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Artur d'Oliveira Valença

Artur d'Oliveira Valença

Olímpica Solidariedade Finlandesa

Gustavo Pires

Seria bom que os verdadeiros finlandeses compreendessem que, uma coisa é a situação financeira e económica a que, alguns políticos, conduziram  Portugal, e outra, completamente diferente, é o honrado, trabalhador e sério povo português, quer dizer, os verdadeiros portugueses.
Os finlandeses, um povo que tem sofrido as agruras da história por viver paredes meias com a Rússia, devia lembrar-se que a palavra solidariedade é de extraordinária importância quando se trata de apoiar países que pelas mais diversas circunstâncias se encontram em dificuldade. Assim, quando ameaçam vetar o vergonhoso e humilhante mas imprescindível resgate financeiro a Portugal deviam considerar que, também eles, no passado, foram objecto de solidariedade dos portugueses, entre outros de Artur d’Oliveira Valença (1897-1978) que, muito provavelmente, hoje, nenhum finlandês deve conhecer.
 Mas quem foi Artur d’Oliveira Valença?
 Foi um entusiasta “sportman” portuense. Num “blogue” do Jornal de Notícias assinado por Mário Sousa pode ler-se que em 1921 fundou o bissemanário desportivo “Sporting” que acabou por ser o primeiro diário desportivo português. Foi jornalista, empresário, editor, autor, boxeur e dirigente desportivo – p./ex. presidente do Boavista Football Club. Foi, ainda, um dos principais opositores ao antigo regime  tendo sido apoiante do Gen. Humberto Delgado.
 Artur d’Oliveira Valença, em 1940, através do jornal “Sporting” de que era director, lançou um movimento internacional de apoio à Finlândia. Porquê?
Os Jogos da XIII Olimpíada que estavam previstos para Tóquio (1940) tinham sido transferidos para Helsínquia. Entretanto, a 30 de Novembro de 1939, a União Soviética atacou a Finlândia dando origem à guerra Russo-Finlandesa. Apesar da heróica resistência finlandesa o País teve de ceder 10% do território e 20% da sua capacidade industrial à União Soviética. Em consequência, ficou absolutamente fora de causa a realização dos Jogos Olímpicos em Helsínquia no ano seguinte.
Contudo, em Portugal, Artur d’Oliveira Valença, não se deu por vencido. Com data de 15 de Janeiro de 1940 escreveu uma carta (em francês) para os comités olímpicos de diversos países onde dizia:
“Infelizmente, a luta desportiva foi precedida pela guerra de invasão, guerra sem quartel, que tudo destrói e esforça-se por esmagar um povo que tem o culto do belo e da energia. Assim, o encontro dos atletas do mundo inteiro ficou sem efeito e vai ser necessário esperar que a justiça surja novamente no Globo para podermos, como no passado, festejar alegremente o regresso dos Jogos.”
E, depois, perguntava:
“É possível que os desportistas do mundo inteiro se mantenham silenciosos….?”
Então, propôs que as verbas que os diversos comités olímpicos nacionais iam gastar na deslocação a Helsínquia fossem transferidas para o Comité Olímpico Finlandês que as utilizaria:
“em defesa do seu desporto, da sua raça e do seu País”.
Foi pouco?
Talvez.
Contudo, foi solidariedade. A solidariedade que os verdadeiros portugueses esperam dos verdadeiros finlandeses. Até porque, empréstimos não são dádivas e pagam-se com juros. Portugal, ao longo de mais de oitocentos anos de história, sempre soube ser solidário bem como pagar as suas dívidas.

Última revisão: 2011/04/30;

 

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Story | by Dr. Radut