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Efeito de Ídolo

Onde Estão as Políticas Públicas?

O País, nos últimos dias, foi agradavelmente surpreendido por resultados desportivos de significado: no ténis com João Sousa; no ciclismo com Rui Costa; no atletismo com Rui Silva; e no tiro com João Costa. Tudo isto, para além dos feitos excecionais de Nelson Évora e Vanessa Fernandes nos Jogos Olímpicos de Pequim e nos Jogos Olímpicos de Londres de Emanuel Silva e Fernando Pimenta.

A obtenção de resultados em competições internacionais tem sido uma agradável constante de há vários anos a esta parte em diversas modalidades desportivas individuais. Se considerarmos o que se passa no futebol, uma modalidade coletiva, então, podemos concluir que Portugal só não tem um nível desportivo digno de um país desenvolvido por ausência completa de políticas públicas que vão da educação desportiva ao alto rendimento.

Por isso, a pergunta que urge fazer aos responsáveis políticos quer públicos quer privados é a seguinte:

Para além das obscenas felicitações que, religiosamente, enviam aos atletas vencedores, o que é que pretendem fazer a fim de potenciarem o “efeito de ídolo” de modo a, através de políticas públicas concertadas, provocarem a montante do Sistema Desportivo os estímulos necessários ao desenvolvimento do desporto no País?

Pierre de Coubertin nas suas memórias olímpicas escreveu:

Para que cem se dediquem à cultura física, (…) é necessário que cinco se mostrem capazes de realizar proezas extraordinárias.

Pois bem, os cinco ou mais capazes de proezas extraordinárias já existem. Por isso, perguntamos:

O que é que os Senhores Miguel Macedo, Emídio Guerreiro, Augusto Baganha, José Constantino e Carlos Cardoso, com todo o poder que têm e os muitos milhões de euros públicos que administram, pretendem fazer com os extraordinários resultados desportivos dos atletas?

Porque, ou os resultados desportivos de alto nível são promotores do desenvolvimento do desporto ao serviço da qualidade de vida dos portugueses, ou o desporto não passa de uma atividade protofascista desenvolvida por uma oligarquia instalada unicamente interessada em alienar em benefício próprio os cidadãos que acorrem aos estádios a fim de sublimarem as frustrações da vida através dos êxitos desportivos dos seus heróis.

Não chega ganhar medalhas em grandes competições internacionais para que o desenvolvimento do desporto aconteça. É necessário saber o que fazer com elas e agir em conformidade. O problema é que os dirigentes políticos, que nos últimos anos, desgraçadamente, na maior das ignorâncias, têm governado o desporto, não faziam nem fazem a mínima ideia de como agir. E aqueles que nos organismos privados podiam, até pela sua formação, alterar a situação, uma vez acomodados à gamela do poder não pensam noutra coisa senão em, olimpicamente, tratar da vidinha e em usufruir das mordomias que o estuporado dirigismo desportivo lhes pode proporcionar.

E os atletas de alto nível, ainda em competição ou já retirados, verdadeiros heróis nacionais, acabam por ser utilizados como autênticos caniches amestrados que se limitam a obedecer à voz do dono nos eventos políticos e desportivos do partido do poder. Ora bem, o efeito de ídolo, num Sistema Desportivo com um mínimo de dignidade, não pode ser transformado nesta miséria e vil tristeza.

GP, 2013-10-03

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Story | by Dr. Radut