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Madrid (2020)

Valha-nos Nossa Senhora…

Na próxima 125ª Sessão (reunião dos 115 membros) do Comité Olímpico Internacional (COI) que se realizará de 7 a 10 setembro no Hotel Hilton em Buenos Aires, vai ser tomada uma decisão que poderá marcar de sobremaneira a vida em Portugal, durante os próximos anos. Estamo-nos a referir à decisão relativa à cidade que vai acolher a realização dos Jogos Olímpicos (JO) da XXXII Olimpíada que se realizarão em 2020.

A Sessão abrirá às 8h 45m com uma alocução do presidente Jacques Rogge à qual se seguirá a apresentação final das três cidades candidatas que restam: Istambul, Tóquio e Madrid. E é por esta ordem que, exporão durante cerca de 45m, os respetivos argumentos seguidos por um período de perguntas e respostas.

A primeira cidade a defender a sua proposta será Istambul. Já não é a primeira vez que o vai fazer na medida em que foi candidata a receber os JO da XXIX Olimpíada realizados em  2008. Contudo, desta feita, está numa situação muito difícil uma vez que ninguém acredita que os membros do COI escolherão uma cidade que possa perturbar minimamente o sucesso económico do JO. Com os recentes acontecimentos, que não têm um final feliz à vista, a cidade perdeu a natural sedução que poderia levar os membros do COI a escolherem uma cidade a oriente. Quer-nos parecer que Istambul já está fora da corrida.

Tóquio é a única que já recebeu uns JO. Foram os da XVIII Olimpíada realizados em 1964. Também concorreu para 2016. Apresenta argumentos fortíssimos que devem soar como música celestial aos ouvidos dos membros do COI: a sua área metropolitana possui mais de 31,2 milhões de habitantes; tem a maior economia de uma cidade no mundo, com um produto interno bruto de mais de 1.5 biliões de dólares; mais de 70% dos Japoneses estão a favor da candidatura de Tokyo aos Jogos Olímpicos. Contudo, as atuais relações políticas do Japão com a República Popular da China (RPC) condicionarão negativamente o voto dos membros do COI que evitarão afrontar a RPC. Quanto a nós portugueses esperemos que o odor do dinheiro que tanto é do agrado dos membros do COI não se sobreponha ao medo de um conflito com a RPC ou até mesmo o seu boicote aos JO porque as relações entre os dois países até podem criar uma crise como nunca dentro do COI.

Quanto a Madrid, há muito que é candidata. Tal, ocorreu, pela primeira vez, para os JO da XX Olimpíada (1972). Mais recentemente, numa “estratégia de insistência” tem-no vindo a fazer desde 2005. Para além dos argumentos de Madrid que passam pelo seu cosmopolitismo e por já estar tudo praticamente feito, os espanhóis necessitam desesperadamente de um evento deste tipo para ajudar a animar a sua economia. E os portugueses também porque a melhor coisa que nos podia acontecer era, em 2020, os JO serem realizados à porta de nossa casa. Por isso, não seria mau acendermos uma velinha a Nossa Senhora.

 GP, 20/06/2013; 04/07/2013.

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Story | by Dr. Radut