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A Origem do Comité Olímpico de Portugal

XIX Sessão Anual - Almeirim

João Marreiros

​A 4 de Junho de 1992 Assembleia Plenária Extraordinária aprovou os novos Estatutos do COP que, para além de terem alterado o nome do Comité Olímpico Português para Comité Olímpico de Portugal, por via burocrática, contra a história, institucionalizaram uma nova data para a fundação da instituição. O Doutor João Marreiros em 2006 fez um levantamento circunstanciado dos acontecimentos que apresentou na sessão anual da Academia Olímpica. Para memória futura, aqui fica o trabalho por ele apresentado.    

(ver)

1912. Fundação do Comité Olímpico Português

Novo livro de Gustavo Pires (**)

Manuela Hasse (*)

Foi lançado, a 10 de Maio do corrente, no Salão Nobre da Faculdade de Motricidade Humana, um novo trabalho de G. Pires. Um estudo rigorosamente documentado, baseado em fontes impressas, uma pesquisa minuciosa que se lê de um folgo tal o interesse que desperta e uma escrita que conduz o leitor – não por um penoso trabalho académico, como muitos são – mas por uma investigação que se acompanha como se de um livro policial se tratasse. A trama gira à volta de duas questões: a primeira, desde os finais de 1800, quando o mundo europeu começava a mudar para aquilo que conduziria ao que conhecemos hoje, será possível encontrar alguma relação, entre os adeptos da ginástica sueca, higiénica e da educação física, com o fenómeno desporto? Segunda questão, qual foi, de acordo com os documentos reunidos, a verdadeira data da criação do Comité Olímpico Português?
Em síntese, teria existido alguma relação entre os adeptos da ginástica sueca, higiénica e da educação física e os adeptos do fenómeno desporto – em particular no que respeita a criação do Comité Olímpico Português?

Comité Olímpico de Portugal (1912-2016)

104º Aniversário do Comité Olímpico de Portugal

Hoje, comemora-se o verdadeiro aniversário do Comité Olímpico de Portugal embora o aniversário oficial, à revelia da história, seja comemorado noutra data. Na realidade o Comité Olímpico de Portugal, hoje, comemora o seu 104º aniversário.
A 30 de abril de 1912 foi fundado o Comité Olímpico Português a fim de se poder organizar uma Missão Olímpica a estar presente nos Jogos Olímpicos de Estocolmo (1912). A Missão Olímpica acabou por ter a seguinte composição:

1. António Stromp, estudante de medicina - Atletismo; 
2. Armando Cortesão, finalista do Instituto Superior de Agronomia - Atletismo; 
3. Fernando Correia, funcionário superior do Montepio Geral - Esgrima;
4. Francisco Lázaro, operário de carpintaria - Atletismo;
5. Joaquim Vital, empregado do comércio - Luta.

De acordo com a imprensa da época, por exemplo, “Os Sports Ilustrados” ou o “Tiro e Sport” a primeira Direção do COP ficou constituída da seguinte maneira:

• Presidente de honra: Conde de Penha Garcia;
• Presidente: Jaime Mauperrin Santos;
• Vice-presidentes: António Lancastre; Charles Bleck; Manuel Egreja;
• Secretário-geral: José Pontes;
• Secretários: Annibal Pinheiro; Armando Machado; Duarte Rodrigues;
• Membros: Alvaro Lacerda; Antonio Osorio; Daniel Queiroz dos Santos; Fernando Correia; Guilherme Pinto Bastos; José Manuel da Cunha Menezes; Pedro Del Negro; Pinto de Miranda; Sá e Oliveira.

Os Papas e o Desporto

Anselmo Borges (*)

Durante os Jogos Olímpicos, foi para mim uma surpresa simpática saber que o Papa Pio X tinha sido promotor dos Jogos Olímpicos, em 1908. De facto, não podendo realizar-se em Roma por causa de uma grave crise económica - acabaram por ser celebrados em Londres -, Pierre de Coubertin, instigador dos Jogos modernos, pediu ajuda à Santa Sé, e foi o próprio Pio X que o apoiou.

Quem o afirma é Antonella Stelitano no livro Pio X e o Desporto, fazendo notar que nos começos do século XX menos de um por cento da população praticava desporto. Ora, Pio X via no desporto uma forma de educar os jovens. "São Pio X viu a possibilidade de o desporto ser educativo. Uma forma de aproximar os jovens, para que, estando juntos, seguissem regras e respeitassem o adversário. Creio que entendeu que era possível fazer com que as pessoas estivessem juntas de uma forma simples, unidas sem problemas de raça, religião ou ideias políticas diferentes."

Desporto por Desporto

A Mística Olímpica

 João César das Neves (*)

 

A sociedade moderna, cortando as relações com o transcendente (1), teve de arranjar mitologias, cultos, teologias para se inspirar. O desporto, como a ciência, música e heroísmo, é um elemento central dessa espiritualidade. Os atletas alegadamente mostram o melhor do ser humano, esquecendo misérias, desgraças e maldades, promovendo a auto-superação, camaradagem, colaboração e paz. Os Jogos Olímpicos são a grande celebração mundial da mística, proclamando bem alto este evangelho.

Ética

Desporto e Humanismo ou o Valor da Transcendência

Manuel Sérgio

Do ponto de vista epistemológico, o desporto é um dos aspetos da motricidade humana, a qual venho definindo como o movimento intencional da transcendência; sociologicamente, é um “fenómeno social total” (Mauss) e, portanto, que se relaciona, inevitavelmente, com outros sistemas, como o económico-financeiro, o sócio-político, o bio-médico, o psicológico, o histórico, o filosófico, o cultural, etc., etc.

Georges Magnane

O Seu Contributo para a Sociologia do Desporto

Vítor Rosa (*)

 

"O primeiro herói que eu encontrei fora de um livro era um corredor ciclista". É por estas palavras que René Catinaud (1907-1985), mais conhecido pelo pseudónimo de Georges Magnane, introduz o seu romance Les hommes forts, publicado em 1942 [1]. Ele evoca o encontro com o desporto e, em filigrana, a fascinação pelos corpos robustos que nos cruzamos nas práticas desportivas. Magnane estudou o desporto no contexto de três décadas: de 1930 a 1960. Decide de tomar o desporto como objeto de estudo, abordando-o sobre o ângulo da sociologia [2]. Em 1960, ele obtém um lugar no CNRS (França) e trabalha com uma equipa de investigadores dedicados à temática "Sociologia do Lazer e dos Modelos Culturais" [3].

O autor apoia-se em várias monografias realizadas pelos estudantes do Centro de Formação e de Estudos de Educação, da Escola Normal Superior de Educação Física, segundo os objetivos definidos por Magnane e sob a égide do CNRS, e de vários alunos das Escolas Normais de Instrutores. O seu estudo sobre as instituições desportivas beneficiou da preciosa ajuda dos seus colegas do Alto Comissariado dos Desportos.

O seu ensaio Sociologie du Sport (1964) [4], surge dois anos depois das obras de Joffre Dumazedier, Vers une civilisation du loisir, e de Edgar Morin, com L'Esprit du temps, duas obras que se preocupam com a massificação dos lazeres e da estandardização da cultura ligadas às transformações da sociedade industrial e a extensão dos lazeres na vida quotidiana. A sua obra é a primeira do género em França e constitui uma peça histórica interessante pelo número de pistas levantadas, que permitem pensar o fenómeno desportivo. Ele comporta quatro partes: "O desporto na vida quotidiana" (1.ª parte); "O desporto atividade de lazer" (2.ª parte); "Popularidade do desporto" (3.ª parte); e "Desporto, meio de cultura" (4.ª parte). A sua obra foi traduzida em várias línguas, nomeadamente o português [5].

O Discóbolo de Miron e o Atleta

joao_marreiros_0.jpgJoão Marreiros

Míron (480-440 a.C.) nasceu em Elêutras, nos confins da Beócia e da Ática, perto de Atenas, no segundo quartel do Século V a.C. Foi um escultor grego do século de Péricles, aluno do escultor Hageladas de Argos (Século VI a.C. - Século V a.C.), com Fídias (480-430 a.C. e Policleto (460-410 a.C.). A sua personalidade é tão notável que, em certos pormenores, parece muito mais moderna do que é na realidade.
Começou por ser um escultor de bronze e tornou-se o artista introdutor do movimento na escultura grega do princípio do período clássico, e bem assim um escultor de momento. Os escultores posteriores não conseguiram superar a sua habilidade, na expressão do movimento através da atitude. Não se conhece nenhum original seu, mas são conhecidas cópias de Athena e Mársias, que representa a cena em que Mársias tenta apanhar a flauta que a deusa deitou fora, e cópias do Discóbolo, que representa um atleta no momento de lançar o Disco. Aqui, também a relação da arte com o real é complexa e composta.

O Discóbolo de Míron é uma escultura que representa o atleta no momento culminante do esforço, e que foi realizada entre os anos 460 e 450 a.C. provavelmente para comemorar o atleta que vencia o antigo pentatlo, mas muitas cópias têm sido feitas em mármore.

Foi uma obra celebérrima e que por isso foi inúmeras vezes copiada. O valor dessas cópias é relativo, pois basta compararmos as duas que estão na mesma sala do Museu das Termas (Roma) para vermos toda a diferença que existe entre uma e outra, tendo na nossa frente obras que estão diminuídas e até talvez mesmo alteradas.

Míron trabalhou na Atenas de Péricles e notabilizou-se pelas proporções exatas e o sentido do movimento das suas figuras, notáveis pela atitude, equilíbrio e a leveza das linhas, principalmente de atletas e lutadores, onde entre as suas obras conta-se o Discóbolo.

Rompeu com as convenções antigas e encontrou a solução, que lhe permitiu fazer saltar, mover e correr as suas personagens. A expressão e a psicologia, a individualização das suas estátuas, parecem ser para o artífice coisa secundária.

A Desgraçada Moeda Olímpica

Respeitar a Cultura

Gustavo  Pires

No que diz respeito aos Jogos Olímpicos (JO) antigos, numa breve consulta ao “google”, podem ser encontradas as imagens de variadas moedas alusivas a competições desportivas. Segundo os historiadores este tipo de moedas começou a se cunhada a partir de 480 aC. Já quanto aos JO modernos foi em 1952, ao tempo dos JO de Helsínquia que, pela primeira vez, começaram a ser produzidas moedas alusivas aos JO. Entretanto, na dinâmica do colecionismo que tomou conta da vida moderna, os mais diversos Comités Olímpicos Nacionais (CONs) também começaram a produzir moedas por ocasião da celebração dos Jogos de cada Olimpíada.

E o Comité Olímpico de Portugal (COP), em conjugação com a Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM), entendeu e bem, comemorar os JO do Rio de Janeiro (2016) com a habitual moeda. O problema é que, tendo realizado uma decisão certa, esperava-se que fizesse as coisas bem-feitas o que não veio a acontecer uma vez que se levantam questões de ordem: (1º) ético-organizativas; (2º) estético-pessoais e; (3º) histórico-culturais.

Olímpica Desilusão

Rio de Janeiro (2016)

Gustavo Pires

“Unidos somos mais fortes” foi o lema da Missão Olímpica Portuguesa.

Entretanto, fica por saber:

(1º) Qual a união possível quando uma liderança é exercida ao estilo “magister dixit” completamente alheada das pessoas, das Federações Desportivas e do País?

(2º) Como é possível ser-se mais forte quando, não se consegue construir uma imagem de prestígio junto do Governo, da comunicação social, da generalidade dos portugueses e do País?

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