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Academia Olímpica

O Futuro Depende de Vós…

As Academias Olímpicas (AO) representam para o Movimento Olímpico (MO) a sua dimensão académica pelo que o seu principal objetivo é o de transmitirem, de geração em geração, os princípios e os valores do Olimpismo. Esta ideia, como tantas outras, foi, pela primeira vez, lançada por Pierre de Coubertin quando, em abril de 1927, já depois de deixar a presidência do COI, fez uma visita a Olímpia onde, através de um discurso a que intitulou “A la Jeunesse Sportive de Toutes les Nations”, manifestou as suas preocupações relativamente ao futuro dos Jogos Olímpicos. Vale a pena recordarmos algumas das suas palavras:

“Nós, os meus amigos e eu, não trabalhámos para vos entregar os Jogos Olímpicos para fazerem deles um objeto de museu ou de cinema, nem para os colocarem ao serviço de interesses mercantis ou eleitorais. Renovámos uma instituição vinte e cinco vezes secular para que vocês possam abraçar a religião do desporto tal como os nossos antepassados o conceberam.

No mundo moderno, cheio de enormes possibilidades que, ao mesmo tempo, ameaçam com perigosas exclusões, o Olimpismo pode ser uma escola de nobreza e de pureza morais, bem como de energia e resistência físicas, mas isso só acontecerá na condição de, continuamente, elevarem a vossa conceção de honra e abnegação desportivas à altura da vossa força muscular. O futuro depende de vós.”

Estava lançada a ideia. Todavia, as dificuldades eram imensas. Nem os países nem os CONs estavam verdadeiramente motivados para tal empreendimento. E quando o mecenas egípcio, de seu nome Ângelo Bolanachi, membro do COI, na Sessão de Londres de 1939, anunciou a fundação da Academia Olímpica Internacional a Europa já estava às portas de uma guerra devastadora que havia de, por mais uns anos, deitar por terra a concretização do sonho de Coubertin.

Finalmente em 1961, o grego John Ketseas e o alemão Carl Diem, com o apoio financeiro dos respetivos CONs, acabaram por conseguir a institucionalização em Olímpia da Academia Olímpica Internacional, porventura, depois dos Jogos Olímpicos, o mais querido projeto de Coubertin. E passados poucos anos, começaram a ser fundadas por todo o Mundo Academias Olímpicas com o objetivo principal de divulgarem e promoverem os princípios e os valores do Olimpismo enquanto competição nobre e leal que anima as mais diversas atividades humanas entre elas o desporto.

Em Portugal, passados que foram mais de vinte anos, numa carta datada de 17 de maio de 1985 dirigida a Antonio Samaranch, o General Raul Pereira de Castro, ao tempo, representante em Portugal do Comité Olímpico Internacional (COI), informou o Presidente do COI que a Comissão Executiva do Comité Olímpico Português (COP), relativa aos Jogos da XXIV Olimpíada, tinha decidido criar a Academia Olímpica Portuguesa (AOP). Na volta do correio, o Presidente Samaranch, em carta datada de 15 de março, respondeu ao General Pereira de Castro felicitando-o pelo excelente trabalho realizado pelo COP bem como pelas “excelentes notícias” relativas à fundação da AOP.

As “excelentes notícias” da carta do General Pereira de Castro não foram uma novidade para o Presidente Samaranch porque, por de trás da ideia da AOP estava o Vice-presidente do Comité Olímpico Português de seu nome Fernando Machado, que, há muito, mantinha uma correspondência regular com Samaranch. Na realidade, o Presidente do COI, já era conhecedor das “excelentes notícias” que lhe chegaram de Portugal por carta datada de 15 de março de 1985 que lhe fora enviada por Fernando Machado.

Passados quase dois anos, a 30 de dezembro de 1986, Fernando Machado deu por terminados os trabalhos a que se entregara, informando oficialmente Raymond Gafner, Administrador Delegado do COI que, a AOP seria uma realidade uma vez que a sua existência já constava nos novos estatutos do COP. Mais informava que havia sido constituída uma Comissão Instaladora composta por seis elementos, Vasco Lynce de Faria, Miguel Nobre Guedes, Aníbal Justiniano, Manuel Ribeiro da Silva, Fernando Machado e Lima Bello (que presidia) que elaborada o regulamento da AOP que, a 4 de dezembro de 1986, fora aprovado pela Comissão Executiva do COP. Previa-se o arranque das atividades da AOP em janeiro do ano seguinte e a primeira ação seria realizada precisamente no dia 23 de junho, o Dia Olímpico.

Desde então, muitas Olimpíadas se passaram tal como muitas eleições se processaram na AOP a fim de se apurarem aqueles que, na consciência dos eleitores, em melhores condições se encontravam para desenvolverem os ideais académicos de Coubertin. E os que aceitaram tal incumbência, assumiram a enorme responsabilidade de darem continuidade ao sonho de um homem que pôs a sua vida ao serviço dos ideais olímpicos.

A Academia Olímpica de Portugal está em vias de viver um novo processo eleitoral. A responsabilidade dos candidatos é enorme, por isso, voltam a ser oportunas as palavras sempre atuais que Coubertin proferiu em 1927 no santuário de Olímpia: “o Olimpismo pode ser uma escola de nobreza e de pureza morais, bem como de energia e resistência físicas, mas isso só acontecerá na condição de, continuamente, elevarem a vossa conceção de honra e abnegação desportivas à altura da vossa força muscular. O futuro depende de vós.”

GP, 27/05/2013.

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