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Fundação do Comité Olímpico Português

pintocorreia.jpgO Revisionismo Histórico do COP: Derepentemente 106 anos são 104!

José Pinto Correia

O Comité Olímpico de Portugal anda há muitos anos a considerar uma data errónea para a sua fundação. Nunca o quis admitir ao longo do imenso consulado de Vicente Moura e do mais recente, mas já com mais de três anos, de José Manuel Constantino. Durante cada um dos sucessivos anos o Comité sempre foi fazendo comemorações daquele pretenso aniversário. E no final de 2015, em mais um destes faustos cerimoniais, acabou a convidar imensa gente para a celebração do seu ilusório 106º aniversário. Houve muitos conhecedores do desporto que avisaram sem efeito os dirigentes do COP para a falsidade histórica em que estavam sistematicamente a incorrer. Sempre sem qualquer sucesso. Eis senão quando agora há uns dias o sítio digital do Comité vem noticiar que afinal se comemora a 30 de Abril o 104º aniversário da sua fundação.

Assim mesmo, apenas justificado com um anexo de um jornal desportivo do início do século vinte, que tinha sido variadas vezes referenciado por todos aqueles estudiosos que avisavam sucessivamente para o erro histórico que o COP vinha cometendo. Estranho mesmo é que esta notícia formal do COP não venha assinada pela sua direcção e ainda mais inaceitável não haja da parte destes dirigentes uma assunção clara da responsabilidade institucional de prolongarem uma falsidade histórica durante tantos anos. Rever a história deste modo é feio, revela má consciência e uma fuga indescritível às responsabilidades pessoais e institucionais. O Movimento Olímpico rege-se por uma carta de princípios que enaltecem a nobreza humana, a ética dos valores, e a contribuição para o desenvolvimento humano. O COP fica muito mal nesta foto de família olímpica. Rever a história exigiria um trabalho científico com recurso sistemático às fontes que alguns se impuseram fazer, que é conhecido de há muito a esta parte, e que é imperativo que a dignidade institucional desta casa olímpica portuguesa que é o Comité Olímpico de Portugal se imponha realizar autonomamente ou aceitar o que desse modo rigoroso tiver sido feito por outrem. Nada mais do que isso, mas também nada menos do que esse gesto de transparência, de humildade e de respeito à memória histórica e desportiva de Portugal.
2 de Maio de 2016

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Story | by Dr. Radut