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Alto Comissário da Casa Olímpica

Para Quem é ...

A recente notícia acerca da institucionalizção de um "Alto Comissário da Casa Olímpica da Língua Portuguesa no Brasil" leva-nos a formular a seguinte questão:

Como é  que é possível que o Comité Olímpico de Portugal que, de acordo com a Carta Olímpica, deve defender "... um estilo de vida fundado no prazer do esforço, no valor educativo do bom exemplo, na responsabilidade social e no respeito pelos princípios éticos fundamentais universais" pode, através do seu presidente, estar metido no assunto?

Entretanto, recordamos que "o Olimpismo é uma filosofia de vida que coloca o desporto ao serviço do desenvolvimento humano".

Por isso, custa-nos ver nomes queridos e respeitados do Movimento Olímpico nacional, como o de Rosa Mota, associados a este projeto (como refere a RevistaVisão (nº 1066  de 8 a 14 de agosto de 2013) que, pela sua liderança, para além de não merecer a mínima confiança não transmite qualquer credibilidade, tanto no País como no estrangeiro, em especial nos países de língua portuguesa que acompanham a vida nacional com significativo interesse.

E quando a referida revista compara esta estuporada situação do "Alto Comissário da Casa Olímpica da Língua Portuguesa no Brasil",  à de António Guterres enquanto "Alto Comissário para os Refugiados" que exerce nas Nações Unidas só revela uma inaceitável falta de pudor que devia merecer a maior repulsa por parte da sociedade portuguesa, a começar pelos próprios dirigentes do COP.

O Movimento Olímpico, mesmo perante a crise de princípios e valores que varre a sociedade portuguesa, deve estar obrigado a um sentido de dignidade e a uma exigência ética que não se compadecem com nomeações que não estejam acima de qualquer crítica. Porque, quem não tinha condições para ser ministro da tutela do desporto, fossem elas quais fossem as razões, não terá certamente também para representar o Movimento Olímpico nacional entre os países de língua portuguesa tendo em vista os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Para além do mais, todo este processo se não é, pelo menos parece um favor político do COP ao partido do Governo que, deste modo, conseguiu uma posição de destaque para um seu militante que, pela pressão da indignação pública, tinha sido obrigado a afastar-se do poder.

Até porque segundo o nº 1 do artigo 2.º (Independência e financiamento) dos seus estatutos:

O COP é independente do Governo e alheio a quaisquer influências de natureza política, económica ou religiosa.

Vai mal a Comissão Executiva do COP, quando cada um dos seus membros, mesmo que seja só pelo silêncio, aceita colaborar neste lamentável processo. Até porque, até prova em contrário, o que prevalece para a generalidade dos portugueses é que "para quem é...". É pena.

GP

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Story | by Dr. Radut