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Congresso Olímpico Nacional (alternativo)

Francisco Fernandes

A família Herédia e o Olimpismo

Francisco J. V. Fernandes

O desporto e os protagonistas desportivos que, no início do século XX, pontuavam em Portugal eram, com raras exceções provenientes de ambiente de elite que associava as práticas desportivas às vivências sociais e ao envolvimento aristocrático, não sendo de estranhar a assídua presença aos eventos de membros da família real, designadamente o rei D. Carlos, ele próprio exímio sportsman, e a rainha D. Amélia.

Pese embora a inevitabilidade das referências históricas, desportivas e culturais que contextualizam no tempo o objetivo destas linhas, o seu fim último é o de dar à família Herédia (que a História refere como ‘os Herédia da Madeira’), descendentes de Dom Francisco Correia Herédia, Visconde da Ribeira  Brava, o relevo que lhe cabe na história do desporto português da primeira metade do século XX e, em particular, à participação olímpica de alguns dos seus elementos, procurando desfazer-se um equívoco recorrente que a literatura atinente vem cometendo, em parte devido à parcial coincidência de nomes entre D. Sebastião Sancho Gil de Borja de Macedo e Meneses Correia Herédia e D. Sebastião de Freitas Branco Herédia, pai e filho (respetivamente filho e neto de D. Francisco Correia Herédia) ambos participantes em ‘Amsterdão-1928’, facto que cremos único na participação olímpica portuguesa - pai e filho na mesma edição dos Jogos Olímpicos – a que se acrescenta, ainda na mesma edição dos Jogos, a participação de outro membro da família Herédia – António Guedes de Herédia, que viria a participar também em Berlim–1936 e Londres–1948, na modalidade de Vela.

Finalmente, não podemos deixar de dedicar espaço a Maria Luísa de Freitas Branco de Herédia (1905-1961), médica, irmã de Sebastião de Freitas Branco Herédia, que foi membro da Comissão Técnica do COP, em particular pela posição marcante e, para a época, destemida e progressista, na defesa do desporto feminino e da participação das mulheres nos Jogos Olímpicos.

Este ensaio, que em breve será publicado como n.º 2 da Coleção “Estudos Olímpicos” das Edições FMH, reúne um conjunto de documentos, fotos, recolhas de trabalhos de comunicação social e beneficia de diversos trabalhos publicados sobre a participação olímpica portuguesa, cujos autores se referenciam, procura também mostrar a necessidade de disponibilização pública dos arquivos do COP, a fim de que se evitar a ocorrência de erros e a imprecisão dos relatos que, aqui e ali, a literatura disponível revela.

A circunstância de termos tido o privilégio de contactar pessoalmente descendentes dos protagonistas dos feitos desportivos aqui relatados, acrescentou credibilidade ao relato de memórias e garantiu o acesso a acervos familiares insubstituíveis enquanto fontes históricas. (ler mais /PDF)

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Story | by Dr. Radut