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Narrativas da Nação

Rosa Mota

Proporcionadas pelas Vitórias Desportivas e seus Heróis

Ana Santos (1)

1. Introdução

Os heróis desportivos enquanto figuras proeminentes de "afectos identitários" permitem aceder a um conjunto de narrativas da Nação.

Esta comunicação pretende ser apenas um ensaio de exploração desta temática, e neste sentido trata apenas alguns discursos, produzidos pela Imprensa escrita, relacionados com grandes competições internacionais, como os Jogos Olímpicos e os Campeonatos da Europa de futebol.

Por questões de economia de escrita são, de momento, excluídos de análise textos produzidos pelos "confrontos" desportivos e/ou "regionais", os quais são profícuos ao entendimento da forma como se constrói, e até inventa, a identidade local / regional a partir das qualidades (também elas construídas e efabuladas) dos respectivos heróis.

Da "vida" do desporto português, um fenómeno com apenas um século de existência, seleccionei três momentos distintos, dois deles fundadores, como o são a primeira participação de atletas portugueses nos Jogos Olímpicos, e a primeira participação de mulheres na maratona Olímpica, e um outro ligado comas vitórias do futebol na década de 60.

São três momentos desportivos distintos, entre os quais não se pretende estabelecer qualquer linha de continuidade, interessa apenas ver como em contextos sociais, e político-económicos completamente diferentes se discursam as vitórias desportivas.

2. Vitórias de virilidade

"Coube a Francisco Lázaro a honra de empunhar o estandarte português, agora com nova bandeira de novas cores, encarnado e verde, que o pintor Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929) concebera e o governo da jovem República oficializara. Só o Hino da Carta, da Monarquia, continuava a aparecer, teimoso, pois nas solenidades ainda não se conheciam as estrófes de A Portuguesa..." (Correia, 1988: 100)

A participação portuguesa na V Olimpíada constitui um marco negativo no desporto português porque, e logo na primeira vez que Portugal participa no evento, morre Francisco Lázaro na corrida da maratona.

"O team português que foi a Estocolmo volta dizimado pela morte. Francisco Lázaro, aquele heróico e valente rapaz que tantas vezes aplaudimos e em quem depositámos as melhores esperanças de que saberia defender com o brio indomável, esta forte e destemida raça portuguesa, lá ficou dormindo o sono eterno (...).

(...) Não tinha ele uma noção rigorosa - longe disso - dos métodos de treino, nem das medidas higiénicas que têm de adoptar os atletas quando pretendem pôr em prática altos empreendimentos. E o que Lázaro pretendia era nem mais nem menos do que atacar o recorde da hora pedestre. (...) Na pureza ingénua de modesto filho do povo, Lázaro era um "sportsman", no que a palavra tem de mais perfeito e de mais sincero; simples operário, ele tinha a grandeza da alma de um ianque, curvando-se resignado perante a própria derrota, não deprimindo e rebaixando os vencidos.

(...) O atleta da minha eleição caiu para sempre, morreu; não volta coberto de louros

(...)

Mas na sua queda, na queda do herói não foi arrastada a bandeira da Pátria, essa ergueu-se alta e tremula ovante como a flâmula italiana de Dorando Pietro na Olímpiada de Londres e como a bandeira helénica solta ao vento, quando o soldado de Maratona caía exâmine ás portas de Atenas depois de anunciar a vitória sobre os persas."

A Luta, 16 de Julho de 1912

Morre de insolação, morre envenenado, anunciam e especulam os jornais da época, morre em resultado de uma ignorância que devia espelhar um pouco "o povo" que o jovem representa. Lázaro ensebou-se antes do início da corrida para não transpirar, para não perder água, e o pobre morreu, sobre-aquecido!

A morte do atleta torna-o um herói mítico, não falta na retórica da sua produção a evocação de Philippides, o primeiro guerreiro-corredor, que fez o trajecto Marathon (campo de batalha) -Atenas, para anunciar aos atenienses a vitória sobre os invasores persas no ano 490 ac gritando nenikikamen (vencemos)para logo de seguida entregar a alma. Este percurso foi considerado como sendo a distância limite da endurance humana.

Nos elogios póstumos discursa-se a origem modesta e pobre, a sua persistência nas corridas e o desejo de vencer como características opostas. Aexcelência do corredor discursada a partir de categorias extremas que em tudo a negariam: um carpinteiro, humilde e simples. Ser pobre e um bom "sportsman" é como ser cego e bom atirador.

Num primeiro momento, para os burgueses e aristocratas, que incrementaram os desportos nas práticas de lazer, a figura do sportsman português é uma demonstração de identidade de classe através da qual podiam estabelecer uma distinção horizontal com os seus congéneres europeus, pela a adesão a práticas "modernas", e uma distinção vertical com o "povo".

O «Sport» (2) é uma prática de lazer inventada no século XIX pela aristocracia inglesa. Alguns destes «Sports» eram considerados práticas violentas. Na Imprensa portuguesa, o «Sport», nomeadamente os jogos colectivos, são considerados por uns uma ameaça à civilização dos costumes, e receia-se o regresso à barbárie, enquanto que para outros são um meio de salvação da alma e da raça porque combatem o corpo mole e enfermo. «Sport» e raça aliados na máxima mens sana in corpore sano.
Em Portugal, como em todos os outros países, o «Sport» nasce da vontade dos indivíduos e dos grupos privados. "É uma inovação social que mergulha as suas raízes na aparição de novas formas de sociabilidade. Desporto e modernidade estão ligados e inscrevem-se nas mutações industriais e económicas do século." (ARNAUD, 1988: 12)

A representação nacional que vai a Estocolmo, participar nesta V Olimpíada, ainda não é uma representação de Estado, e parte sem qualquer apoio financeiro do mesmo. Improvisa-se um pouco, nem mesmo a simbólica nacional, hino e bandeira, consegue actualizar-se atempadamente e de acordo com a República recém-implantada: à nova bandeira verde e vermelha junta-se o antigo hino, incólume até ás Olimpíadas de 1918.

Em Portugal, seguindo um pouco os outros países, será apenas entre as duas guerras que a internacionalização do desporto e sua audiência suscitam o interesse dos homens de Estado (3).

"Confirmou-se o facto. O governo não tem recursos monetários, nem verba para no orçamento para a constituição de uma equipa portuguesa, que fosse concorrente aos jogos atléticos da V Olimpíada, Em Estocolmo. Assim o declarou o ministro do Interior
à direcção do Ginásio Clube Português, há quatro dias, quando desejou informar-se dos auxílios oficiais com que podia contar. (...) A sua presença fica ignorada, até 1916, entre um lote formidável dos amadores de todo o Mundo, vindos de países europeus, vindos de países distantes, para afirmarem as suas condições físicas, de força e de resistência. (...) A Alemanha, cuja potência económica e política se deve impor, pelo menos com o número, envia a Estocolmo verdadeiras falanges de Hércules. Os Estados Unidos da América, como o fizeram em Londres em 1908, serão representados pela élite desportiva de 110 milhões de habitantes, por uma centena de formidáveis atletas. (...) A Inglaterra, o Canadá, a África do Sul, a Austrália, a Nova Zelândia, uniram os esforços do imperialismo inglês para o triunfo da bandeira britânica. O próprio Japão, que há muitos anos rivaliza na ciência e na actividade com a civilização europeia, já indicou, em princípios de Janeiro, a dúzia de campeões, aos quais foi confiada a difícil, mas honrosa empresa, de representar o império do Sol nascente. (...) Só Portugal e Espanha não concorrem! Andamos afastados da Europa e da sua gente civilizada e os avanços evolutivos de um sistema completo de educação são menos conhecidos em Portugal que na Oceânia! Esses ecos de civilização têm mais dificuldade em transpor os Pirinéus que atravessar o Atlântico!"

Os Sports Illustrados, 10 de Fevereiro de 1912

O progresso da Nação tem agora mais um indicador para a sua avaliação, o desporto, já considerado um "eco de civilização", e uns "outros" bem definidos e caracterizados face aos quais esse mesmo progresso deve ser aferido. Os "outros" são, na Europa, a Inglaterra e a Alemanha, e na América os Estados-Unidos.

Não obstante as dificuldades, a representação portuguesa segue para Estocolmo financiada pelos grupos privados que ajudaram a introduzir e implementar a prática do «Sport». Dos seis representantes apenas Lázaro faz parte do "povo" pouco habituado a usos distintos como o fraque e talheres:

(...) Era um grupo muito amigo. Mesmo o Lázaro que se afastava socialmente de nós, era um camarada esplêndido. Um rapaz muito simples, muito simpático. Ainda me lembro, quando, a bordo do paquete da Mala Real Inglesa, tínhamos de ir de smoking para a mesa, e ele, coitado, muito aflito a pôr o laço... E lá fui eu e o Fernando Correia ajudá-lo a fazer o laço do smoking. Mesmo à mesa, nós o aconselhávamos a comedir-se: «Não faça isso... não coma com a faca...» bom rapaz, o Lázaro! A sua morte marcou-nos para toda a vida." (4)

São todos homens, tal como os restantes participantes dos outros países em confronto desportivo e, acreditava-se que, fraterno. As demonstrações de virilidade e masculinidade das Nações representadas são sempre medidas pelo número de vitórias e recordes batidos.

Os Jogos Olímpicos para além de emprestar o cunho nacionalista à competição desportiva, uma vez que ajudam a criar uma rivalidade simbólica entre os países que os atletas representam, contribuem de forma decisiva para a tornar num acto viril por excelência. A olimpíada feminina é considerada, por Coubertin, impensável, inestética e incorrecta (5). O Desporto aparece assim não só como prática moderna mas também como reduto de afirmação da masculinidade.

3. Vitórias da raça lusa

"Para que a alegoria da realeza fosse completa e desse a sugestão perfeita da glória madridista, tudo se conjugava na grande cidade, onde aliás muitos nomes de instituições ou de empresas levam esse antecipado designativo, desde a «Royal Dutch» dos setróleor até à KLM dos aviões, tão grata e estreitamente ligada a nós nesta jornada à Holanda. Em suma: Real, Real, Real. Nas ruas e canais, nas festas populares e recepções privadas, nos cálculos sobre o jogo e no momento soleníssimo do Estádio Olímpico. Pois esse único «plebeu» que era o Benfica, com as suas falanges de apoio geralmente recrutadas entre o povo anónimo e a sua pequena aura de popularidade num centro onde outro colosso lhe levava a palma, virou tudo ao contrário: encerrou no coração dos holandeses as suas festas de alegria exuberante e desfiles marciais, implantou os seus estandartes rubros na confluência de todas as artérias, lançou o seu grito de incitamento venceu o Real e proclamou o direito à glória, de uma vez para sempre. Tudo se passou em 45 minutos de uma arrancada fulgurante. Melhor dizendo, tudo se passou num momento decisivo, o 50º, quando o moreno Coluna, expressão bem elucidativa, naquele instante, do Portugal Ultramarino, levantou o Estádio com um tiro fulminante, que deixou o adversário esmagado no terreno (...)."

 

A Bola, 5 de Maio de 1962

O Benfica, após vencer a Taça dos Campeões Europeus em 1962, pela segunda vez consecutiva, é aclamado e aplaudido por todas as instâncias sociais e políticas da época.

As parangonas dos jornais comentam a excelência do resultado obtido pelo Benfica dando relevo a aspectos que à partida pareciam negar o alcance da vitória: um "clube popular" contra um "Clube Real", uma equipa "exótica" com africanos a protagonizarem os golos, a "raça" contra os milhões.

Considerar o Benfica um "clube popular" é tão só um epíteto de distinção e marcação de um traço identitário, construído em oposição ao Sporting, clube rival. Ou seja, é tão popular como Clube do Porto, o Belenenses e o próprio Sporting. De que se fala quando se fala de "popular"? Dos dirigentes do clube? Da "massa"associativa? A popularização dos desportos colectivos, e particularmente o futebol (pelos meios rudimentares necessários à sua prática) deve-se muito ao contraste com a ginástica educativa muito disciplinar; são um pouco os "radicais" do iníciodo século: não tem de se estar em linha, nem fazer nada sincronizado, não exigem postura, antes pelo contrário, quando surge a sua prática em Portugal,chegam a ser comparados, em certos artigos de imprensa, como uma espécie de regresso à barbarie.

O Real de Madrid é antes de mais um clube de Espanha, de onde "nem bons ventos nem bons casamentos". Um Benfica / Real de Madrid rapidamente setransforma num Portugal / Espanha, não é à toa que a metáfora da guerra tão bem se aplica ao confronto que as equipas têm no "campo de batalha": os remates são "tiros fulminantes" que "esmagam" o adversário, as fintas faz em parte de "estratégias de ataque e de defesa", etc. Portugal um país pequeno, mas com raça, contra um país de milhões como é a Espanha, vence! A exaltação de aspectos que parecem menorizar o Benfica, ou Portugal, apenas servem para vincar a excelência da equipa.

Salazar ao receber a equipa cumprimenta Eusébio e intitula-o património nacional. Esta ideia de património nunca esteve ligada a nenhuma fonte jurídica mas a uma simbólica de perpetuação de um corpo essencial à congregação da comunidade. O Eusébio é, sem perceber, tornado monumento, protegido e inalienável.

Para justificar e manter a guerra colonial Salazar alega que "essas colónias eram parte integrante de uma comunidade nacional, multirracial e multicontinental" (Medina, 1993: 227). A par das vitórias no futebol vão as derrotas na política externa (6).

Glória para o Desporto Português
O «Drama de Amesterdão» teve uma apoteose - Benfica e Portugal
(...)
Coluna e Eusébio
"... Dois casos de força, de poder e de habilidade, têm por si aquele ar de felinos que distingue os homens de cor. Na verdade era impressionante a cadência das suas passadas, o equilíbrio das suas intervenções. Esses predicados que até em nós causam admiração, dão aos nórdicos, racialmente mais extremados e diferenciados, uma sugestão que os avassala. É a sugestão do exótico, do incomum, do desconhecido. As avançadas de Coluna e Eusébio tinham alguma coisa de uma ofensiva estranha ao jogo, uma espécie de elemento novo para os hábitos de um público que talvez não tenha também compreendido que Portugal, sem deixar de ser Portugal, é uma nação plurirracial e que pode reunir numa equipa, sem operações de importação alfandegária, jogadores de todas as etnias conhecidas.

Muitos jornalistas perguntaram a procedência desses dois homens de cor, cujas surtidas pelo campo, cujos remates fulminantes, cujos golos monumentais os tinham presos de assombro. Lá tive de explicar tudo e de acrescentar que as vitórias do Benfica tinham esse sabor especial, incomparavelmente mais expressivo que as do Real de se deverem a gente da casa, por muita pigmentação da pele deixasse suspeitar aos incautos o contrário. E como argumento decisivo desta última asserção, lá citei Costa Pereira e Águas, vindos das mesmas paragens, pertencentes aos mesmos círculos futebolísticos do Ultramar - sem distinção de raças.

 

Silva Resende
Bola, 5 de Maio 1962, p.1, 4

 

A equipa do Benfica fornece os elementos simbólicos que ilustram o ideal de população: jovens do Continente e jovens das já então chamadas Províncias Ultramarinas (7) a colaborar em equipa, disciplinados na conquista de um objectivo comum.

Nesta época a equipa simboliza o colonialismo ideal, um grupo unido e coerente na sua acção a lutar em torno de objectivos comuns e igualmente partilhados por todos.

A alegoria à nação é muito fácil de se realizar, ambas comunidades multirraciais e multicontinentais: tanto a equipa como a nação são tidas como um corpo, uma entidade única, espaço de consenso de ideais.

A criação do termo raça lusitana vem a propósito de uma distinção que é necessária ser feita para não confundir os portugueses brancos com os outros. O facto de serem negros não perturba o discurso nacionalista porque Eusébio e Coluna, pela sua garra e fibra, são lusitanos, cumprem muito bem os ideais nacionalistas porque engrandecem a imagem de Portugal. E, no discurso de defesa do colonialismo a excelência dos jogadores deve-se ao papel desempenhado por Portugal na disciplina do corpo dos africanos. Portugal, através do futebol, consegue um feito fantástico transformar negros em jogadores lusitanos. O desporto e seus heróis foram indispensáveis na afirmação do discurso da pluralidade, e revelaram-se cruciais na (re)definição de novas hierarquias.

O desporto é, neste sentido, usado pelo Estado para manter a coesão nacional em torno dos ideais de manutenção do Império colonial. Ao nível internacional as vitórias do Benfica, e da Selecção, foram usadas como instrumento de pressão, e contribuem para reforçar uma imagem de marca, força e eficácia, ler legitimidade do regime de Salazar.

O Estado estabelece uma relação de cumplicidade com os jogadores, trata¬ os como "embaixadores", representantes oficiais de um "regime político".

Honra ao desporto O Chefe de Estado entregou várias medalhas de «mérito desportivo» GALARDÃO -O Presidente da República entrega a Medalha de Mérito Desportivo a Eusébio, campeão europeu de 1962 —... O Almirante Américo Tomás fez o elogio da proeza dos jogadores benfiquistas, classificando-a de altamente dignificante do nome do clube do Desporto nacional e do próprio País; declarou que até nos muitos convites que o Benfica tem recebido se pode ver um excelente meio de propaganda de Portugal (...). —(No fim foi servido um «Porto de Honra».)

 

Bola, 26 de Maio de 1962, p.8

 

A propaganda dos resultados é um indicador disso mesmo. Os campeões europeus ao fazer uma digressão por Angola e Moçambique são recebidos com honras de Chefe de Estado.

(Numa foto uma carrinha com a bandeira portuguesa escoltada por inúmeras motos policiais, lembra a recepção a chefes de Estado) Leg 1: CORTEJO APOTEÓTICO -foi assim, com centenas de carros e o povoléu em desvario, aclamando os seus ídolos, que o Benfica desfilou, do aeroporto «Craveiro Lopes» até ao centro de Luanda, depois da sua chegada a Angola. —Leg 2: TRAVESSIA DE LUANDA -Sob indescritíveis manifestações de entusiasmo popular, foi assim -apoteoticamente! -que a embaixada do Benfica atravessou as ruas de Luanda, a caminho do hotel. Centenas de pessoas, de todas as raças, aclamaram vibrantemente os campeões europeus.

5 de Julho de 62, p.1,5,6

 

Lourenço Marques - pois é, amigos! A menina pacata, pura, tímida, tão bela como colorida, que é esta orgulhosa cidade portuguesa, «perdeu o juízo». Abandonou a pacatez; pôs de lado o seu ar tímido; tornou-se nervosa como donzela ao escutar a primeira declaração de amor. Motivo: a visita do Benfica, na pessoa dos seus famosos campeões europeus de futebol! —...Pois bem amigos: «pela primeira vez vi, aqui, uma equipa metropolitana que veio ás «paragens negras e misteriosas do continente africano» não para se embasbacar com o leão, mas, sim, para jogar futebol. ....

9 de Julho de 62, p.1,5,6

 

Ao nível da Nação existe como uma espécie de solidariedade entre o povo e a sua representação nacional, o que impulsiona de certa forma uma imaginação do "nós", enquanto "carácter nacional".
O jogo de meia-final disputado com Inglaterra coloca a Pátria em expectativa, e um telegrama enviado por Amália à selecção é um bom indicador da apoteose que se viveu em Portugal, com a possibilidade da equipa vir a ganhar o Campeonato do Mundo:

-«Nós conquistámos o mundo pelo Mar fora de lés a lés e a
conquista continua desta vez a pontapés».
-«Orgulhosamente agradecida».-«Beijinhos do meu coração».

 

E a ilustrar o epíteto é colocada a imagem de um galo de Barcelos vestido de cavaleiro medieval com uma bola nos pés calçados com umas chuteiras.

Magriços: "O apodo nasceu do jornal «A Bola», que simbolizou num galo de Barcelos a figura do grande cavaleiro que triunfou em Inglaterra e, assim, consubstanciava a esperança de todos nós de um digno comportamento da equipa de nós todos, na dura empresa que a esperava em solo britânico." "Com efeito, o Magriço, toda uma ressurreição de justas medievais de cavalaria, uma afirmação excepcionalmente expressiva desse génio lusitano, não podia vir a melhor carácter. Todo o episódio em que intervém o Magriço (...) é a exaltação da valentia lusitana (...). Segundo a versão camoniana, (...) doze damas nobres inglesas foram ofendidas por outros tantos cavaleiros (...). Os ofensores logo reptam a quem sustente o contrário para uma luta de morte, à moda do tempo. (...)" F.P.F. (1969: 6) Resumindo, entre os ingleses não conseguem achar quem as defenda e é então que recorrem ao Duque de Lencastre que lhes sugere os portugueses. Feita a escolha dos doze cavaleiros portugueses, entre estes está o magriço. "Aprestam-se todos a embarcar no Porto rumo a Inglaterra. Porém, o Magriço pediu aos demais para ir por terra no desejo de ver paragens estranhas e não querer perder essa oportunidade. Garantiu que estaria em Inglaterra; (...). O que é certo é que chegou o dia de entrar em campo e o Magriço sem aparecer - o que fez com que a dama que lhe competia desagravar se vestisse de luto. Vai começar a pugna de doze ingleses contra onze portugueses; e sùbitamente a multidão agita-se porque chega à arena, pronto para a peleja, o Magriço! No calor da refrega, os ingleses são desbaratados, alguns mesmo mortos (...)."

 

F.P.F. (1969: 6)

Em suma, o galo de Barcelos, um objecto por excelência do artesanato português, a representa a gesta nacional: o povo aldeão e castiço, guardião seguro dos valores essenciais da raça lusitana. O galinho, equipado com chuteiras e de bola nos pés, a apagar a ligação do futebol com o espaço urbano, com a cidade que o viu nascer e lhe deu força. O aspecto cómico do ícone reside no facto de uma equipa recheada de africanos ser representada por um símbolo de Cruzada, de expulsão dos Mouros da Península. A evocação da Idade Média através dos cavaleiros e das justas a dar ancestralidade a um fenómeno muito recente em Portugal: o futebol. Não esquecer que o primeiro desafio Internacional em que participa uma equipa a representar Portugal data de 1921.

"Com o futebol português dá-se um caso curioso: realizou o seu primeiro desafio internacional em 18 de Dezembro de 1921 sem ter ainda intramuros uma competição de plano nacional."

 

Ornellas (1949-50:14)

Este galo, e o avivar da lenda do magriço, é uma síntese brilhante das múltiplas tentativas que foram feitas com o intuito de aportuguesamento das colónias.

Esquecido o Império nesta simbologia, sobrou o reino, o povo cristão da orla da Europa com as quinas no suporte heráldico habitual - o escudo. De acrescentar aliás, entre parêntesis, que a expressão "bandeira das quinas" édesde a época de Camões em textos mais ou menos épicos sinónimo dabandeira lusitana.

"Cartoon de Camões ao leme de uma caravela a ouvir o relato pelo transístor

O Benfica visto do Brasil A própria Pátria ...em calção e chuteiras
[Uma saborosa crónica de Nelson Rodrigues, em «O Globo»](...)
***
4-Dois a zero, era a vitória dos milhões sobre a raça... Pensei nos azulejos de São Januário, evocativos das desportivas. Aqui o Brasil sofria e pelo seguinte: -cada brasileiro é, na pior das hipóteses, um neto retardatário de Bocage. Pois sabemos praguejar também e com fúria bocagiana.
***
5-Mas ia começar a lusa reacção. Primeiro e segundo «goals». Empatada a partida. Já não era o Benfica. Amigos, um simples clube não faria tanto. Era Portugal. Há momentos em que um clube é a própria pátria em calções e chuteiras. De repente, um cheiro de oceanos sepultos, de velhos mares espectrais encheu Amesterdão"
***
(...)
9- E, súbito, houve o milagre. Reagiram os lusos, novamente. O público, começou a ver os milhões do Real Madrid, a meio pau. Todo o mundo começou a torcer pelos portugueses. Dir-se-ia que o estádio estava entupido de barões. Nas arquibancadas, as mulheres tinham delíquios de Inês de Castro. Terceiro, quarto, quinto «goals» do Benfica. Pensei, então com uma dessas certezas frenéticas: «Eu já fui português em alguma encarnação!» amigos, não é português quem não chora. Após a vitória, saí para a rua. Na primeira esquina, vi um latagão luso. Chorava lágrimas de esguicho. E creio que, ao soar o apito final, os azulejos de São Januário deviam exalar um cheiro de algas fantásticas. Por mim confesso: -foi tal a minha integração lusa que, no quinto «goal» cheguei a me sentir de ôlho vazado como um Camões."

O cartoon e parte do texto deste artigo são primeira página do jornal a Bolade 7 de Maio de 1962. O papel da imprensa é fundamental, tanto na propensão de dar voz à opinião publica, como no veicular das ideias de Estado. O controlo da Imprensa, através da censura, nos anos 60, é fundamental para a manutenção do estereótipo de Nação valente e imortal, capitalizando as vitórias desportivas deforma a estas poderem ser um sucedâneo de outras vitórias e conquistas do passado. Estabelece-se uma linha de continuidade entre feitos, obliterado as diferenças fulcrais da sua natureza, servindo as vitórias desportivas para (re)actualizar o discurso macilento da gesta portuguesa e da sua predestinação para grandes feitos.

3. Vitórias no feminino

 

"Rosa Mota não queria Roberto Carneiro em Seul
Só me faltava mais esta
(...) O feito de Carlos Lopes, em Los Angeles, estava repetido. O triunfo de Rosa Mota na maratona Olímpica de ontem -a vitória que lhe faltava para juntar aos títulos europeu e mundial -foi, para além de tudo, uma inequívoca demonstração de classe.(...) Teve palavras de apreço para as restantes competidoras que «valorizaram o espectáculo» e, como sempre dedicou a vitória a Portugal:«Um pequenino país que, neste momento, é tão grande como qualquer outro."

 

Lyn Owen e Robin Lusting Expresso, 25 de Agosto de 1984.

 

As vitórias de Rosa Mota e Carlos Lopes, nos anos 80, acompanham períodos conturbados da política portuguesa e oferecem ao povo português um espectáculo de inversão da ordem das coisas: Portugal a derrotar os países de que depende economicamente como os Estados Unidos e a Alemanha.
A entrada das mulheres nas diferentes provas desportivas foi durante muito tempo objecto de grande resistência por parte das instituições organizadoras dos eventos. A figura do herói desportivo feminino sempre representou uma espécie de ameaça à preservação de identidades históricas, como a família e a maternidade.

Rosa Mota, uma mulher comum torna-se celebridade através de um feito atlético ímpar: vence 14 maratonas. Em primeiro lugar, antes dela nenhuma outra mulher o poderia ter feito, pelo simples facto da prova ter sido vedada à participação das mulheres até 1982 nos Campeonatos da Europa, e até 1984 nos Jogos Olímpicos. Com base num pseudo-argumento fisiológico, acreditou-se durante muito tempo que a endurance da mulher era inferior à do homem, e que, por isso mesmo, a mulher sucumbiria a esforços prolongados, como os exigidos pela maratona ou pelas provas de fundo e meio-fundo em geral. Em segundo lugar, a maratona, prova mítica do atletismo, fundadora e trágica, foi durante anos considerada uma prova de fim de carreira. Em Portugal, para esta crença muito contribuiu a, pouco esclarecida, morte do primeiro maratonista internacional Francisco Lázaro.

Lázaro e Rosa Mota, em comum o facto dele ser o primeiro português na maratona Olímpica e ela a primeira portuguesa na mesma prova. Separa-os 70 anos, tempo necessário para que a Maratona Olímpica pudesse ser uma prova disputada por mulheres. Só que desta feita, Rosa não treina, como Lázaro, a correr atrás dos eléctricos lisboetas, mas em Boulder, nos Estados Unidos, seguindo um plano de preparação física que nem sequer descura o pormenor da altitude8.

O Estado, desligado da primeira representação olímpica portuguesa, intervém agora de forma decisiva, na figura do Ministro da Educação, Roberto Carneiro, de forma a garantir que Rosa corra com o equipamento da selecção nacional.

"A Federação diz que sem estar filiada, Rosa não vai aos Jogos. A eventualidade de Rosa surgir em Seul em representação de uma outra bandeira começa a enervar o país. É obviamente altura de o Governo entrar em acção. O Ministro da Educação vai puxar dos galões, como relatará mais tarde o Independente: «Antes dos Jogos Olímpicos, Roberto Carneiro entrou em cena. Publicamente opôs-se com tacto, à FPA. Nunca se soube como é que o ministro pôs fim à teimosia. O ministro pergunta à Federação e ao Comité Olímpico Português se é ou não importante para o país o contributo de Rosa nos Jogos de Seul. Os dois organismos dizem que, de facto, é. O ministro então lembra à Federação que, segundo os próprios estatutos federativos, 'tem de colaborar com o governo'. (...)"

 

 (PINHÃO, 1999: 66)

A atleta dedica a vitória à Nação em que nasceu. Um acto simbólico. Rosa Mota estava já inserida em formas de organização desportiva transnacionais. Aameaça de filiação num quadro federativo que não o português, deu grande poder de manobra ao técnico-treinador-empresário da atleta e, foi decisiva nas vitórias fora de pista disputadas com a Federação Portuguesa de Atletismo.

Um discurso sobre a força da raça lusa, possível umas décadas antes, tem agora dificuldades de sobrevivência. A mobilidade dos atletas e a universalidade dos métodos de treino embaraçam qualquer discurso tendente a naturalizar as capacidades dos portugueses para grandes feitos.

5. Conclusão

No início do século, a primeira representação nacional na V Olimpíada não tem sequer o apoio do Estado, o sport, enquanto actividade de lazer moderna, é discursado como prática de distinção de classe. Os Jogos Olímpicos emprestam o cunho nacionalista ao desporto, que neste contexto é também um reduto de afirmação da virilidade masculina Quando Lázaro morre as categorias usadas na descrição da sua excelência relacionam-se com a pobreza e a humildade, exactamente características extremas das da natureza do spotsman.

Na década de 60, o projecto colonial é a grande aposta de Salazar, e as vitórias do futebol reforçam o seu ideário de suporte: uma equipa com jogadores africanos negros e brancos. Uma novidade no contexto das equipas europeias, Inglaterra também tinha jogadores africanos, mas brancos! Quando, em 1962, o Benfica ganha a final dos Campeões Europeus a excelência da equipa é discutida a partir do exotismo da equipa (e na altura o exotismo refere-se concretamente a jogadores como Coluna e Eusébio), como sai vencedora uma equipa assim constituída? Nos textos da imprensa portuguesa da altura, esta é a questão de partida que sugestiona textos inflamados sobre a raça lusitana e a predestinação para grandes feitos, evocam-se as Descobertas, aliás por que é dessas terras "portuguesas" que provém os portentos como Eusébio e Coluna. A vitóriaconseguida, como se ainda não bastasse, foi contra o Real de Madrid, contra Espanha, mais exalta o "carácter nacional", que se sobrepõe aos "carácteres"locais, regionais, e até provinciais. O Estado condecora os jogadores, a equipa, o clube, e assimila e rentabiliza a vitória. A equipa faz uma digressão pelas colónias e é recebida em apoteose, a Imprensa estará sempre presente para fotografar, divulgar e ampliar a coesão nacional em torno de uma equipa símbolo da convivência multirracial e multicontinental.

É com desconfiança que os artigos de imprensa dos anos 60 tratam a participação das mulheres nas provas desportivas. Nos anos 80 quer as vitórias de Carlos Lopes quer as de Rosa Mota ou Aurora Cunha servem o propósito de exaltar a identidade nacional. Parte dos textos dedicados ao comentário desportivo não raramente tratam a Nação como um indivíduo colectivo, com uma psicologia própria, as derrotas fazem parte de uma patologia histórica, traumas não resolvidos, e as vitórias como o ensejo de luta para resolver complexos de inferioridade. Naturalmente que o termo de comparação são sempre as Nações como os Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, os mesmos países que também serviram de modelo aos jornalistas do início do século.

Mas o fenómeno mais interessante dos anos 80 é o esforço que o Estado desenvolve para que uma atleta como Rosa Mota não deixe de representar a Nação nas competições internacionais. O território nacional é estreito à ambição de um atleta que aspire ser um grande maratonista, o treino em altitude é essencial para aumentar a qualidade de resistência. O discurso da supremacia da raça, ou da virilidade, usado para explicar as vitórias desportivas, é tornado anacrónico pela tecnologia de suporte e métodos "científicos" usados na rentabilização das performances. No entanto, não deixa de ser interessante que tanto o desporto como a identidade nacional ainda sejam discursados com base em categorias de género e raça.

Notas

(1) Bolseira do Ministério da Educação, Comunicação apresentada no IV Congresso Português de Sociologia.

(2) A terminologia inglesa vai ser utilizada até à década de 30.

(3) Ver o estudo elaborado por ARNAUD, Pierre, RIORDAN, James (1988) Sport et Relations Internationales (1900- 1940). Paris: L'Harmattan.

(4) Entrevista dada por Armando Cortesão a Romeu Correia. (CORREIA, 1988 :86) Grupo de representantes portugueses na V Olimpíada: Armando Cortesão, finalista do Instituto Superior de Agronomia, António Stromp, estudante de medicina, Fernando Correia, empregado superior do Montepio Geral, Joaquim Vital, empregado do Comércio e Lázaro, carpinteiro.

(5) MONDENARD, J.P. (1985) La femme peut-elle dépasser l'homme. Revue de l'AEFA 90: 5-16.

(6) em Março de 1961 "o embaixador dos EUA comunica formalmente a Salazar a alteração da administração Kennedy quanto à política colonial portuguesa. Washington insta por mudanças no sentido da autodeterminação e da independência das colónias e afirma que , a não se verificarem, os EUA não poderão continuar a apoiar Portugal na ONU" (Rosas, 1998: 476).

(7) "As colónias portuguesas designavam-se «províncias» sob a I República e passaram a «colónias» com o Acto Colonial, promulgado quando Salazar era Ministro das Colónias. (...) A revisão constitucional de 1951 voltou a designar as colónias como províncias ultramarinas continuando a vigorar o Estatuto do Indigenato que vinha dos anos 30." OLIVEIRA (1989:85).

(8) A altitude favorece o aumento dos níveis de hemoglobina no sangue e por consequência aumento do transporte de oxigénio e capacidade de resistência.

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