirar as devidas ilações. Ou estão mas não querem dar a entender?

Então bastará relembrar aos mais distraídos e despreocupados desses dirigentes alguns dados irrefutáveis sobre a expressão objectiva dos reais interesses em jogo.

Nos Jogos da Lusofonia participaram onze países, 710 atletas, 211 oficiais de equipa e 130 delegados técnicos. A comunicação social esteve representada por 608 pessoas, das quais 363 elementos para a transmissão televisiva e 231 jornalistas, num total de 12.937 acreditações de participantes nos jogos, desde os atletas, pessoal de apoio, voluntários e forças de segurança. Tudo isto para um evento que do ponto de vista desportivo, sabe-se agora pelas crónicas oficiais da comunicação social que cobriu o evento, teve muito pouco significado local e quase nenhum significado internacional. Bastaria verificar qual o grau de cobertura noticiosa do evento nos media internacionais (por exemplo CNN, Eurosport, jornais desportivos e canais televisivos em outras línguas etc.), bem como as audiências às transmissões realizadas nos próprios países participantes – e desde logo na China, em Portugal e no Brasil. Para além de ser também indispensável avaliar do grau de retenção nacional e internacional (extra participantes, entenda-se) do evento, assim se medindo do seu grau efectivo de exposição e visibilidade.

Por isso mesmo, bem vistas as coisas, pesados os interesses em presença e a sua projecção global, foi uma inteligente campanha de promoção da China junto das elites dos países que falam português, da denominada comunidade da lusofonia, à custa da “ingenuidade” dos principais responsáveis desportivos e políticos portugueses. Portugal contribuiu alegremente para a afirmação da estratégia mundial da China, na sua vertente africana lusófona e brasileira massivamente impulsionada nos últimos anos, disponibilizando nesse impulso de bonomia e cegueira estratégica os seus símbolos, os seus atletas e o voluntarismo usual dos seus tradicionais dirigentes desportivos e contribuindo para o seu próprio funeral cultural e geoeconómico nesse espaço da lusofonia com mais de 400 mil euros do já em si tão depauperado erário público. E a coroação trágica desta “aventura” foi o de ter-se ainda assistido ao episódio curioso de o responsável pela primeira edição dos Jogos da Lusofonia, numa espécie de masoquismo à portuguesa, ter sido condecorado pelo Governo português pela distinção dos serviços desportivos prestados!

Os Interesses em Jogo

Tentando descer do etéreo Olimpo ao real dos comezinhos interesses dos Estados, à denominada política real, procuremos entender quais os verdadeiros interesses da China e dos chineses em aderirem e realizarem um projecto/evento que, bem vistas as coisas, lhes custou 16 milhões de euros, cujos efeitos mediáticos e de assistência do ponto de vista interno foram quase nulos (uma fraquíssima adesão do público ao evento reconhecida pelo próprio responsável máximo da organização) e do ponto de vista externo insignificantes (a considerar a assistência mediatizada do evento e a sua projecção em media internacionais de outros espaços).
Segundo Arnaldo Gonçalves, Presidente do Fórum Luso-Asiático, os Jogos da Lusofonia têm de ser entendidos na base do pragmatismo chinês, resultante das reformas iniciadas por Deng Xiao Ping na década de 80. A China quer aparecer ao mundo como uma grande potência pacífica, cosmopolita, aberta e apoiante da multiculturalidade, e para isso nada melhor do que a realização de grandes eventos desportivos. E porquê esse novo fácies da China na cena mundial geopolítica e geoeconómica?
Bem, em primeiro lugar, porque a China está, de facto, a mudar. Desde logo, essa mudança é económica, com taxas de crescimento enormes, das maiores em termos mundiais (nos anos recentes a economia chinesa cresce a taxas superiores a oito por cento, o que lhe permitirá duplicar o seu produto nacional e a riqueza total do país em cerca de 9 anos). Mas, em segundo lugar, este enorme crescimento económico, que não é acompanhado de idêntico grau de mudança em termos do sistema político, determina-lhe enormes carências de recursos alimentares, naturais e energéticos, que obrigam a China a olhar para o Mundo com um grande pragmatismo – fazendo com que as suas políticas e instrumentos dessas sejam colocados ao serviço dos reais interesses do país (a denominada “realpolitik”). Os chineses não desejam, por isso mesmo, nas suas relações externas, ficar dependentes de um único espaço geoeconómico e parceiro comercial privilegiados, pelo que a sua abertura a África e ao Brasil nos anos mais recentes, com grande amplitude e projecção, tem a mesma lógica da abertura à Rússia, ao Médio Oriente, à América ou à Europa. Nestes termos, os países africanos e o Brasil são vistos a curto e médios prazos pela China como reais fornecedores das suas necessidades energéticas e sorvedouros/destinatários das suas exportações de produtos de baixa qualidade de um conjunto de sectores produtivos em que a China tem vantagens comparativas e competitivas globais. E acresce que a médio prazo essas relações económicas visam também projectar os capitais chineses, de modo a que estes possam vir a tomar posições em empresas africanas e a realizar parcerias no Brasil no sector da exploração dos recursos naturais fundamentais ao seu contínuo crescimento e desenvolvimento económico (não se esqueça que existem estudos relevantes de entidades conceituadas que já apresentam a economia chinesa a ultrapassar até 2025 as economias da Alemanha e do Japão e a dos próprios EUA até 2050).
A vantagem competitiva da China neste domínio sustenta-se ainda nas suas enormes reservas cambiais (é actualmente o principal suporte financeiro da dívida externa dos próprios EUA) pelo que é um excelente parceiro de negócios para países fornecedores de matérias-primas, na medida em que paga com dinheiro à vista. Por exemplo, em 2002, Angola era o 5º parceiro da China em África, com um volume comercial de 1.148,3 mil milhões de US$, dos quais 61,3 milhões em exportações (produtos electromecânicos, têxteis, sapatos e vestuário), e 1.087 milhões em importações (sobretudo petróleo). Quer dizer, a China tem vindo a desenvolver uma estratégia económica de afirmação rápida e massiva em África e no Brasil que lhe permitem vir a conquistar mercados que tradicionalmente “pertenciam” a empresas portuguesas ou que poderiam constituir boas hipóteses de cooperação económica futura das empresas lusas.
Na cooperação económica com os Países de Língua Portuguesa a China procura matérias-primas, tais como os recursos energéticos, minérios e produtos agrícolas, fornecendo em troca aparelhos electrónicos, alimentos e assistência técnica. Em 2005, o comércio global dos Países de Língua Portuguesa com a China foi de 32 mil milhões de dólares. No que diz respeito a Portugal, a posição é bem modesta já que as trocas comerciais entre Portugal e a China no mesmo ano cifraram-se em mil milhões de dólares, com um défice para Portugal de 300 milhões.
Nestes termos, a confirmarem-se as intenções dos chineses quanto aos mercados africanos – bem patentes no enorme volume de crédito recentemente concedido a Angola já bem superior às correspondentes capacidades portuguesas –, Portugal pode vir no curto prazo a ver reduzida ainda mais a sua margem de influência em África e o seu consequente papel diferenciado no mundo e na Europa.

Os Interesses Portugueses

Por isso, para além dos discursos piegas acerca da defesa da língua portuguesa que nada têm a ver nem com os interesses nacionais sejam eles quais forem, os Jogos da Lusofonia fazem parte da estratégia chinesa de conquista de mercados de produtos naturais de que África e o Brasil são enormes reservatórios. Neste momento, Portugal é para os chineses uma excelente porta de entrada naquele continente. Aliás, se apelarmos um pouco à memória recordamo-nos que quando no Campeonato do Mundo de Futebol 2002 (Coreia/Japão) a equipa nacional, contra tudo aquilo a que o bom senso aconselhava, foi estagiar para Macau, já os chineses estavam numa estratégia de envolvimento das entidades desportivas portuguesas que se deixaram ir no canto da sereia com os consequentes resultados já profusamente debatidos.

Portanto, quando hoje se realiza o balanço da primeira edição de uns Jogos onde se gastaram milhões mas que (felizmente) passaram despercebidos à generalidade da população a começar pela de Macau, e os nossos mídia para além de “A Bola” pouca atenção ou nenhuma lhes prestaram, trata-se de saber até que ponto os dirigentes políticos e desportivos portugueses, devido à endémica incapacidade para idealizarem estratégias e estruturarem prioridades de acção para o desporto, vão continuar a manter a política externa e de cooperação portuguesa – da qual o desporto deve ser um instrumento activo de afirmação do papel do país no mundo – condicionada e aprisionada por interesses privados e pessoais de uns tantos “dirigentes globetrotters”, incapazes de pensarem o desporto para além da “sua comezinha subdimensão turística”. Ou se, em alternativa, se consegue perspectivar estrategicamente a política desportiva nacional, de modo a perceber-se o papel dos eventos desportivos de dimensão apreciável no contexto da afirmação de uma estratégia de afirmação cultural, geoeconómica e geopolítica do país, dando uma verdadeira dimensão estratégico-política ao desporto.

E neste “lá vamos cantando e rindo” nacional do qual o desporto é um instrumento supremo da recreação diletante dos nossos dirigentes, foi o próprio responsável pela realização dos Jogos em Macau que até “fez o favor” de anunciar ao Mundo que a próxima edição seria realizada em 2009 em Portugal. O custo estimado – sem que se saiba exactamente como foi feita essa estimativa e qual é a respectiva estrutura de financiamento que está subjacente – também surgiu nas parangonas com a módica quantia de 11 milhões de euros, que até 2009, aliás como é tradição e Portugal, será certamente multiplicado pelo menos por três.

Tudo isto para também como agora na primeira edição se continuar a promover com o mesmo voluntarismo e ingenuidade dos nossos ilustres dirigentes políticos e desportivos – porventura ainda os mesmos de hoje – a China junto dos países de língua portuguesa. Países que nesta mesma hora de anúncio e de gáudio tranquilo desses dirigentes portugueses, a esta hora ou por estes próximos tempos devem estar ou vir a ser bombardeados com programas de promoção desportiva oferecidos pelos chineses, enquanto que Portugal se vai, porventura, continuar nesse “pormaior” a limitar a lá ir roubar alguns atletas, a fim de conseguir umas miseráveis medalhas nos Jogos Olímpicos que justifiquem por mais alguns anos (se calhar até 2020) esse “engenho e arte” dos seus responsáveis.

A Pergunta Necessária e Urgente

Por isso, a pergunta que tem de se colocar, e à qual o Governo Português tem de responder com a máxima urgência, é: qual o papel que assumem os Jogos da Lusofonia para os interesses culturais, desportivos, geoeconómicos e geopolíticos de Portugal?

Gustavo Pires
José Pinto Correia
22/10/06

Ver mais sobre os Jogos da Lusofonia

A Crise do Desporto Moderno

"Just do it"

Gustavo Pires

A crise do desporto moderno parece-nos ser um dos indicadores mais significativos que nos aconselham a reequacionar os modelos tradicionais de organização desportiva. Tanto o “desporto profissional” como o “desporto educação” estão em profunda crise. Esta crise surge também da desagregação do modelo corporativo do desporto tradicional, que já não responde às dinâmicas da sociedade da nova economia, naquilo que esta tem a ver com a industria do entretenimento associada às novas tecnologias de informação e comunicação e ao desporto.

No desporto, sempre foi mais importante “fazer” do que “saber fazer”, ou mesmo até “porque é que se fazia de determinada maneira”. O “just do it” da NIKE, representa bem uma atitude que conduziu à maior crise do desporto moderno, que surgiu nos media em inícios de 1999 mas que vai persistir nos próximos anos. Como se sabe, esta crise teve como protagonista mais visível o Comité Internacional Olímpico que se viu envolvido em processos de corrupção relacionados com a escolha das cidades organizadoras dos Jogos. O falso amadorismo dos dirigentes tem de dar lugar a um sistema claro em que o próprio Olimpismo, como património da Humanidade, possa continuar a ter algum sentido para a generalidade das pessoas, por esse mundo fora.

Lógicas de Gestão

Portugal - Euro 2004 - Londres (2012)

..Não há países desenvolvidos e subdesenvolvidos, há países administrados e subadministrados.

Peter Drucker (1909-2005)

 

Portugal realizou o EURO 2004 e o Reino Unido prepara-se para realizar os Jogos Olímpicos de 2012. Neste último caso, o Reino aceitou a realização depois de a ter assumido estrategicamente para o desenvolvimento desportivo e ter hoje já grandes preocupações com os termos contratuais que subscreveu com o Comité Olímpico Internacional relativamente ao legado desportivo dos Jogos. Discute-se agora no Reino Unido, antecipadamente, e em termos claros e inequívocos, as formas de acautelar devidamente o legado desportivo e a promoção clara do desporto, como resultantes desse mega evento desportivo que são os Jogos.

Jogos Olímpicos - Lisboa 2020

Jogos Olímpicos

 Francis Fukuyama no seu livro “Confiança: Valores Sociais e Criação de Prosperidade” defende a seguinte tese:

"(…) o bem-estar de uma nação, bem como a sua capacidade de competir, são condicionados por uma única e subtil característica cultural: o nível de confiança inerente à sociedade em causa”.

Esta afirmação exalta peremptoriamente a importância da cultura e do seu traço essencial que é a “confiança”.

Levantamento e Análise da Situação Desportiva

CanoagemNível Desportivo

José Pinto Correia & Gustavo Pires

 

A concepção e implementação das políticas públicas de promoção do desporto têm de fundamentar-se no conhecimento detalhado do padrão de prática desportiva regular das populações nacionais, e especialmente das denominadas populações adultas quando estão em causa as acções de promoção do desporto com vista a melhorar o nível desportivo.

Londres 2012 - Relatório Câmara dos Comuns

Jogos Olímpicos de Londres 2012

Relatório da Câmara dos Comuns
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José Pinto Correia & Gustavo Pires

.Os Jogos de Londres de 2012 foram uma importante vitória inglesa e corresponderam a um percurso estratégico da candidatura, a qual se enquadrava de há muito nos principais objectivos nacionais desportivos e político-económicos, assumidos pelas respectivas forças partidárias esmagadoramente maioritárias no país e correspondendo também a um largo consenso social e das mais relevantes instituições representativas do desporto do Reino Unido.

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