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A História no Seu Lugar

cop.jpgAleluia...

Comité Olímpico de Portugal (1912-2016)

104º Aniversário do Comité Olímpico de Portugal

Hoje, comemora-se o verdadeiro aniversário do Comité Olímpico de Portugal embora o aniversário oficial, à revelia da história, seja comemorado noutra data. Na realidade o Comité Olímpico de Portugal, hoje, comemora o seu 104º aniversário.
A 30 de abril de 1912 foi fundado o Comité Olímpico Português a fim de se poder organizar uma Missão Olímpica a estar presente nos Jogos Olímpicos de Estocolmo (1912). A Missão Olímpica acabou por ter a seguinte composição:

1. António Stromp, estudante de medicina - Atletismo; 
2. Armando Cortesão, finalista do Instituto Superior de Agronomia - Atletismo; 
3. Fernando Correia, funcionário superior do Montepio Geral - Esgrima;
4. Francisco Lázaro, operário de carpintaria - Atletismo;
5. Joaquim Vital, empregado do comércio - Luta.

Os Papas e o Desporto

Anselmo Borges (*)

Durante os Jogos Olímpicos, foi para mim uma surpresa simpática saber que o Papa Pio X tinha sido promotor dos Jogos Olímpicos, em 1908. De facto, não podendo realizar-se em Roma por causa de uma grave crise económica - acabaram por ser celebrados em Londres -, Pierre de Coubertin, instigador dos Jogos modernos, pediu ajuda à Santa Sé, e foi o próprio Pio X que o apoiou.

Quem o afirma é Antonella Stelitano no livro Pio X e o Desporto, fazendo notar que nos começos do século XX menos de um por cento da população praticava desporto. Ora, Pio X via no desporto uma forma de educar os jovens. "São Pio X viu a possibilidade de o desporto ser educativo. Uma forma de aproximar os jovens, para que, estando juntos, seguissem regras e respeitassem o adversário. Creio que entendeu que era possível fazer com que as pessoas estivessem juntas de uma forma simples, unidas sem problemas de raça, religião ou ideias políticas diferentes."

Desporto por Desporto

A Mística Olímpica

 João César das Neves (*)

 

A sociedade moderna, cortando as relações com o transcendente (1), teve de arranjar mitologias, cultos, teologias para se inspirar. O desporto, como a ciência, música e heroísmo, é um elemento central dessa espiritualidade. Os atletas alegadamente mostram o melhor do ser humano, esquecendo misérias, desgraças e maldades, promovendo a auto-superação, camaradagem, colaboração e paz. Os Jogos Olímpicos são a grande celebração mundial da mística, proclamando bem alto este evangelho.

João Wengorovius Meneses

e o

Aniversário Neokitsch do COP

Gustavo Pires

Presumimos que o Sr. Secretário de Estado da Juventude e Desporto foi convidado para, na próxima segunda-feira dia 14 de dezembro de 2015 pelas 18.30 h, presidir à festa de aniversário “neokisch” dos inflacionados 106 anos do Comité Olímpico de Portugal (COP). Ao fazê-lo, nesta data que presumimos estratégica na medida em que o dia do aniversário oficial do COP (embora errado) foi no passado dia 26 de outubro, sua excelência vai, certamente, ser surpreendido com a tradicional praxe com que os dirigentes desportivos fazem questão de brindar os anjinhos que, vertiginosamente, pousam na tutela do desporto nacional. E assim, o dito vai viver o ritual de iniciação do costume que passa por uma demonstração de “poder sem força” da corporação desportiva que, completamente falida, se organizará à volta das habituais palavras de ordem do nosso nacional olimpismo: “queremos mais dinheiro”. E, salvo sempre as tradicionais exceções, todos aqueles dirigentes, com o poder do estatuto que têm, mas sem a força do dinheiro que não têm, vão explicar ao novo Secretário de Estado o quanto se sacrificam pelo desporto nacional: são as cansativas viagens para todos os lugares do mundo; são os intermináveis “chekines” nos hotéis de cinco estrelas; são as desconfortáveis deslocações nos BMWs conduzidos a condizer por um “chauffeur” devidamente fardado e; são os inúmeros países que são obrigados a visitar como, por exemplo, o sacrifício que foi o terem ido à India participar nos “Lusofonia Games” que, na pantomina “neokitsch” em que o nosso nacional Olimpismo está transformado, ficarão para a estória do desporto nacional como os “Jogos Idiotas”. E, perante tantos sacrifícios, sua excelência o Secretário de Estado chegará, certamente, ao fim da cerimónia com lágrimas nos olhos perante tantos e tão desinteressados sacrifícios. E, ficará ainda, com o coração despedaçado quando aquela pungente massa humana, num espetáculo “déjà vu”, lhe disser que ele vai ser o Messias de que o desporto nacional há tanto tempo aguarda. Assim aconteceu; com Miranda Calha (quando ele voltou ao local do “crime”); com José Lello que se “tramou de amores” por Fernando Mota; com Armando Vara que, felizmente, não chegou a aquecer o lugar; com Hermínio Loureiro e a sua Lei de Bases napoleónica revogada em tempo recorde; com Laurentino Dias e a sardinhada financeira em que deixou o desporto; com Alexandre Mestre deslocalizado para o seu próprio desconforto; e, entre outros, com Emídio Guerreiro e o seu modelo desportivo a caminhar tendencialmente para o caos.

Ética

Desporto e Humanismo ou o Valor da Transcendência

Manuel Sérgio

Do ponto de vista epistemológico, o desporto é um dos aspetos da motricidade humana, a qual venho definindo como o movimento intencional da transcendência; sociologicamente, é um “fenómeno social total” (Mauss) e, portanto, que se relaciona, inevitavelmente, com outros sistemas, como o económico-financeiro, o sócio-político, o bio-médico, o psicológico, o histórico, o filosófico, o cultural, etc., etc.

A Comunicação Social quer firmar a ideia que o desporto se resume às marcas, dignas de espanto, dos praticantes de eleição, multiplicadas e gritadas, pela televisão, pela rádio, pelos jornais, pela internet, ao longo do mundo todo. Esta mundialização do culto do rendimento e do agonismo, que se procura apresentar como incontaminado de quaisquer orientações ideológicas, numa perfeita neutralidade axiológica e política, gera uma iconomania de “bestas esplêndidas”, superdotadas e supertreinadas, mas com um horizonte axiológico e político que demasiadas vezes (não digo sempre) não excede o mundo do futebol profissional. Já escrevi que, diante da fome e da miséria e da guerra e do terrorismo, que enodoam o nosso tempo, se pode ser tentado a reconhecer que o espetáculo desportivo é a mais importante das coisas pouco importantes. O futebol é mais do que futebol! Nasceu do ser humano e a ele se destina. Ora, porque assim é, o futebol deverá inserir-se também numa VISÃO humanista da vida, numa AÇÃO humanista da pessoa humana e numa INVENÇÂO humanista da sociedade. Não basta o humanismo como VISÂO. No Renascimento, “abusou-se” desse tipo de humanismo, síntese do idealismo helénico e do pragmatismo romano. Atualmente, por evidentes razões éticas, sociais e políticas e até pelo predomínio da tecnociência, o humanismo tem de abandonar a fase exclusivamente teorética e orientar-se para a “práxis”, quero eu dizer: para a ação esclarecida.   

O que é o ser humano? Foi esta a questão prévia que eu levantei, quando procurei criar a minha teoria sobre a motricidade humana e portanto sobre o desporto (e a dança e a ergonomia e a reabilitação, etc., etc.). Logo que me deitei ao estudo e à investigação, sempre acompanhados pelo convívio com treinadores desportivos de muitos méritos, nunca me resignei tão-só e uma intenção epistemológica, mas também ontológica, ética e política, dado que a motricidade humana, antes de ser um objeto do conhecimento, integra a intencionalidade do sujeito. Li (já não sei onde) em Unamuno, que a verdade primeira não é o cogito ergo sum, mas o sum ergo cogito. Ora, a motricidade é o movimento do sum, em movimento intencional à transcendência. Com insuperável mestria, foi Paul Ricoeur, designadamente nos três volumes de Temps et Récit, o obreiro da expressão ser é igual a ser interpretado. E, por isso, nas estruturas fundamentais do sujeito, o anseio de transcendência, de superação tem sido o mais acertadamente sublinhado. Se toda a motricidade humana se compreende pela sua intencionalidade, de toda a hermenêutica da conduta emerge uma energia, um anseio de transcendência, que se torna, por demais, manifesto. Quando alguém diz com segurança “eu quero”, há nesta sua afirmação uma energia operante, que se converte em projeto, muito anterior à conduta e que lhe dá sentido. E é o corpo que oferece o espaço e é o corpo que fala e é o corpo que revela e desvela os possíveis desta subida para a transcendência. Repito-me: o que é o Homem? Segundo Heidegger, “nenhuma época acumulou tantos e tão ricos conhecimentos, sobre o Homem, como a nossa. Nenhuma época alcançou um saber tão profundo, acerca do Homem. Nenhuma época tornou este saber tão rapidamente acessível. E, no entanto, nenhuma época soube menos, sobre e acerca do Homem. Para nenhuma outra época, o Homem foi um ser tão misterioso” (Kant und das problem der Metaphysic, trad. castelhana, F.C.E., México, p. 72).

De facto, até ao século XX, o Homem foi o tema. No entanto, a partir daí, o Homem é o problema. Mas um problema, com uma nítida vocação de transcendência, com uma força espontânea e fascinante de fazer da transcendência uma afirmação de liberdade e dignidade humanas. Ora, no movimento da transcendência tudo se torna possível, pois que a transcendência visa precisamente o possível. O possível, não apenas ao nível do físico-biológico, mas também do espiritual, do psicológico, do moral, do social, do político. Neste ponto me ocorre a tese de Norbert Elias, já clássica, segundo a qual a civilização europeia foi o seminário feracíssimo do desporto moderno, pois que a História do Velho Continente supõe um progressivo domínio da razão sobre o instinto e o desporto transforma-se num importante fator de domesticação da violência, num processo de pacificação social, pois que as vitórias e as derrotas, no desporto, perdem o caráter dramático que apresentam noutras situações da vida humana. Não sei se assim é, pois que o desporto altamente competitivo, ao reproduzir e multiplicar o economicismo do neoliberalismo triunfante, nele se casam também todos os aspetos necessários à composição de um drama. O que é um jogo Benfica-Sporting, sobre o mais, senão um drama? Até alguns dirigentes e críticos, ditos desportivos, se mostram incapazes de desdramatizar um jogo de futebol e de apontar o ideal, as ideias, os ritmos, as imagens, os conceitos, que fazem do desporto um processo de libertação do que em nós é pura irracionalidade e, como tal, intolerância e violência. Será que estes palradores incontidos, de um clubismo verdadeiramente patológico, ainda não entenderam que a sua violência verbal, atendendo à publicidade inescrupulosa de que beneficiam na Comunicação Social, é causa evidente de mais violência – violência que não é apenas verbal? E, apesar de tudo isto, invertendo posições, apresentam-se como queixosos, como acusadores, como vítimas! Até onde chega a pouca vergonha! São bem um exemplo de uma época tumultuária de confusão de valores... que é a nossa!              

“O mais importante é participar”. Esta máxima (erroneamente atribuída a Coubertin) proferiu-a, pela primeira vez, o bispo Ethelbert Talbot, na abertura dos Jogos Olímpicos de Londres (1908). Mas transcrevo as palavras do bispo: “Nestes Jogos, participar é mais importante do que ganhar, como, na vida, é mais importante a forma como se luta do que a própria vitória”. Infelizmente, esta pedagogia foi desprezada pelo capitalismo global, que nos aliena e explora, e que aí está gangrenado por toda a sorte de escândalos de corrupção e de fraudes. Ser desportista é, antes de tudo, aprender a ganhar e aprender a perder. Aprender a perder? Sim, porque todos temos limites e é, nos inêxitos, que os limites mais evidentes se tornam. O fracasso, no desporto, não está na derrota, mas em renunciar à luta por novas vitórias. O único jogo que se perde é o que abandonamos. É na transcendência física e moral que a competição desportiva se transforma em lição, de valor incalculável, a outras esferas da nossa existência. Triste sinal o deste desporto que aplaude a mediocridade, em nome da eficácia, que sacrifica os valores mais puros nos altares do êxito. Neste desporto, ninguém ganha porque vale, mas vale porque ganha. Por isso, o culto exarcebado do campeão que, verdadeiramente, não passa de um culto exacerbado do individualismo mais obcecado. O filósofo catalão Guillem Turró Ortega escreve, com grande significado e alcance, no seu livro, El valor de superarse – deporte y humanismo: “Abundan las personas obsesionadas por un afán de victoria desmesurado, que viven abrumadas por la presión de conseguir el triunfo, que actúan como si tudo estuviera marcado por el resultado final (…). Esta mentalidad resultadista – propia de los que creen que ganar es lo único importante – entra en conflicto com nuestro discurso pedagógico”(p. 87). Eu digo mesmo: entra em conflito com a vida, porque, na vida, vitória e derrota são duas caras da mesma moeda. Enfim, muito se aprende a pensar o desporto, como espaço de transcendência!..

Publicado n’ A Bola Digital em 13-10-2015.

Moeda Olímpica

A Moeda Olímpica ou a Moeda da Joana Vasconcelos?

 

 

 

 

 

 

 

 

No que diz respeito aos Jogos Olímpicos (JO) antigos, numa breve consulta ao “google”, podem ser encontradas as imagens de variadas moedas alusivas a competições desportivas. Segundo os historiadores este tipo de moedas começou a se cunhada a partir de 480 aC. Já quanto aos JO modernos foi a partir de 1952, ao tempo dos JO de Helsínquia que, pela primeira vez, começaram a ser produzidas moedas alusivas aos JO. Entretanto, na dinâmica do colecionismo que tomou conta da vida moderna, os mais diversos Comités Olímpicos Nacionais (CONs), de uma forma natural, também começaram a produzir moedas comemorativas de âmbito nacional por ocasião da celebração dos Jogos de cada Olimpíada.

Em Portugal, de há vários anos a esta parte, o Comité Olímpico de Portugal (COP), em conjugação com a Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM), por ocasião dos Jogos de cada Olimpíada, tem também produzido uma moeda comemorativa. Desta feita, a fim de comemorar os JO da XXXI Olimpíada que se vai iniciar a 1 de Janeiro de 2016 o COP, seguindo a tradição, entendeu e bem, comemorar os JO do Rio de Janeiro (2016) com a habitual moeda.

O problema é que não se trata só de fazer as coisas bem. Tudo leva a crer que a INCM, no que diz respeito à produção da moeda, realizou um trabalho livre de qualquer crítica. O problema é que não chega realizar as coisas bem, é necessário realizar as coisas certas. O busílis são as decisões da responsabilidade do COP que deixam a instituição e os seus dirigentes numa posição profundamente fragilizada. São elas: (1º) razões de ordem ético-organizativa; (2º) razões de ordem estético-pessoal e; (3º) razões de ordem histórico-cultural.

Olisipíadas

As Olisipíadas: Para uma Cultura de Autenticidade

Os jogos estão de volta à cidade de Lisboa. Mas, ao voltarem, levantam uma questão que se relaciona com o nome com que, desta feita, se apresentam: Olisipíadas. As Olisipíadas, segundo o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), “são o primeiro evento desportivo organizado pela Câmara Municipal de Lisboa em parceria com as novas 24 freguesias”. Todavia, independentemente do entusiasmo com que os Jogos da Cidade foram apresentados, causa preocupação a sua associação ao nome da cidade ao tempo da dominação romana: Olisipo.

Do ponto de vista semântico, a palavra Olimpíada não significa os jogos propriamente ditos. Contudo, à semelhança do que acontece com o termo Olimpíada os especialistas do marketing, para quem, geralmente, a cultura é um empecilho à técnica de comunicação, com uma simples associação de ideias, construíram a palavra Olisipíadas sem cuidarem de saber as implicações que resultariam de tal associação. Porque, se a palavra Olimpíada significa, tão só, um período de quatro anos, uma Olisipíada não é mais do que um período de quatro anos relativo aos Jogos Olisipos. Portanto, tal como as Olimpíadas não são os Jogos Olímpicos, as Olisipíadas também não podem ser os Jogos de Lisboa.

Políticas Públicas

Uma Nova Agenda para o Desporto

​Gustavo Pires

 

A situação desportiva em que o ora extinto Bloco Central deixou o País é, simplesmente, dramática. E é tanto mais dramática quanto se sabe que ela foi realizada com a conivência de técnicos de desporto, licenciados, mestres e até doutores que, tanto na administração pública quanto no livre associativismo, na maior das irresponsabilidades, contribuíram para a deplorável situação em que a organização do desporto e as suas estruturas mais representativas se encontram. Claro que o XIX Governo, com o seu fundamentalismo partidário que nada tinha de ideológico mas tão só de “selvageria política”, conduziu ao clímax uma situação de confusão que, há muito, já se desenhava no desporto nacional. Por isso, é não só necessário como urgente começar a construir uma alternativa ao processo de destruição do desporto nacional desencadeado a partir de 2003 ao tempo do XV Governo Constitucional.

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