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Na emergência de…

...um desporto falido

Fernando Tenreiro (*)

A pergunta de um milhão de euros do nosso desporto é: Se há projectos e áreas como o futebol que são preponderantes no desporto português e simultaneamente prejudicam o  desenvolvimento económico do setor, que política económica e social, através do desporto, beneficiará 11 milhões de portugueses e o PIB?

Interesse Público

Não se consegue debater a falência do desporto porque é um sector de micro e pequenas organizações sem finalidade lucrativa, grande parte subsídio-dependentes do Estado e a presença de monopólios lucrativas como o Porto, Benfica e Olivedesportos. Assim sendo, a falta de debate sobre a eficiência económica vem da estrutura de mercado cujos agentes predominantes determinam a regulação pública ao seu interesse.

O Sufoco do Futebol

O futebol é a parte relevante do desporto que sufoca o todo que “somos todos nós”. As políticas inspiradas no futebol têm um impacto recessivo e destrutivo de valor humano, pela sobrevalorização da finalidade lucrativa e a liberalidade do futebol profissional. O desporto feito na Europa cria valor humano e social, postos de trabalho, aumenta a produtividade de toda a população e diminui a fatura da saúde, contabilizando milhares de milhões de euros de benefícios diretos e indiretos.

Uma Nova Visão

Sozinho, este desporto não se reformará e justifica-se a maior atenção social. Um primeiro passo seria a criação de uma Visão de largo alcance consensualizada na opinião pública com os parceiros desportivos, económicos e sociais. Outro seria a junção do Comité Olímpico com o Comité Paralímpico e a Confederação do Desporto, responsabilizando a nova instituição pela convergência europeia do desporto nacional.

Um Novo Modelo

A reforma da legislação desportiva atual deveria assentar num modelo económico eficiente para atacar simultaneamente a falência do desporto e do seu mercado e também a crise atual. O novo modelo económico, a assumir também pelo Estado, impediria a atual falta de nervo do desporto na orgânica dos governos e suscitaria a reforma das funções do Estado a par da do associativismo desportivo.

Relação Custo Benefício

O desporto moderno é um sector económico que paga o investimento realizado sendo os benefícios à população carenciada mais do que proporcionais face ao investimento inicial.

A Coragem e as Políticas Públicas

Políticas corajosas como estas poderão gerar o desenvolvimento sustentado do desporto  beneficiando o capital humano e social dos portugueses concorrendo, ainda, para a reforma do Estado Social. Depois, para além de afastarem certos parceiros “de cima do pote”, concorreriam para a felicidade desportiva dos portugueses.

(*) Professor na Universidade Lusíada de Lisboa.

15/05/2013; 13/07/2013

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Story | by Dr. Radut