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Antropologia, Património e Olimpismo

Olhar a Realidade no Tempo perante os Agentes

Pedro Manuel-Cardoso

O ensaio interroga a antropologia a partir da proposta que a Prof.ª Doutora Paula Godinho designou por “Para uma Antropologia Crítica: realidades, processos e agentes” (Módulo 2 do Seminário “Problemáticas da Antropologia” – UNL/FCSH, 2011). Ao não negligenciar a historicidade dos contactos e das trocas entre as várias escalas do espaço e do tempo pudemos perceber como a antropologia contemporânea se afastou criticamente do pressuposto de que existiam sociedades primitivas ideais, concebidas como totalidades homogéneas e coerentes, sem contradição e descontinuidade, narradas como se não pertencessem ao presente ou estivessem fora do tempo, isoladas da interpenetração global, vivendo em simbiose com o seu ambiente/contexto, ou apenas determinadas por forças instintivas de adaptação, ou por escolhas racionais sem a interferência do fator político.

Através da perspetiva que intitulámos por Olhar a Realidade no Tempo perante os Agentes, o ensaio foca-se no tema da investigação que pretendemos realizar para a Tese, e sugere que o estudo do património pela antropologia permite, não apenas considerar a agencialidade política do sujeito, mas também a que deriva da interferência da cognição e da memória. Permitindo acrescentar conhecimento aos fenómenos da variação/diversidade e da transmissão humana, não pelo caminho preconizado pela “síntese biocultural” ou “etnobiologia” (Ellen, 2006), a qual se submete em demasia aos conceitos de “adaptação” e de “co-evolução gene-cultura”, mas, de modo diferente, através dos novos avanços sobre a cognição humana e a memória que os trabalhos de Squire & Kandel (2002) e a hipótese de Wynn & Coolidge (2010) reabilitaram. O ensaio sugere, ainda, que o estudo do património contribui para uma convergência entre a ‘antropologia social e cultural’ e a ‘antropologia física’.

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Story | by Dr. Radut